Wikia Shadowhunters BR
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Nesta página estarão uma compilação dos extras, cenas cortadas, contos e outros bônus extras ou conteúdo especial dentro da série, lançado juntamente com Os Instrumentos Mortais ou pela própria Cassandra Clare.

Nota: O texto adicionado aqui pertence a Cassandra Clare, e seus editores para algumas histórias, retiradas do domínio público. Eles são copiados e traduzidos na íntegra e não devem ser revisados de forma alguma.

Cidade dos Ossos

Prólogo Original

fonte: Idris Brasil - Prólogo

Cassandra Clare: "Este era o prólogo original de Cidade dos Ossos. Eu queria contar parte da história do ponto de vista do Jace, mas uma vez que me aprofundei no livro percebi que seria melhor se o víssemos geralmente da perspectiva da Clary. Isso deixava Jace mais misterioso, e um personagem misterioso é sempre divertido.”

As marcas na sua pele contavam a história de sua vida. Jace Wayland sempre se orgulhara delas. Alguns dos outros jovens da Clave não gostavam das letras negras que desfiguravam a pele, não gostavam da dor ardente da estela quando cortava a pele, não gostavam dos pesadelos que vinham quando runas poderosas demais eram pintadas antes de alguém estar pronto para elas. Jace não sentia nenhuma pena deles. Era culpa deles mesmos que não fossem mais fortes.

Ele sempre havia sido forte. Tivera que ser. A maioria dos garotos recebia sua primeira marca aos 15 anos. Alec recebera aos 13, e isso era bem jovem. Jace recebera aos 9. Seu pai cortara as marcas em sua pele com uma estela feita de marfim esculpido. As runas diziam seu nome real, e outras coisas. “Agora você é um homem,” seu pai dissera. Naquela noite Jace sonhou com cidades feitas de ouro e sangue, com torres de ossos altas e afiadas como farpas. Ele tinha quase 10 anos e nunca havia visto uma cidade.

Naquele inverno, seu pai o levou para Manhattan pela primeira vez. O asfalto duro era sujo, os prédios muito perto uns dos outros, mas as luzes eram brilhantes e belas. E as ruas estavam cheias de monstros. Jace só os vira antes nos manuais de instrução de seu pai. Vampiros em suas roupas finas, rostos mortos brancos como papel. Lobisomens com seus dentes afiados demais e seu cheiro de lobo. Feiticeiros com seus olhos de gato e orelhas pontudas, às vezes uma cauda pontuda saindo de um elegante casaco de veludo.

“Monstros,” seu pai dissera, com desgosto. Sua boca se curvou no canto. “Mas eles sangram vermelho como humanos quando você os mata.”

“E quanto a demônios? O sangue deles também é vermelho?”

“O de alguns sim. Alguns têm o sangue fino como veneno verde, outros sangram prata ou preto. Eu tenho uma cicatriz de um demônio que tinha sangue ácido da cor de safiras.”

Jace olhou para a cicatriz de seu pai, maravilhado. “E o senhor matou muitos demônios?”

“Sim,” dissera seu pai. “E algum dia, você também matará. Você nasceu para combater demônios, Jace. Está nos seus ossos.”

Jace só veria um demônio pela primeira vez anos depois, e até lá seu pai já estaria morto há vários anos. Ele puxou a camisa para ver a cicatriz onde aquele primeiro demônio o havia ferido. Quatro marcas paralelas de garras que iam do seu peito ao seu ombro, onde seu pai fizera as marcas que o deixavam rápido e forte, e que o escondiam dos olhos mundanos. Veloz como o vento, forte como a terra, silencioso como a floresta, invisível como a água.

Jace pensou na menina de seu sonho, aquela com o cabelo vermelho em trança. No sonho, ela não era invisível para ela. Ela olhara para ele com mais do que percepção; havia reconhecimento em seus olhos, como se ele fosse familiar. Mas como uma garota humana poderia ver através do seu glamour?

Ele acordara tremendo, frio como se sua pele tivesse sido arrancada. Era assustador se sentir tão vulnerável, mais assustador que qualquer demônio. Ele teria que perguntar a Hodge sobre runas para proteção contra pesadelos pela manhã. Talvez houvesse algo sobre isso em um de seus livros.

Mas não havia ninguém agora. Houveram relatos de atividades obscuras em um clube no centro, corpos humanos encontrados flácidos e secos à luz do sol. Jace colocou a jaqueta, checou suas armas, mãos marcadas passando levemente sobre pano e metal. Marcas que nenhum olho humano poderia ver – e ele estava feliz, pensando na garota em seu sonho, a maneira que ela tinha olhado para ele, como se ele não fosse diferente dela. Sem sua magia, as marcas em seu corpo eram apenas marcas, no fim das contas, sem mais poder do que as cicatrizes em seus pulsos e peito, ou a profunda cicatriz acima de seu coração onde o assassino de seu o atingira quando tinha dez anos.

“Jace!”

O som de seu nome o trouxe de volta à realidade. Estavam lhe chamando do corredor, Alec e Isabelle, impacientes, ávidos pela caçada. Expulsando os pensamentos de pesadelos da mente, Jace uniu-se a eles.

A Promessa de Magnus

fontes: Idris BR; Tumblr.

Uma história que acontece durante Cidade dos Ossos do ponto de vista de Magnus. As primeiras edições em capa dura de Clockwork Angel vieram com ela.

Magnus Bane estava deitado no chão do seu loft no Brooklyn, olhando para o teto nu acima. O chão estava ligeiramente grudento, como a maioria do apartamento. Vinho de fadas misturado com sangue se derramava no chão, correndo em riachos ao longo das tábuas do soalho que soltava farpas. O bar, que tinha sido uma porta apoiada sobre duas latas de lixo de metal dentado, havia sido arruinado em algum ponto da noite durante uma vigorosa briga entre um vampiro e Bat, um dos lobisomens do bando da cidade. Magnus se sentiu satisfeito. Não era uma boa festa a menos que algo fosse quebrado.

Passos mansos vieram pelo chão na direção dele e algo se enrolou sobre seu peito: algo pequeno, macio e pesado. Ele olhou para cima e se descobriu encarando um par de grandes olhos dourado-esverdeados que combinavam com os seus próprios. Presidente Miau. Ele afagou o gato, o qual afundou feliz suas garras na camisa de Magnus. Um pouco de serpentina caiu do teto e pousou nos dois, fazendo com que Presidente Miau pulasse para o lado. Com um bocejo, Magnus sentou. Ele normalmente se sentia assim depois de uma festa – cansado, mas acabado demais para dormir. Sua mente estava repassando os eventos da noite, mas, como um CD arranhado, continuava voltando ao mesmo ponto e girando nele, mandando suas memórias em uma espiral.

Aquelas crianças Caçadoras de Sombras. Ele não tinha se surpreendido que Clarissa o tivesse finalmente encontrado. Ele sabia que os feitiços para bloquear lembranças de Jocelyn não funcionariam para sempre. Ele havia dito isso a ela, mas ela estava determinada a proteger a garota pelo tempo que pudesse. Agora que ele a conhecera, consciente e alerta, ele imaginava se ela realmente teria precisado de toda aquela proteção. Ela era ardente, impulsiva, corajosa – e sortuda, como sua mãe. Isso se você acreditasse em sorte. Mas algo deve tê-la guiado aos Caçadores de Sombras do Instituto, possivelmente os únicos que podiam protegê-la de Valentim. Uma pena que Maryse e Robert estavam fora. Ele havia feito acordos com Maryse mais de uma vez, mas fazia anos desde que vira a geração mais jovem.

Ele tinha uma vaga memória de visitar Maryse e Hodge e lá estarem dois meninos no corredor, com uns onze anos de idade, batalhando de um lado pro outro com lâminas serafim de modelo inofensivo. Uma garota com cabelos pretos em duas tranças os assistia e vociferava reclamando por não estar incluída. Ele mal os havia notado na época.

Mas agora – vê-los o havia abalado, especialmente os meninos, Jace e Alec. Quando se tinha tantas memórias, às vezes era difícil identificar exatamente a que queria, como folhear um livro de dez mil páginas para encontrar o parágrafo correto.

Desta vez, no entanto, ele soube.

Ele engatinhou pelo chão com farpas e se ajoelhou para abrir a porta do closet. Lá dentro, ele puxou de lado roupas e diversos pacotes e poções, tateando pelas paredes procurando o que queria. Quando emergiu, tossindo com as bolas de poeira, arrastava um baú de tamanho considerável. Ainda que tivesse vivido muito tempo, ele tendia a viajar leve: a manter muito poucas lembranças do seu passado. Ele sentia de alguma forma que elas o exauririam, impedindo-o de seguir adiante. Quando se vivia para sempre, só se podia passar um certo tempo olhando para trás.

Já fazia tanto tempo desde que ele havia destrancado o baú, que abriu com um ranger de dobradiças, que fez com que Presidente Miau deslizasse para baixo do sofá, sua cauda em espasmos. Os objetos empilhados dentro do baú pareciam o tesouro de um dragão indelicado.

Alguns objetos brilhavam com metal e pedras preciosas – Magnus puxou para fora uma velha caixa de rapé, com as iniciais WS escritas no topo em rubis cintilantes, e sorriu do gosto ruim da coisa, e também das memórias que ela evocava. Outros pareciam pouco notáveis: uma fita de seda creme desbotada que tinha sido de Camille; uma caixa de fósforos do Cloud Club com as palavras “Eu sei o que você é” escritas na parte de dentro em caligrafia feminina; uma quintilha humorística assinada OFOWW; um papel meio queimado do Hong Kong Club – um lugar no qual ele havia sido barrado não por ser um feiticeiro, mas por não ser branco. Ele tocou um pedaço retorcido de corda quase no fundo da pilha e pensou em sua mãe. Ela tinha sido a filha de um colonialista holandês e de uma indonésia que morreu no parto e cujo nome Magnus nunca soube.

Ele estava quase no fundo do baú quando encontrou o que estava procurando e puxou para fora, espiando: uma fotografia de papel em preto-e-branco montada em cartolina dura. Um objeto que realmente não deveria ter existido, e não teria se Henry não houvesse sido obcecado com fotografia. Magnus podia lembrar-se dele agora, mergulhando para dentro e para fora do seu capuz de fotógrafo, correndo com as chapas molhadas para a sala escura que ele tinha montado na cripta para revelar o filme, gritando com seus modelos fotográficos para ficarem parados. Aqueles eram os dias em que, para produzir uma fotografia precisa, era necessário ficar sem se mover durante minutos de cada vez. “Nada fácil”, pensou Magnus, o canto da boca virando para cima, “para a equipe do Instituto de Londres”. Lá estava Charlotte, seus cabelos escuros em um coque prático. Ela estava sorrindo, mas ansiosamente, como se olhasse de relance para o sol. Ao seu lado estava Jessamine com um vestido que parecia preto na foto, mas Magnus sabia que havia sido azul escuro. Seus cabelos formavam cachos e fitas caíam como córregos de seu chapéu. Ela parecia muito bonita, mas muito infeliz. Ele imaginou como ela reagiria a alguém como Isabelle: uma garota de sua idade que obviamente amava Caçar Sombras, que exibia seus hematomas e as cicatrizes de suas marcas como se fossem jóias ao invés de escondê-los com renda Mechlin.

Do outro lado de Charlotte estava Jem, parecendo um negativo fotográfico dele mesmo com seus cabelos prateados e olhos que se tornaram quase brancos; sua mão repousava na sua bengala de jade com topo de dragão, e seu rosto se voltava para o de Tessa. Tessa – seu chapéu estava em suas mãos e seus longos cachos castanhos esvoaçavam livres, levemente borrados pelo movimento. Havia um leve halo de luz ao redor de Will: como convinha a sua natureza e não surpreenderia a ninguém que o tivesse conhecido, ele não havia sido capaz de ficar parado para a fotografia. Como sempre, ele não usava chapéu, seus cabelos pretos se enrolando contra as têmporas. Era uma perda não poder ver a cor dos seus olhos, mas ele ainda era lindo e jovem e parecia um pouco vulnerável na fotografia, com uma mão no bolso e a outra na nuca.

Já fazia tanto tempo desde que Magnus olhara a fotografia que a semelhança entre Will e Jace o atingiu de repente. Ainda que fosse Alec quem tivesse aqueles cabelos pretos e aqueles olhos – aquele azul escuro muito surpreendente – era Jace quem tinha mais da personalidade de Will, ao menos na superfície. A mesma arrogância afiada escondendo algo quebrável por baixo, a mesma perspicácia aguçada…

Ele contornou o halo de luz ao redor de Will com um dedo e sorriu. Will não havia sido nenhum anjo, porém não havia sido tão defeituoso como alguns poderiam ter pensado. Quando Magnus pensava em Will, mesmo agora, pensava nele pingando água da chuva no tapete de Camille, implorando a Magnus por uma ajuda que ninguém mais podia dar a ele. Fora Will quem o apresentara à ideia de que Caçadores de Sombras e membros do Submundo poderiam ser amigos. Jem era a outra, melhor, metade de Will. Ele e Will haviam sido parabatai, como Alec e Jace, e compartilhavam a mesma evidente proximidade. E ainda que Alec não parecesse a Magnus nem um pouco semelhante a Jem – Alec era agitado e doce, sensível e preocupado, enquanto Jem tinha sido calmo, raramente se incomodava, mais velho que seus anos de idade – ambos eram peculiares em se tratando de Caçadores de Sombras. Alec externava uma inocência profunda que era incomum entre Caçadores de Sombras – uma qualidade que, Magnus tinha de admitir, o atraía como uma mariposa para uma chama, apesar do seu próprio cinismo.

Magnus olhou de novo para Tessa. Mesmo que não fosse convencionalmente bonita do jeito que Jessamine havia sido bonita, seu rosto estava vivo com energia e inteligência. Seus lábios se curvavam para cima nos cantos. Ela se encontrava, como Magnus supunha ser apropriado, entre Jem e Will.

Tessa. Tessa, que, como Magnus, vivia para sempre. Magnus olhou para os detritos na caixa – memórias de amores passados, alguns cujos rostos haviam ficado com ele tão claros como no dia em que os vira pela primeira vez, e alguns cujos nomes ele mal lembrava. Tessa, que como ele, havia amado um mortal, alguém que era destinado a morrer enquanto ela não era. Magnus devolveu a fotografia ao baú. Ele balançou a cabeça, como se pudesse limpá-la das memórias. Havia uma razão para ele raramente abrir o baú. Memórias o exauriam, o lembravam do que ele havia possuído mas não tinha mais. Jem, Will, Jessamine, Henry, Charlotte – de certa forma era incrível que ele ainda lembrasse seus nomes. No entanto, conhecê-los havia mudado sua vida. Conhecer Will e seus amigos tinha feito Magnus jurar para si mesmo que ele nunca mais se envolveria em assuntos pessoais de Caçadores de Sombras. Porque quando você os conhecia, você acabava se importando com eles. E quando você se importava com mortais, eles partiam seu coração.

– E eu não vou – ele disse ao Presidente Miau solenemente, talvez um pouco embriagado – Eu não ligo para o quanto eles são charmosos ou quão corajosos ou mesmo o quanto parecem desamparados. Eu não vou nunca, nunca, jamais… Lá embaixo, a Campainha tocou, e Magnus se levantou para atendê-la

Quando Chega a Meia-Noite

fontes: Idris BR; TMI Source
O ponto de vista de Jace sobre seu primeiro beijo com Clary.

Eu beijei sua boca e parti seu coração

Os sinos do Instituto começaram a badalar, a profunda e alta batida do coração do ápice da noite.

Jace abaixa sua faca. É um elegante canivete, feito de osso, que Alec lhe deu quando eles se tornaram parabatai. Ele tem usado-o constantemente, e o punho amaciou devido a pressão de seus dedos.

“Meia-noite”, diz ele. Ele pode sentir Clary atrás dele, sentada entre os restos de seu piquenique, sua leve respiração no ar morno e com cheiro de planta da estufa. Ele olha não para ela, mas para frente, para os brilhantes brotos da planta medianox. Ele não tem certeza de por que não quer olhar para ela. Ele se lembra da primeira vez que viu a flor desabrochar, durante a aula de horticultura, sentado num banco de pedra com Alec e Izzy um de cada lado dele, e os dedos de Hodge no caule da planta – ele havia acordado-os próximo a meia-noite para mostrar o milagre, uma planta que normalmente só crescia em Idris – e lembrou-se de prender a respiração no ar da meia-noite de inverno diante da visão de algo tão supreendente e belo.

Alec e Isabelle se interessaram, mas não foram, ele se lembra, pegos pela beleza da planta como ele havia sido. Ele estava agora preocupado de que quando os sinos tocassem, Clary agiria do mesmo jeito: interessada ou até mesmo maravilhada, mas não encantada. Ele queria que ela sentisse do jeito que ele se sentia sobre a medianox, ainda que ele não soubesse o motivo. Um som escapou de seus lábios, um leve “Oh!”. A flor está desabrochando: abrindo como o nascimento de uma estrela, repleta de pólen e pétalas de ouro branco. “Elas florescem toda noite?”

Uma onda de alívio passar por ele. Os olhos verdes de Clary estão brilhando, fixados na planta. Ela está flexionando os dedos inconscientemente, do jeito que, ele entende, é o que ela faz quando ela gostaria de ter uma caneta ou lápis para capturar a imagem de algo em sua frente. Algumas vezes ele gostaria de poder ver como ela: ver o mundo como uma tela para ser capturada em uma pintura, gizes e aquarelas. Às vezes quando ela o olha daquela maneira, ele se encontra quase corando; uma sensação tão estranha que ele quase não reconhece. Jace Wayland não fica vermelho.

“Feliz aniversário, Clarissa Fray”, diz ele, e a boca dela curva-se em um sorriso. “Tenho algo para você”. Ele tateia um pouco, procurando em seu bolso, ainda que ele acha que ela não percebe. Quando ele pressiona a pedra enfeitiçada para dentro da mão dela, ele está consciente do quão pequenos os dedos dela são embaixo dos dele – delicados, porém fortes, cheios de calos de segurar lápis e pincéis. Os calos fazem cócegas na ponta de seus dedos. Ele se pergunta se o contato com a pele dele acelera sua pulsação do jeito que a dele acelera quando ele a toca. Aparentemente não, porque ela se afasta dele, sua expressão revelando apenas curiosidade. “Você sabe, quando a maioria das garotas diz que quer uma pedra grande, elas não querem dizer exatamente, uma pedra grande.”

Ele sorri sem querer. Algo que é incomum dele; geramente só Alec e Isabelle conseguem fazê-lo rir. Ele havia sabido que Clary era brava na primeira vez que ele a viu – entrando numa sala após Isabelle, desarmada e despreparada, e agiu com um tipo de coragem que ele não associava com mudanos – mas o fato de que ela o fez sorrir ainda o surpreendia. “Muito engraçado, minha sarcástica amiga. Não é uma pedra, exatamente. Todos os Caçadores de Sombras tem uma pedra enfeitiçada. Ela vai te iluminar mesmo entre as sombras mais escuras desse e de outros mundos.” Foram as mesmas palavras que seu pai havia lhe dito, quando ele ganhou sua primeira pedra. "Que outros mundos?" Jace perguntou, e seu pai apenas riu. Existem mais mundos a um sopro de distância desse do que grãos de areia em uma praia.

Ela sorri para ele e faz uma piada sobre presentes de aniversário, mas ele percebe que está emocionada; ela desliza a pedra para dentro de seu bolso cuidadosamente. A flor já está derramando pétalas como um banho de estrelas, iluminando o rosto dela com uma suave luz. “Quando eu tinha 12 anos, eu queria uma tatuagem”, diz ela. Uma mecha de cabelo ruivo cai sobre seu rosto; Jace tem que resistir contra colocá-la para trás de sua orelha.

“A maioria dos Caçadores de Sombras recebe suas primeiras Marcas com 12 anos. Deve estar no seu sangue.”

“Talvez. Embora eu duvide que a maioria dos Caçadores de Sombras tem uma tatuagem do Donatello das Tartarugas Ninjas em seus ombros esquerdos.” Ela está sorrindo, do jeito que faz quando diz coisas que são completamente incompreensíveis para ele, como se ela estivesse carinhosamente se lembrando. Isso envia uma pontada de ciúmes através das veias dele, mesmo que não saiba do que ele está com ciumes. Simon, que entende as referências a um mundo mundano que Jace jamais fará parte? O próprio mundo mundano para o qual ela pode algum dia retornar, deixando, agradecida, Jace e seu universo de demônios e caçadores, cicatrizes e batalhas, para trás?

Ele limpa a garganta. “Você queria uma tartaruga no seu ombro?”

Ela acena com a cabeça, e seu cabelo volta para o lugar. “Eu queria cobrir minha cicatriz de catapora”. Ela move a alça de sua blusa para o lado. “Vê?” E ele vê: tem um tipo de marca no ombro dela, uma cicatriz, mas ele vê mais do que isso: a curva de sua clavícula, a luz realçando as sardas em sua pele como um pó de ouro, a curva para baixo de seu ombro, a pulsação na base de sua garganta. Ele vê o contorno de sua boca, os lábios dela levemente abertos. Seus cílios de cobre quando ela os abaixa. E ele é levado por uma onda de desejo, do tipo que nunca experimentou antes. Ele obviamente havia desejado garotas antes e sempre satisfez esse desejo: ele havia sempre pensado nisso como uma fome, uma necessidade por um tipo de combustível que o corpo queria.

Ele nunca havia sentido desejo dese jeito, um fogo puro que queimou seu pensamento, que fez suas mãos – não exatamente tremerem, mas tamborilarem com energia nervosa. Ele desvia os olhos dela, rapidamente. “Está ficando tarde”, diz ele. “Deveríamos voltar lá para baixo.” Ela olha curiosamente para ele, e ele não pode deixar de pensar que aqueles olhos verdes o enxergam através. “Você e Isabelle já namoraram?”, pergunta ela.

O coração dele ainda está batendo forte. Ele não entende a pergunta. “Isabelle”, ele repete. Isabelle? O que Isabelle tem a ver com algo?

“Simon queria saber”, diz ela, e ele odeia o jeito como ela fala o nome de Simon. Ele nunca havia sentido nada como isso antes: nada que exaltasse-o como ela faz. Ele se lembra de ter ido até ela atrás da cafeteria, o jeito que ele queria levá-la para fora, para longe do garoto de cabelos escuros com quem ela sempre estava, para o seu mundo de sombras. Ele havia até mesmo sentido que ela pertencia ao mesmo lugar que ele, não ao mundo mundano onde as pessoas não eram reais, onde elas passavam além de sua visão como marionetes em um palco. Mas essa garota, com seus olhos verdes que o prendiam como uma borboleta, ela era real. Como uma voz em um sonho, que você sabe que vem do mundo real,ela era de verdade, perfurando a distância como uma armadura que ele criara cuidadosamente sobre ele mesmo.

“A resposta é não. Quero dizer, pode até ter havido uma época onde um de nós considerou isso, mas ela é quase uma irmã para mim. Seria estranho.”

“Você quer dizer que Isabelle e você nunca-”

“Nunca.”

“Ela me odeia”, diz Clary.

Apesar de tudo, Jace quase ri; assim como um irmão, ele tem um certo prazer em observar Izzy quando ela está frustrada. “Você só deixa ela nervosa, porque ela sempre foi a única garota entre garotos que a adoram, e agora ela não é mais.”

“Mas ela é tão bonita.”

“E você também.” Jace diz automaticamente, e vê a expressão de Clary mudar. Ele não pode ler seu rosto. Não é a primeira vez que ele diz a uma garota que ela é bonita, mas não consegue se lembrar de uma vez que não tenha sido calculado. Que fora um acidente. Que fez ele ter vontade de ir à sala de treinamento e atirar facas, e chutar e socar e lutar com sombras até que estivesse cheio de sangue e exausto, até que sua pele estivesse esfolada, do único jeito ao qual estava acostumado.

Ela o olha silenciosamente. À sala de treinamento, então.

“Nós deveríamos ir lá para baixo”, ele repete.

“Tudo bem.” Ele também não pode dizer o que ela está pensando através de sua voz; sua habilidade de ler as pessoas parece ter deixado-o e ele não entende a razão. A lua lança feixes de luz através dos painéis de vidro enquanto eles vão saindo, Clary um pouco na frente dele. Algo se move à frente deles – uma faísca branca de luz – e de repente ela para e dá uma meia-volta em direção a ele, já dentro de seus braços, e ela é quente e macia e delicada e ele está beijando-a.

E ele está atônito. Ele não funciona assim; seu corpo não age sem a sua permissão. É seu instrumento, como o piano, e ele sempre esteve perfeitamente no comando. Mas ela tem um gosto doce, como maçã e cobre, e seu corpo em seus braços está tremendo. Ela é tão pequena; seus braços estão ao redor dos dela, para dar firmeza a ela, e ele está perdido. Ele agora entende porque nos filmes, os beijos são filmados desse jeito, com a câmera rodando sem fim: o chão é instável abaixo de seus pés e ele agarra-se a ela, pequena como ela é, como se ela pudesse segurá-lo.

As palmas das suas mãos amaciam as costas dela. Ele pode senti-la respirando contra si; um suspiro entre os beijos. Os dedos finos dela estão no cabelo dele, em sua nuca, enrolando-o gentilmente, e ele se lembra da flor medianox e a primeira vez que ele viu e pensou: é uma coisa bonita demais para ser propriamente desse mundo.

Ele ouve o sopro do vento primeiro, devido ao seu treinamento. Ele se afasta de Clary e vê Hugo, empoleirado na curva de um cipreste anão próximo. Seus braços ainda estão em volta de Clary, a cintura dela levemente contra a dele. Os olhos dela estão meio fechados. “Não entre em pânico, mas nós temos plateia”, ele sussurra para ela. “Se Hugo está aqui, Hodge não está muito longe. Devemos ir”

Seus olhos verdes se abrem de vez, e ela parece divertida, o que dá uma pontada no ego dele. Depois daquele beijo, ela não deveria estar desmaiando aos pés dele? Mas ela está sorrindo. Quer saber se Hodge está espiando-os. Ele a tranquiliza, mas sente sua leve risada viajando através de suas mãos dadas – como isso aconteceu? – enquanto eles estão descendo.

E ele entende. Ele entende por que as pessoas dão as mãos: ele sempre pensara que era algo possessivo, dizendo "isso é meu". Mas tem a ver com manter contato. É falar sem palavras. Significa "eu quero você comigo" e "não vá".

Ele a quer em seu quarto. E não daquele jeito – nenhuma garota já esteve em seu quarto desse jeito. É o espaço particular dele, seu santuário. Mas ele quer Clary lá. Quer que ela o veja, como ele é de verdade, e não a imagem que ele projeta. Ele quer se deitar na cama com ela e que ela se aninhe com ele. Ele quer segurá-la enquanto ela respira suavemente durante a noite; vê-la como ninguém a vê: vulnerável e adormecida. Vê-la e ser visto.

Então quando eles chegam até a porta, e ela agradece pelo piquenique de aniversário, ele ainda não solta sua mão. “Você vai dormir?”

Ela levanta a cabeça e ele pode ver em sua boca pequenos vestígios de seus beijos: uma onda de rosa, como os cravos na estufa, e isso dá um nó em seu estômago. Pelo Anjo, ele pensa, eu estou tão…

“Você não está cansado?”, pergunta ela, interrompendo seus pensamentos.

Há um buraco em seu estômago, um nervosismo beirando-o. Ele quer puxá-la de volta para si, derramar sobre ela tudo o que ele está sentido: sua admiração, seu recém-adquirido conhecimento, sua devoção, sua necessidade. “Nunca estive tão acordado.”

Ela levanta o queixo, um movimento inconsciente, e ele se inclina para baixo, colocando sua mão livre sobre o rosto dela. Ele não quer beijá-la aqui – público demais, muito fácil de ser interrompido – mas ele não consegue parar de tocar suavemente sua boca na dela. Os lábios dela se abrem embaixo dos dele, e ele se inclina em direção a ela e não consegue parar. Eu estou tão –

Foi exatamente nesse momento que Simon abriu a porta do quarto e pisou no corredor. E Clary se afasta dele rapidamente, virando sua cabeça de lado, e com isso ele sente a aguda dor de um adesivo sendo tirado de sua pele.

Eu estou tão ferrado.

Isto Não é Para Humanos

fontes: Idris BR; Cassandra Clare no Tumblr
Uma pequena história que Cassandra Clare e Holly Black escreveram para o projeto de John Green para Awesome alguns anos atrás. É um cruzamento entre a série Modern Faerie Tale de Holly Black e as Crônicas dos Caçadores de Sombras. Kaye, Roiben, Corny e Luis são todos dos livros de Holly. Isso é definido antes do começo da Cidade dos Ossos e conta a história de Jace mencionada anteriormente sobre comer comida de fada e correr nu pela Quinta Avenida/Madison com chifres na cabeça.
Lançado com Filho do Amanhecer em 2018.

Kaye realmente não estava esperando Caçadores de Sombras irem ao ‘Moon in a Cup’, especialmente na inauguração.

Ela nem sequer tinha certeza do que os Caçadores de Sombras faziam. Eles pareciam acreditar que o mundo era ameaçado por demônios, usavam muitas armas, tatuavam um ao outro, e não confiavam em ninguém que não era um deles. Kaye certa vez apontou que ela nunca tinha visto um demônio e, sério, ela já tinha visto muitas coisas estranhas. O Caçador de Sombras com o qual tinha conversado alegou que ela não ter visto nenhum demônio só provava que os Caçadores de Sombras estavam fazendo seu trabalho. Ela parou de discutir depois disso. Você não pode provar uma negativa, disse Corny.

Isso a incomodou, entretanto, porque eles não apenas acreditavam em demônios, mas eles pensavam que fadas como ela eram parte demônio também. Isso fazia todo o porte de armas e estranheza um pouco mais nervoso do que teria sido de outro jeito. Mas Luis gostou deles e, além disso, Kaye precisava de clientes. Ela apenas esperava que eles não comessem os scones.

Lua no Cálice era o sonho dela e agora que estava quase acontecendo, ela estava incrivelmente nervosa. Ela amava o cheiro de expresso no ar, as nuvens de vapor e o som do leite espumando. Ela amava todas as coisas que ela e seus amigos tinham pego de vendas de brechó e do meio da estrada. Pequenas mesas de madeira surradas que ela e Valerie e Ruth tinham decorado com cartões postais e partituras de musica e paginas de enciclopédia.

Cadeiras pintadas de dourado. Arte forasteira e estranhas galhadas e algumas paisagens com serpentes do mar pintadas no topo delas. Copos incompatíveis que variavam de porcelana chinesa para tigelas lascadas com pinturas de patos nelas para canecas com slogans de empresas fechadas há muito tempo. Todas pareciam um tesouro para ela, mas porque ela nunca teve nada antes ou foi responsável. Ela estava preocupada se ela poderia dar conta disso — se ela ainda gostaria uma vez que fosse real — por meses.

E agora finalmente, finalmente, finalmente o lugar estava aberto.

Ravus e Luis tinham pintado um grande cartaz anunciando a GRANDE ABERTURA, que ficava acima da registradora. Lá, em vasilhas pouco organizadas, estavam os ingredientes para fazer muitas coisas, tanto mortais como nem tanto. Em adição para vários cafés, incluindo o terrível Red Eye, e o Dirty Chai, eles estavam servindo chá de ervas feitos de urtiga, leite de cardo e dente de leão, rosa mosqueta e agramônio, cardo-marítimo e tussilago. Então, um dos cavaleiros Unseelie, Dulcamara, mandou Kaye uma grande cesta de doces – scones, muns, todas as tortas – todas feitas com frutos das fadas, nenhuma que Kaye imaginaria um cavaleiro fazendo ele mesmo. Corny colocou elas fora, mas marcou como “NÃO PARA HUMANOS”, o que Kaye pensou que poderia confundir as pessoas que viriam na rua. Ainda assim, ela estava tão ocupada com outras coisas do que para prometer a ela mesma que ficaria de olho neles.

O lugar já estava cheio quando os Shadowhunters chegaram. Tinha muitos membros do povo das fadas que Kaye não conhecia. Dezenas da corte de Roiben, olhando com curiosidade para a decoração. Corny estava ajudando Kaye por trás do bar, misturando um pote de chá de algas marinhas para uma kelpie que piscou para ele. Corny não piscou de volta, provavelmente porque Luis estava olhando ele com uma expressão de prazer pelo outro lado da sala, perto de Val, seu cabelo vermelho crescendo com curvas, Ravus, e a melhor amiga de Val, Ruth, com a sua nova namorada que teve o cabelo pintado da mesma cor que um mirtilo.

Luis parou de olhar para seu namorado, no entanto, e olhou para a porta quando os Shadowhunters entraram. Eles tem tendência a atrair atenção, mesmo que ás vezes eles usem glamour como se não quisessem realmente isso. Mesmo assim, é difícil ignorar um grupo alto de pessoas fortemente armadas, que tem as maçãs do rosto tão afiadas quando suas armas.

Era um grupo de três deles: dois garotos e uma garota. O garoto mais alto tinha cabelos pretos e olhos azuis e vestia uma aljava de arcos sobre o ombro dele. As mãos estavam nos bolsos e ele estava parecendo como se não quisesse realmente estar ali. O garoto próximo a ele era loiro, com um loiro bem claro, o cabelo da mesma cor que as cadeiras pintadas de ouro tinham. Ele estava vestindo uma longa jaqueta de couro então qualquer arma que ele tivesse com ele, provavelmente estava oculta, mesmo que Kaye tivesse certeza que estavam lá. A garota tinha o mesmo cabelo escuro e comprido do mais alto — irmãos, Kaye imaginava — mesmo que seus olhos fossem escuros. Ela estava usando um top rendado e uma saia de veludo, e uma pulseira de couro muito rara que se dobrava para cima em seu braço.

“Meliorn!” a garota falou quando entrou, e correu pela sala para se jogar nos braços do cavaleiro fada em uma armadura branca. Kaye reconheceu ele como um dos cavaleiros da Corte Seelie, um tipo fechado e calado. Ele devolveu o abraço da garota Shadowhunter. “Isabelle,” ele disse. “Você é tão adorável quanto um salgueiro.”

Kaye sorriu para ela mesma. Ah, os elogios das fadas. Algumas arvores amarelas eram adoráveis e outras não eram, então o elogio não valia muito. A garota Shadowhunter, Isabelle, pareceu ronronar com as palavras dele, segurando ele pelas orelhas ligeiramente pontudas – talvez apenas uma meio-fada? – ela beijou ele calorosamente. Bom, aquilo era novidade. Shadowhunters namorando fadas?

Os dois garotos vieram para o bar, olhando em volta como se tivessem certeza de que seria uma honra para qualquer um servir eles. Kaye não estava tão convencida. “O que é um Red Eye?”, o loiro perguntou.

“É um shot de expresso num copo de café,” Kaye explicou. “Não é para amadores.” O garoto loiro sorriu ironicamente. Ele tinha aquele tipo de sorriso que só pessoas bonitas que sabem que são bonitas tem. Era um pouco mais intimidante. “Eu acho que você vai descobrir que não sou um amador em nada.”

“Isso significa que você quer um, ou não?” Kaye sempre se sentiu estranha em torno de rapazes que nem ele, com certeza de que estavam rindo dela.

“Eu acho que significa que se você vier de trás desse balcão e passar alguns minutos em um lugar privado comigo, você não vai ficar desapontada.” Kaye encarou ele, a boca aberta. Ele estava mesmo sugerindo que eles fossem transar? Naquele momento mesmo, no meio do turno dela? Ou talvez ele quisesse dizer outra coisa. Ela olhou ele novamente. Não, provavelmente não. “Jace,” assobiou o rapaz parado próximo a ele. “Apenas peça uma porcaria de cookie ou outra coisa.”

“Eu gosto de cookies,” disse Jace com um sorriso particularmente charmoso, “mas o que eu realmente prefiro são moças lindas com pele verde.”

“Segura sua onda, Capitão Kirk,” disse Corny. “Ela tem um namorado.”

“Um sério?” Jace perguntou — ele ainda estava sorrindo daquele jeito charmoso que deixava difícil se irritar.

“Ele tem uma espada seriamente grande,” Corny disse. “E ele vai estar aqui em um minuto.” A mão de Jace foi para sua cintura. “Bem, se é de espadas seriamente grandes de que estamos discutindo -”

O menino de cabelos escuros pôs a cabeça para baixo na bancada. “Pare com esse flerte sem sentido”, disse ele. “Ou eu vou bater minha cabeça nessa bancada.”

“Eu gostaria que você não fizesse isso”, disse Kaye. “acabamos de instalá-la.”

“Calma, Alec.” Jace deu de ombros, de um jeito tentando não ofender e direcionando seu sorriso para Corny. “Nesse caso, eu acho que nós vamos ter que nos contentar com dois Red Eyes e um bolinho.”

“Os bolinhos não são para seres humanos”, protestou Kaye. “Nós não somos seres humanos”, disse Jace. Kaye estava prestes a protestar de novo, quando Corny deslizou uma travessa com um bolinho nela pela bancada com um floreio.

Ela queria arrebatá-la de volta – Frutas das fadas não era bom para qualquer um – mas seria mau para o negócio serem vistos jogando alimentos para longe dos clientes, especialmente quando eles estavam atualmente no processo de pagar por eles. Além disso, ela pensou, tentando convencer a si mesma, as pessoas gostaram de frutas das fadas. Eles os deixavam um pocuo loucos, com certeza, e houve aquela vez que Corny tinha recitado todas as letras para Synchronicity ao comer elas e aquela outra vez em que ele talvez tivesse sido envolvido em uma orgia, mas, no geral, Jace iria provavelmente ficar bem. Caçadores de Sombras supostamente eram para serem diferentes. Talvez eles tivessem algum controle sobre si mesmos que seres humanos comuns não tenham. O rumor sobre eles era de que eles eram parte anjo, e Kaye não poderia imaginar anjos correndo recitando todas as letras para Synchronicity ou entrando em situações que envolvessem orgias. Então, novamente, ela não podia imaginar anjos dando em cima dela também. “Aproveite”, disse ela, desistindo e colocando suas bebidas no balcão. Alec pegou o troco que ela entregou lhe entregou e o despejou em um pote ao lado. Ela se sentiu mal por ele. Era óbvio que ele tinha uma quedinha pelo Jace, e igualmente óbvio que ele estava tendo um dia muito ruim.

Ela viu quando eles fizeram o seu caminho pela loja e se sentaram em um sofá em frente a Isabelle e Meliorn, que estavam ocupados esfregando seus narizes e fazendo caras bonitinhas para o outro. Jace e Alec reviraram os olhos.

Outro menino entrou, cambaleando um pouco. Seu cabelo preto bem preso, espesso, com glitter, e ele parecia estar muito, muito bêbado. Ele tinha uma pilha de papéis com ele e foi entregá-los aos clientes. Toda vez que alguém pegava um, havia uma pequena explosão de faiscas e glitter. Finalmente, ele se esparramou em uma poltrona perto de Isabelle, e se inclinou para ela. Ela se separou de Meliorn, franzindo a testa para ele – ele parecia estar dizendo algo sobre o aniversário do seu gato enquanto ele balançava outro pedaço de papel para ela. Ou talvez ele estivesse falando sobre seu próprio aniversário, uma vez que seus olhos pareciam muito com os olhos fixos e reativos de um gato. Kaye se perguntou o que ele era. Não era uma fada, e nem um Caçador de Sombras também.

” Magnus, O Magnífico?”, Disse Isabelle, em dúvida, depois deu de ombros. “Mas, hey, obrigado pelo convite.” Ela pegou o papel, dobrou-a e meteu-a na frente de sua camisa antes de voltar a beijar Meliorn.

Por alguns minutos, Kaye foi absorvida em fazer outro pote de chá de algas marinhas, passando três copos de café expresso para um trio de duendes e fazendo um Chai sujo para um ser humano em um terno de negócios que parecia um pouco nervoso, como se apesar de não ser capaz para ver através do glamour em torno dele, ele era capaz de discernir que algo sobre os outros clientes estava um pouco fora no normal. Ele foi-se embora assim que ela lhe entregou a bebida, abrindo caminho para ela para ver através da sala –

Para onde Jace estava tirando suas roupas. A travessa com o bolinho na mesa de café na frente a ele estava vazia, e ele tinha uma expressão sonhadora no rosto – a expressão sonhadora de um ser humano que tinha comido frutas das fadas. Ele já havia tirado o casaco comprido, e estava começando a desabotoar os botões de sua camisa. “Jace,” Alec assobiou. “Jace, o que você está fazendo?”

“Está quente aqui,” Disse Jace, com uma voz arrastada.

Duas facas atingiram o chão.

Ao redor do aposento, várias fadas começaram a dar risadinhas. Jace tirou suas botas e meias. “Corny,” Kaye disse. “Faça alguma coisa. Isso é inteiramente sua culpa, sabe disso. Você deu a eles esses bolinhos.”

Corny estava assistindo Jace se despir com suas sobrancelhas erguidas e uma expressão de apreciação em seu rosto. “Eu acho que sou alguma espécie de gênio. Você não poderia me pagar para parar isso.”

Jace havia tirado sua camisa. Kaye olhou de relance e teve que admitir que Corny tinha razão. Você raramente via um corpo como esse fora das revistas. Algumas pessoas tinham seis gominhos; Jace aparentava possuir doze. Não parecia humanamente possível. “Pode ser bom para os negócios,” ela meditou e pegou um shot de expresso. Ela pensou que iria precisar. “Talvez podemos fazer ele repetir isso todos os dias?” Corny disse, enquanto Jace desabotoava sua calça jeans. Alec tentou pará-lo, mas Jace se moveu para fora do caminho e jogou o jeans fora com destreza.

“Não tente me parar, Alec,” disse Jace. “Esse corpo tem que ser livre.” Isabelle olhou para cima beijando Meliorn e seus olhos arregalaram. “Puta merda,” ela disse. “Jace –“ Ela começou a se levantar, mas Jace já havia caminhado até a porta. Ele pausou ali e se inclinou – sob aplausos não consideráveis -, arrancou o par de chifres da parede, e colocou-os suavemente em sua cabeça.

Então ele correu para fora da porta, ao mesmo tempo que Roiben entrou. Roiben, em sua longa capa preta, levantou ambas suas sobrancelhas prateadas e ficou olhando para Jace, um pequeno sorriso brincando no canto dos lábios. Ele parecia prestes a perguntar algo a Meliorn e então pareceu pensar melhor. Então, de repente, ele começou a rir.

“Oh, pelo Anjo,” Alec disse tristemente. “Outro lugar que nunca mais poderemos ir novamente. Você pensaria, em uma cidade grande como Nova York… ”

Kaye notou que o alcoolizado Magnus, o magnifico estava observando Alec com um brilho em seus olhos felinos. Era realmente muito ruim, Alec parecia muito perdido em sua melancolia para notar.

“Nós deveríamos ter pendurado uma placa naquele cara”, disse Corny. “Imagine a publicidade.” E logo em seguida, Kaye percebeu duas coisas. Uma delas foi que os Caçadores de Sombras podem ser bons em matar coisas, mas suas vidas amorosas eram uma bagunça. E a outra era que ela estava começando a amar possuir uma loja de café.

Acordado

fonte: Cassandra Clare no Tumblr
A cena onde Jace e Clary se encontram pela primeira vez no clube Pandemônio, escrita no ponto de vista de Jace, lançada na edição especial em capa dura americana repaginada de Cidade dos Ossos da Barnes and Noble.
"Era como se sempre estivesse dormindo no que se referia a outras pessoas. E depois a conhecemos, e foi como se ele tivesse acordado."
 Isabelle para Clary, Cidade de Vidro

Um snippet:

Jace olhou para Alec e Isabelle. Matar um demônio na frente de um mundano, a menos que houvesse uma ameaça imediata, era algo não muito aceitável. Mundanos não deveriam saber sobre demônios. Em uma das primeiras vezes em sua vida, Jace se viu perdido. Eles não podiam deixar a garota com o Eidolon; isso a mataria. Se eles deixassem o Eidolon em paz, ele escaparia e mataria outra pessoa. Se eles ficassem e matassem, eles seriam expostos.

"Derruba ela," Alec murmurou, sob sua respiração. "Apenas... bata na cabeça dela com alguma coisa."

“Apenas vá,” Jace disse para a garota. "Saia daqui, se você sabe o que é bom para você."

Mas ela só plantou seus pés com mais força. Ele podia ver o olhar em seus olhos, como pontos de exclamação: Não! Não!

"Eu não vou a lugar nenhum," ela disse. "Se eu fizer isso, você vai matá-lo."

Jace teve que admitir que isso era verdade. "Por quê você se importa?" Ele apontou para o demônio com sua faca. "Isso não é uma pessoa, garotinha. Pode parecer uma pessoa e falar como uma pessoa e sangrar como uma pessoa. Mas é um monstro."

"Jace!" Os olhos de Isabelle brilharam. Eles estavam sem profundidade, negros, zangados. Isabelle nunca ficava tão irritada do que quando Jace se arriscava a se meter em problemas ou perigo. E ele estava arriscando ambos agora. Quebrando a Lei – falando sobre os negócios dos Caçadores de Sombras com os mundanos – e o que era pior, ele estava gostando disso. Algo sobre essa garota, sua tempestade de cabelos ruivos e seus olhos verdes estalando, fez com que se sentisse como se suas veias estivessem cheias de pólvora e ela estivesse em harmonia.

Como se, se ela o tocasse, ele se queimaria. Mas então, ele amava explosões.

Cidade das Cinzas

Beijado

fontes: Site de Cassandra Clare; Idris BR
A história do primeiro beijo de Malec e como Alec convidou Magnus para sair.
Estava impresso em um papel fino, como um pergaminho, em uma letra fina, elegante e cursiva. Anunciava um encontro na modesta casa de Magnus, o Magnífico Feiticeiro, e prometia aos convidados “uma noite arrebatadora de prazeres além de seus pensamentos mais selvagens”.
Cidade dos Ossos

Parado na escadaria da casa de Magnus, Alec olhou para o nome escrito abaixo da campainha na parede. BANE. O nome não parecia se adequar a Magnus, ele pensou, não agora que ele o conhecia. Isso se você pudesse dizer que conhecia alguém quando foi uma vez a uma de suas festas, e então sua vida foi salva depois, mas ele não ficou por perto para ser agradecido. Mas o nome Magnus Bane o fazia pensar em uma pessoa alta, com ombros enormes e um traje roxo de feiticeiro, conjurando fogo e luz. Não o próprio Magnus, que parecia mais uma junção de pantera com um elfo louco.

Alec respirou fundo, e deixou o ar sair. Bem, já que ele já fora tão longe… Ele deveria seguir em frente. A lâmpada desprotegida pendurada acima lançava longas sombras conforme ele se aproximava para pressionar a campainha.

Um momento depois uma voz ecoou através da parede. – QUEM CONVOCA O ALTO FEITICEIRO?

– Er… – Alec disse – Sou eu. Quero dizer, Alec Lightwood.

Houve uma espécie de silêncio, como se até o pátio de entrada estivesse surpreso. E então um silvo, e a segunda porta se abriu, o deixando ficar para fora na escadaria. Ele subiu pelas escadas que rangiam, para dentro da escuridão, que cheirava como pizza e poeira. O patamar do segundo andar estava iluminado, a porta mais distante estava aberta. Magnus Bane estava encostado na entrada.

Comparado com a primeira vez que Alec o viu, ele parecia bastante comum. Seu cabelo preto estava arrepiado, e ele parecia estar sonolento; sua face, mesmo com seus olhos de gato, era bastante jovem. Ele usava uma camiseta preta com as palavras “UM MILHÃO DE DÓLARES” e moedas de ouro pelo peito, e jeans que ficavam abaixo do quadril, baixo o suficiente para que Alec desviasse o olhar, olhando para seus sapatos. O que era entediante.

– Alexander Lightwood – disse Magnus. Ele tinha um leve traço de um sotaque, algo que Alec não podia definir, que deixava suas vogais com um tom de música – A que devo a honra?

Alec olhou para trás de Magnus. – Você tem… companhia?

Magnus cruzou os braços, o que realçou seus bíceps, e se encostou no batente da porta. – Por que você quer saber?

– Eu esperava que eu pudesse entrar e conversar com você.

– Hmmm… – Os olhos de Magnus o analisaram de cima a baixo. Eles realmente brilhavam no escuro, como olhos de um gato – Bem, então está bem. – Ele virou abruptamente e desapareceu no apartamento; depois de um momento de espanto, Alec o seguiu.

O loft parecia diferente sem as centenas de corpos agitados. Era – bem, não comum, mas o tipo de espaço que alguém poderia viver. Como a maioria dos lofts, tinha um cômodo grande central, separado em “cômodos” pelo agrupamento dos móveis. Havia um grupo de sofás e mesas à direita, os quais Magnus apontou para Alec. Alec se sentou no sofá de veludo dourado, com elegantes arabescos de madeira nos braços.

– Você gostaria de chá? – Magnus Perguntou. Ele estava sentado em uma cadeira, mas se esticou em um pufe, suas longas pernas em frente ao seu corpo.

Alec acenou com a cabeça. Ele se sentia incapaz de dizer algo. Algo interessante ou inteligente, na verdade. Era o Jace que dizia coisas interessantes e inteligentes. Ele era parabatai do Jace e essa era toda a glória que ele precisava ou queria: como ser uma estrela negra para a supernova de alguém. Mas esse era um lugar que Jace não poderia ir com ele, algo com que Jace não poderia ajudá-lo. – Claro.

Sua mão ficou quente de repente. Ele olhou para baixo e percebeu que estava segurando um copo de papel do Joe, Arte do Café. Tinha cheiro de chai. Ele pulou, e mal escapou de derramar o conteúdo nele mesmo. – Pelo Anjo…

– Eu AMO essa expressão – disse Magnus – É tão exótica.

Alec olhou para ele. – Você roubou esse chá?

Magnus ignorou a pergunta. – Então – ele disse – Por que você está aqui?

Alec deu um gole no chá roubado. – Eu queria te agradecer – ele disse, quando o ar veio para seus pulmões – Por ter salvo minha vida.

Magnus se inclinou para trás com a cabeça nas mãos. Sua camiseta subiu e mostrou sua barriga lisa, e nesse momento Alec não tinha nenhum outro lugar para olhar. – Você queria me agradecer.

– Você salvou minha vida – Alec disse, novamente – Mas eu estava delirando, e eu não acho que eu te agradeci de verdade. Eu sei que você não tinha que fazer isso. Então, obrigado.

As sobrancelhas de Magnus desapareceram na linha de seu cabelo. – Você está… agradecido?

Alec posou seu chá na mesa. – Talvez eu deva ir embora.

Magnus se endireitou. – Após ter vindo tão longe? Lá do Brooklyn? Apenas para me agradecer? – Ele estava sorrindo – Esse seria um esforço perdido. – Ele se aproximou e colocou sua mão na bochecha de Alec, seu dedão acariciando o maxilar. Seu toque tinha a sensação de fogo. Alec congelou em surpresa – surpresa pelo gesto, e surpresa pelo efeito que estava tendo sobre ele. Os olhos de Magnus se estreitaram, e ele abaixou sua mão. – Huh… – Ele disse.

– O que? – Alec estava de repente preocupado que tinha feito algo errado – O que foi?

– Você é só… – Uma sombra se moveu atrás de Magnus, com uma agilidade fluida, o feiticeiro girou o corpo e pegou do chão um pequeno gato malhado de cinza e branco. O gato se enrolou na dobra de seu braço e olhou para o Alec com um olhar desconfiado. Agora dois pares de olhos verdes dourados estavam postos sobre ele sombriamente – Não era o que estava esperando.

– De um Caçador de Sombras?

– De um Lightwood.

– Eu não sabia que você conhecia minha família tão bem.

– Eu conheço sua família por centenas de anos – Os olhos de Magnus examinaram seu rosto – Agora, sua irmã, ela é uma Lightwood. Você…

– Ela disse que você gostava de mim.

– O quê?

– Izzy. Minha irmã. Ela disse que gostou de mim. Gostou de mim, gostou de mim.

– Gostei de você, gostei de você? – Magnus escondeu seu sorriso nos pelos do gato – Me desculpe. Nós temos doze anos agora? Eu não me lembro de ter dito algo para a Isabelle…

– Jace disse isso também – Alec estava atenuado; era a única maneira que ele sabia ser – Que você gosta de mim. Que quando ele subiu aqui, você pensou que ele era eu, e que você estava desapontando que era ele. Isso nunca acontece.

– Nunca? Bem, deveria.

Alec estava surpreso. – Não… quer dizer… Jace, ele é… o Jace!

– Ele é problema – disse Magnus – Mas você não tem malícia alguma. O que, em um Lightwood, é um enigma. Vocês sempre foram um tipo de família que sempre aparece, como Borgias de baixa renda. Mas não há mentira em seu rosto. Eu sinto que tudo o que você diz é direto.

Alec olhou para a frente. – Você quer sair comigo?

Magnus piscou. – Está vendo, é isso o que eu disse. Direto.

Alec mordeu seu lábio e não disse nada.

– Por que você quer sair comigo? – Magnus perguntou. Ele estava acariciando a cabeça do Presidente Miau, seus longos dedos dobrando para baixo as orelhas do gato – Não que eu não seja altamente desejável, mas a forma que você perguntou, parece que você estava tendo uma espécie de…

– Eu apenas quero – Alec disse – E eu pensei que você gostasse de mim, então você diria sim, e eu poderia tentar… Quer dizer, nós poderíamos tentar… – Ele colocou o rosto em suas mãos. – Talvez isso tenha sido um erro.

A voz de Magnus era gentil. – Alguém sabe que você é gay?

Alec levantou a cabeça; aparentemente ele estava respirando bastante depressa, como se ele tivesse participado de uma corrida. Mas o que ele poderia fazer? Negar? Quando ele viera aqui para fazer exatamente o oposto? – Clary – ele disse, roucamente – O que foi… Foi um acidente. E a Izzy, mas ela nunca dissera nada.

– Seus pais não? Jace?

Alec pensou no Jace sabendo, e distanciou o pensamento, rapidamente. – Não. Não, eu não quero que eles saibam. Especialmente o Jace.

– Acho que você poderia contar para ele – Magnus acariciou o Presidente Miau abaixo do queixo – Era como se ele estivesse tentando procurar as peças de um quebra-cabeças quando ele achou que você iria morrer. Ele se importa…

– Eu prefiro que não. – Alec ainda estava respirando rapidamente. Ele começou a esfregar o punho em seu jeans – Eu nunca estive em um encontro – ele disse com uma voz baixa – Nunca beijei ninguém. Nunca. Izzy disse que você gostava de mim, e eu pensei…

– Eu não sou insensível. Mas você GOSTA de mim? Por que essa coisa de ser gay não significa que você tem que se jogar pra cima de qualquer garoto, que estará tudo bem porque ele não é uma garota. Ainda há pessoas que você gosta, e pessoas que você não gosta.

Alec pensou em sua cama no Instituto, de estar delirando e em dor, e sob o efeito do veneno, quando Magnus chegou. Ele mal o reconhecera. Ele estava quase certo que ele estivera gritando por seus pais, por Jace, por Izzy, mas sua voz só saía em um sussurro. Ele se lembrou das mãos de Magnus sobre ele, seus dedos gelados e gentis. Ele se lembrou de ter segurado com força o pulso de Magnus, por horas e horas, até mesmo após a dor ter passado, e ele saber que ficaria tudo bem. Ele se lembrou de ter visto o rosto de Magnus sob a luz do sol nascente, o dourado dos raios de sol produzindo faíscas douradas em seus olhos, e lembrou de ter pensando o quão estranhamente bonito aquilo era, com a contemplação e beleza de seus olhos de gato.

– Sim – Alec disse – Eu gosto de você.

Seu olhar se encontrou ao de Magnus. O feiticeiro estava olhando para ele com uma espécie de mistura de curiosidade, afeição e perplexidade. – É tão estranho – Magnus disse – A genética. Seus olhos, essa cor – Ele parou e balançou a cabeça.

– Os Lightwoods que você conheceu não tinham olhos azuis?

– Monstros dos olhos verdes – disse Magnus, e sorriu. Ele colocou o Presidente Miau no chão, e o gato se moveu em direção ao Alec, e se esfregou em sua perna – O Presidente Miau gosta de você.

– Isso é bom?

– Eu nunca saí com alguém que meu gato não gostasse – Magnus disse com facilidade, e levantou – Então está combinando para Sexta à noite?

Uma grande onda de alívio passou por Alec. – Mesmo? Você quer se encontrar comigo?

Magnus balançou a cabeça. – Você tem que parar de se fazer de difícil, Alexander. Isso complica as coisas. – Ele sorriu. Ele tinha um sorriso como o de Jace. Não que eles se parecessem, mas era um tipo de sorriso que iluminava todo o seu rosto – Vamos, eu te levo para a porta.

Alec foi atrás de Magnus em direção à porta da frente, sentindo como se um peso tivesse sido tirado de seus ombros, um peso que ele nem sabia que estava carregando. Claro que ele teria que inventar uma desculpa para onde ele iria na sexta à noite. Algo que Jace não iria querer participar, algo que ele precisava fazer sozinho. Ou então ele poderia fingir que estava doente, e então fugir. Ele estava tão perdido em seus pensamentos que quase tropeçou na porta, onde o Magnus estava encostado, olhando para ele com seus olhos estreitos.

– O que foi? – Alec disse.

– Nunca beijou ninguém? – Magnus disse – Ninguém mesmo?

– Não – disse Alec, esperando que isso não o desqualificasse para ser namorável – Não um beijo de verdade…

– Venha aqui. – Magnus o pegou pelo ombro e o aproximou de si. Por um momento, Alec estava totalmente desorientado pelo sentimento de estar tão próximo de alguém, o tipo de pessoa que ele queria estar perto há muito tempo. Magnus era alto e esguio, mas não magro; seu corpo era firme, seus braços levemente musculosos porém fortes; ele era aproximadamente três centímetros mais alto que Alec, o que raramente acontecia, e eles se encaixavam perfeitamente. Os dedos de Magnus estavam em seu queixo, levantando seu rosto, e eles estavam se beijando. Alec ouviu uma pequena arfada vindo de sua própria garganta, e então suas bocas estavam pressionadas uma contra a outra, em uma espécie de urgência controlada. Magnus, Alec pensou, um pouco desorientado, realmente sabia o que estava fazendo. Seus lábios eram macios, e ele partia os de Alec com destreza, explorando sua boca: uma sinfonia de lábios, dentes, língua, cada movimento acordando uma ligação nervosa que Alec nunca soubera que tinha.

Ele encontrou a cintura de Magnus com seus dedos, tocando a faixa de pele nua que ele estava tentando evitar olhar antes, e deslizou suas mãos para cima, por baixo da camiseta de Magnus. Magnus ficou tenso por um momento pela surpresa, e então relaxou, suas mãos pelos braços de Alec, sobre seu peito, sua cintura, encontrando o passador de cinto do jeans de Alec e usando para trazer ele mais para perto. Sua boca deixou a de Alec, e Alec sentiu a pressão quente de seus lábios em seu próprio pescoço, onde a pele era tão sensível que parecia estar diretamente ligado aos ossos de suas pernas, que estavam prestes a ceder. Antes que ele caísse no chão, Magnus o soltou. Seus olhos brilhavam, assim como sua boca.

– Agora você foi beijado – ele disse, se virou e abriu a porta. – Te vejo na sexta?

Alec limpou a garganta. Ele se sentiu tonto, mas também se sentia vivo – sangue correndo em suas veias com um trânsito a toda velocidade, tudo parecendo de repente quase que com cores vivas demais. Conforme ele passou pela porta, ele se virou e olhou para Magnus, que o estava assistindo com admiração. Alec avançou e pegou a frente da camiseta de Magnus com as mãos e puxou o feiticeiro em sua direção. Magnus pisou em falso, e Alec o beijou, forte e rápido e desajeitadamente e sem prática alguma, mas com tudo o que ele tinha. Ele pressionou Magnus contra ele, sua própria mão entre eles, e sentiu o coração de Magnus batendo em seu peito.

Ele encerrou o beijo, e deu um passo para trás.

– Sexta-feira – ele disse, e deixou Magnus ir. Ele se virou, em direção à saída, Magnus olhando ele por trás. O feiticeiro cruzou os braços sobre sua camiseta – amassada onde Alec havia pegado – e balançou a cabeça, sorrindo.

– Lightwoods – Magnus disse – Eles sempre têm que ter a última palavra.

Ele fechou a porta atrás de si, e Alec desceu a escada, dois degraus por vez, seu sangue ainda cantando em seus ouvidos como música.

Corte Seelie

fonte: Cassandra Clare no Tumblr
"Curiosamente, Isso estava na versão original de Cidade das Cinzas. Foi cortada, na verdade, da versão final, uma vez que o meu editor não achou que eram informações necessárias.

"A Corte Seelie?" Interrompeu Clary, confusa. "O que é isso?"

Foi Magnus quem respondeu. "O mundo das fadas é dividido em uma série de cortes locais em conflito, geralmente uma Corte Seelie e uma Unseelie, ou um Corte Brilhante e uma Noturna. Em teoria, os membros da Corte Seelie são mais gentis, mas não tenho certeza de que isso seja substantivo. Diz o ditado que, embora seja melhor não ofender um membro da Corte Seelie, você nem precisa tentar ofender a Corte Unseelie. Eles começam de forma hostil."

Porque é Amargo

fontes: Idris BR; Site de Cassandra Clare
A cena acontece durante as páginas 170 a 174 de Cidade das Cinzas (em inglês), no capítulo A Corte Seelie, aqui do ponto de vista de Jace. Eu até dei um nome para ela – “Porque é Amargo”. Porque, cara, Jace está amargo aqui.

“Mas eu gosto
Porque é amargo,
E porque é meu coração.” – Stephen Crane

– Eu sei que não vou deixar a minha irmã aqui na sua corte – disse Jace, – e já que não há nada que se possa aprender sobre ela ou sobre mim, talvez você poderia nos fazer o favor de soltá-la.

A Rainha sorriu. Era um sorriso lindo e terrível. A Rainha era uma mulher adorável. Ela tinha aquela amabilidade inumana que as fadas tinham, que era mais como a amabilidade de um cristal duro do que a beleza de uma humana. A Rainha não aparentava ter uma idade em particular: ela poderia ter dezesseis ou quarenta e cinco anos. Jace supôs que haviam aqueles que a achavam atraente – pessoas tinham morrido pelo amor da Rainha – mas ela deu a ele um sentimento frio no peito, como se ele tivesse engolido água gelada muito depressa.

– E se eu lhe dissesse que ela poderia ser libertada com um beijo?

Foi Clary quem respondeu, espantada:

– Você quer que Jace a beije?

Quando a Rainha e a corte riram, a sensação gelada no peito de Jace se intensificou. Clary não entendia as fadas, ele pensou. Ele tinha tentado explicar, mas não tinha explicação, não de verdade. O que quer que fosse que a Rainha queria deles, não era um beijo dele. Ela poderia ter exigido isso sem todo aquele show e bobagens. O que ela queria era vê-los presos e lutando como borboletas. Era uma coisa que a imortalidade fazia com você, ele sempre pensava: retardava seus sentidos, suas emoções. As respostas afiadas, incontroláveis e lamentáveis dos seres humanos eram para fadas como sangue fresco para um vampiro. Uma coisa viva. Uma coisa que eles mesmos não tinham.

– Apesar do charme – a Rainha disse, lançando um olhar em direção a Jace. Seus olhos eram verdes, como os de Clary, mas nada como os de Clary – esse beijo não irá libertar a garota.

– Eu poderia beijar Meliorn – sugeriu Isabelle se encolhendo.

A Rainha balançou a cabeça devagar.

– Nem esse. Nem nenhum da minha corte.

Isabelle jogou as mãos para o alto; Jace queria perguntar a ela o que ela esperava – beijar Meliorn não a incomodaria, então obviamente a Rainha não ligaria. Ele supôs que tinha sido legal da parte dela oferecer, mas Iz, pelo menos, deveria saber melhor. Ela já tinha lidado com fadas antes.

Talvez não bastasse saber como o Povo das Fadas pensava, Jace imaginou. Talvez fosse saber como pessoas que gostavam da crueldade por causa da crueldade pensavam. Isabelle era imprudente e algumas vezes vaidosa, mas ela não era cruel. Ela jogou o cabelo negro para trás e fez uma careta.

– Eu não vou beijar nenhum de vocês – ela disse firmemente. – Só pra ficar oficial.

– Isso nem é necessário – disse Simon, indo para frente. – Se um beijo é tudo…

Ele deu um passo em direção a Clary, que não se moveu. O gelo no peito de Jace se tornou fogo líquido. Ele cerrou as mãos nos lados do corpo enquanto Simon pegou Clary gentilmente pelos braços e olhou para baixo, para o rosto dela. Ela colocou as mãos na cintura de Simon como se já tivesse feito isso milhões de vezes antes. Talvez ela tivesse, pelo que ele sabia. Ele sabia que Simon a amava. Ele soube desde que ele os viu juntos naquela cafeteria idiota, o outro praticamente engasgando para conseguir tirar as palavras “eu te amo” da boca enquanto Clary olhava pela sala inquietamente viva, seus olhos verdes percorrendo tudo. “Ela não está interessada em você, garoto mundano” ele pensou com satisfação. “Se manda”. E depois se surpreendeu por ter pensado isso. Que diferença fazia para ele o que essa garota que ele mal conhecia pensava?

Aquilo parecia ser seculos atrás. Ela não era mais uma garota que ele mal conhecia: ela era Clary. Ela era a única coisa na vida dele que importava mais que qualquer outra coisa e vendo Simon colocar as mãos nela, onde ele queria colocar, o fez se sentir enjoado e fraco e mortalmente com raiva. A vontade de ir até lá e separar os dois era tão forte que ele mal podia respirar.

Clary olhou para ele de relance, o cabelo vermelho escorregando pelo ombro. Ela parecia preocupada, o que já era ruim o suficiente. Ele não podia suportar o pensamento de que ela poderia estar com pena dele. Ele olhou para o outro lado rápido e pegou o olhar da Rainha Seelie, brilhando com prazer: agora, era disso que ela estava atrás. A dor, a agonia deles.

– Não – disse a Rainha para Simon em uma voz como o som macio do corte de uma faca. – Também não é isso que eu quero.

Simon se afastou de Clary, relutante. Alívio bateu pelas veias de Jace como sangue, abafando o que seus amigos estavam dizendo. Por um momento tudo que ele se importava era que ele não teria que assistir Clary beijando Simon. Então Clary pareceu entrar em foco: ela estava muito pálida e ele não podia evitar imaginar o que ela estava pensando. Ela estava desapontada por não ter sido beijada por Simon? Aliviada como ele? Ele pensou em Simon beijando a mão dela mais cedo naquele dia e empurrou a memória para longe ferozmente, ainda encarando a irmã. “Olhe para cima”, ele pensou. “Olhe para mim. Se você me ama vai olhar para mim.”

Ela cruzou os braços em volta do peito, como fazia quando estava com frio ou chateada. Mas ela não olhou para cima. A conversa continuou ao redor deles: quem ia beijar quem, o que iria acontecer. Uma raiva desesperada subiu pelo peito de Jace e, como sempre, ele encontrou sua escapatória em um comentário sarcástico.

– Bem, eu não vou beijar o mundano – ele disse. – Prefiro ficar aqui em baixo e apodrecer.

– Para sempre? – disse Simon. Seus olhos eram grandes e escuros e sérios. – Para sempre é um tempo terrivelmente longo.

Jace olhou de volta para aqueles olhos. Simon provavelmente era uma boa pessoa, ele pensou. Ele amava Clary e queria cuidar dela e fazê-la feliz. Ele provavelmente seria um namorado espetacular. Logicamente, Jace sabia, era exatamente o que ele deveria querer para sua irmã. Mas ele não conseguia olhar para Simon sem querer matar alguém.

– Eu sabia – disse ele sordidamente. – Você quer me beijar, não quer?

– É claro que não, mas se…

– Eu acho que é verdade o que dizem. Não há homens heterossexuais nas trincheiras.

– É ateus, idiota. – Simon estava vermelho vivo. – Não há ateus nas trincheiras.

Foi a Rainha quem os interrompeu, inclinando-se para frente de modo que seu pescoço branco e o peito ficaram exibidos acima do decote de seu vestido decotado.

– Por mais que isso tudo seja muito divertido, o beijo que irá libertar a menina é o beijo que ela mais deseja – disse ela. – Apenas isso e nada mais.

Simon foi de vermelho para branco. Se o beijo que Clary mais desejava não era o de Simon, então… o jeito que a rainha estava olhando para Jace, de Jace para Clary, respondeu aquilo.

O coração de Jace começou a bater forte. Ele encontrou os olhos da Rainha.

– Por quê está fazendo isso?

– Prefiro pensar que estou oferecendo uma bênção a você – disse ela. – O desejo nem sempre diminui com o desgosto. Nem pode ser outorgado, como um favor, aos mais merecedores. E como minhas palavras impõem a minha magia, você pode saber a verdade. Se ela não deseja seu beijo, não será libertada.

Jace sentiu sangue inundar seu rosto. Ele estava vagamente consciente de Simon argumentando que Jace e Clary eram irmãos, que não estava certo, mas ele o ignorou. A Rainha Seelie estava olhando para ele e os olhos dela eram como o mar antes de uma tempestade mortífera. E ele queria dizer “obrigado”. Obrigado.

E aquilo era a coisa mais perigosa de todas, ele pensou, enquanto ao redor dele seus companheiros discutiam se Clary e Jace tinham que fazer isso, ou o que qualquer um deles estaria dispostos a fazer para escaparem da Corte. Permitir que a Rainha lhe desse algo que você queria – muito, de verdade – era se colocar no poder dela. Como ela tinha olhado para ele e sabido, ele se perguntou? Que isso era o que ele pensava, queria, acordava de sonhos sobre, arfando e suando? Que quando ele pensou, realmente pensou, sobre o fato de que poderia nunca mais beijar Clary novamente, queria morrer ou machucar ou sangrar tanto que ia para o sótão e treinava sozinho por horas até que estava tão exausto que não tinha escolha além de desmaiar, exausto. Ele tinha hematomas de manhã, hematomas e cortes e pele ralada e se pudesse nomear todos esses ferimentos eles teriam o mesmo nome: Clary, Clary, Clary.

Simon ainda estava falando, dizendo alguma coisa, com raiva de novo.

– Você não tem que fazer isso, Clary, é um truque…

– Não é um truque – disse Jace. A calma em sua própria voz o surpreendeu. – É um teste.

Ele olhou para Clary. Ela estava mordendo o lábio, a mão enrolando um cacho do cabelo. Os gestos tão característicos, tão parte dela, despedaçaram o coração dele. Simon estava discutindo com Isabelle agora enquanto a Rainha Seelie recostava e os assistia como um gato elegante e entretido.

Isabelle soou exasperada:

– Quem se importa, de qualquer forma? É só um beijo.

– É verdade – disse Jace.

Clary olhou para cima então, finalmente, e seus olhos verdes descansaram nele. Ele se moveu em direção a ela e, como sempre, o resto do mundo caiu até que eram só eles, como se eles estivessem em em um palco iluminado por um holofote em um auditório vazio. Ele colocou a mão no ombro dela, virando-a para encará-lo. Ela tinha parado de morder o lábio e as bochechas estavam coradas, os olhos de um verde brilhante. Ele conseguia sentir a tensão no próprio corpo, o esforço para se segurar, para não puxá-la contra ele e aproveitar essa única chance por mais perigosa e estúpida e imprudente que fosse, e beijá-la do jeito que ele pensou que nunca na vida poderia beijá-la novamente.

– É só um beijo – disse ele e ouviu a dureza na própria voz, e imaginou se ela tinha ouvido também.

Não que importasse – não tinha jeito de esconder. Era demais. Ele nunca tinha querido assim antes. Sempre houveram garotas. Ele já tinha se perguntado, na calada da noite, encarando as paredes vazias do quarto dele, o que fazia Clary tão diferente. Ela era bonita, mas outras garotas eram bonitas. Ela era inteligente, mas havia outras garotas inteligentes. Ela o entendia, ria quando ele ria, viu através das defesas que ele pôs para cobrir o que estava por baixo. Não havia Jace Wayland mais real do que aquele que ele via nos olhos dela quando ela olhava para ele.

Mas ainda assim, talvez, ele poderia achar tudo aquilo em outro lugar. Pessoas se apaixonavam e perdiam e continuavam suas vidas. Ele não sabia por que não conseguia. Ele não sabia por que e nem queria saber. Tudo que sabia era que qualquer coisa que tivesse que dever ao Inferno ou ao Céu por essa chance, ele ia fazer com que valesse a pena.

Ele procurou e pegou as mãos dela, entrelaçando seus dedos, e sussurrou no ouvido dela.

– Você pode fechar os olhos e pensar na Inglaterra, se quiser – ele disse.

Os olhos dela se fecharam tremulando, os cílios acobreados se alinhando contra a pele pálida e frágil:

– Mas eu nunca fui para a Inglaterra – ela disse e a suavidade, a ansiedade na voz dela quase o desfez.

Ele nunca tinha beijado uma garota sem saber se ela queria, geralmente mais do que ele, e esta era Clary e ele não sabia o que ela queria. Ele deslizou as mãos pelas mangas da blusa molhada e colada dela, até os ombros. Os olhos dela ainda estavam fechados mas ela estremeceu e se inclinou para ele – quase nada, mas foi permissão suficiente.

Sua boca desceu sobre a dela. E foi isso. Todo o autocontrole que ele exercia sobre as últimas semanas se foram, como água caindo por uma represa quebrada. Os braços dela subiram ao redor do pescoço dele, e ele a puxou contra si. Ela era suave e flexível, mas surpreendentemente forte, como ninguém que ele já havia segurado. Suas mãos se achataram contra as costas dela, pressionando-a contra ele, e ela estava nas pontas dos pés, beijando-o tão ferozmente quanto ele a beijava. Ele moveu sua língua alo longo dos lábios dela, abrindo a boca dela contra a dele, e ela tinha gosto salgado e doce como água de fada. Ele a apertou com mais força, embaraçando suas mãos no cabelo dela, tentando dizer com a pressão da sua boca na dela todas das coisas que ele nunca poderia dizer em voz alta: Eu te amo. Eu te amo e não me importo que você seja minha irmã. Não fique com ele, não queira ele, não vá com ele. Esteja comigo. Me queira. Fique comigo. Eu não sei como ficar sem você.

Suas mãos deslizaram até a cintura dela, puxando-a contra ele, perdido em sensações que espiralavam através dos nervos e sangue e ossos, e ele não tinha ideia do que teria feito ou dito em seguida, se teria sido algo que ele nunca poderia fingir ou retirar, mas ele ouviu uma risadinha – A Rainha das Fadas – e aquilo o sacudiu de volta para a realidade. Ele se afastou de Clary antes que fosse tarde demais, destravando as mãos dela de seu pescoço e dando um passo para trás. Foi como cortar fora a própria pele, mas ele o fez.

Clary o encarava. Seus lábios estavam separados, suas mãos ainda abertas. Os olhos dela estavam arregalados. Atrás dela, Isabelle os olhava boquiaberta. Simon parecia que estava prestes a vomitar.

“Ela é minha irmã” pensou Jace. “Minha irmã”. Mas as palavras não significavam nada. Elas poderiam muito bem estar em outra língua. Se poderia ter havido qualquer esperança de que ele poderia vir a pensar em Clary somente como sua irmã, isso – o que tinha acabado de acontecer entre eles – tinha explodido tudo em mil pedaços, como um meteorito colidindo com a superfície da Terra. Ele tentou ler o rosto de Clary – ela tinha sentido o mesmo? Ela aparentava que não queria nada mais além de se virar e sair correndo.

– Eu sei que você sentiu – ele disse para ela com os olhos, e foi metade um triunfo amargo, metade súplica. – Eu sei que você sentiu também.

Mas não havia resposta no rosto dela. Ela enrolou os braços em volta de si mesma, do jeito que sempre fazia quando estava chateada, e se abraçou, como se estivesse com frio. Ela desviou o olhar para longe dele.

Jace sentiu como se seu coração estivesse sendo apertado por um punho. Ele girou para a Rainha:

– Foi bom o suficiente? – perguntou ele. – Serviu para diverti-los?

A Rainha lançou um olhar a ele: especial e secreto e dividido entre eles:

“Você a avisou sobre nós” o olhar parecia dizer. “Que nós a machucaríamos, quebrá-la como se pode quebrar um galho entre os dedos. Mas você, que achou que não podia ser tocado – é você que acabou quebrado.”

– Nós estamos muito entretidos – ela disse. – Mas não tanto, eu acho, quanto vocês dois.

Do Capítulo 14

fontes: Idris BR; "Cenas Deletadas" de CoA no site
"Esta cena estava no ARC para Cidade das Cinzas, mas mais tarde foi deletada. É uma boa cena para Isabelle, eu penso, mas não foi realmente necessária para a história. Ela começa exatamente no topo da página 288 na ediçao em capa dura americana de Cidade das Cinzas." –Cassandra Clare

“Que conveniente. Todos estão inconscientes ou aparentemente delirando”, disse a Inquisidora. Sua voz de faca cortou o ambiente, silenciando todo mundo. “Submundano, você sabe perfeitamente bem que Jonathan Morgenstern não deveria estar na sua casa. Ele deveria estar trancado aos cuidados do bruxo.”

“Eu tenho um nome, você sabe,” Magnus disse. “Não,” ele adicionou, parecendo ter pensado duas vezes antes de interromper a Inquisidora, “que isso importe, realmente. De fato, esqueça isso.”

“Eu sei seu nome, Magnus Bane,” disse a Inquisidora. “E um pouco mais sobre você, além do nome. Você foi criado pelos Irmãos do Silêncio de Madri no século XVII. Eles te deram um nome e o esconderam do mundo quando você tinha 16 anos. Eu sei as coisas que você fez, coisas que você preferiria que ficassem escondidas. Você levou muito tempo para reconstruir sua reputação, e uma palavra minha poderia acabar com tudo outra vez. Então, pense muito cautelosamente, se você quer continuar envolvido nessa situação. Você falhou em seu dever uma vez, e não terá outra chance."

“Falhei em meu dever?” Magnus franziu o cenho. “Só porque trouxe o garoto aqui? Não havia nada no contrato que assinei dizendo que eu não poderia trazê-lo comigo sob minha própria vontade.” “Essa não foi a sua falha” disse a Inquisidora. “Deixá-lo ver seu pai na noite passada, essa foi a sua falha.”

Houve um silencio atordoado. Alec se levantou rapidamente , seus olhos procurando os de Jace – Mas Jace não olharia para ele. Sua face era uma máscara.

Luke falou primeiro. “Isso é ridículo” ele disse. Clary raramente o via parecendo tão bravo. “Jace sequer sabe onde Valentim está. Pare de persegui-lo.”

“Perseguir é o que faço, submundano,” disse a Inquisidora. “É meu trabalho.” Ela se virou para Jace. “Diga a verdade, agora, garoto” ela disse, “ e isso será muito mais fácil.”

Jace ergueu seu queixo. “Eu não tenho que lhe contar nada.”

“Verdade?” As palavras da Inquisidora eram como o movimento de um chicote. “Se você é inocente, por que não se justifica? Conte-nos onde você realmente estava na noite passada. Conte-nos sobre o prazeroso barco de Valentim.”

Clary encarou-o. Ela não podia ler nada em seu rosto. Eu fui caminhar um pouco, ele havia dito. Mas aquilo não dizia nada. Talvez ele realmente tenha ido caminhar. Mas seu coração, seu estômago, sentia calafrios. Você sabe o qual é a pior coisa que posso imaginar? Simon tinha dito. Não acreditar na pessoa que você ama mais que tudo no mundo.

Quando Jace não disse nada, Robert Lightwood disse, em sua voz grave e profunda: “Imogen? Você está dizendo que Valentim está – estava- em um barco?”

“No meio do East River” disse a Inquisidora. “É isso.”

“É por isso que não pude encontrá-lo,” Magnus disse, parcialmente para si mesmo. Ele continuava parecendo atordoado. “Toda aquela água — interrompeu meu feitiço.”

“Mas como Jace pode ter chegado lá?” Luke disse, perplexo.

“Caçadores de Sombras são bons nadadores, mas a água do rio é congelante – e imunda.”

“Ele voou,” disse a Inquisidora. “Ele pegou emprestada uma motocicleta do líder do clã de vampiros e voou para o navio. Não está certo, Jonathan?”

Jace baixou suas mãos para os lados, e elas estavam fechadas em punhos. “Meu nome é Jace.” “Não há nenhum Jace. Jace é um fantasma, uma construção sua e de seu pai inventada para enganar os Lightwood para amarem você. Você é filho de seu pai e você sempre foi.”

A Inquisidora se virou para Isabelle. “Vá ao redor das laterais desta casa,” ela disse. “Você encontrará um beco estreito de lixo. Há algo bloqueando a extremidade, algo coberto com uma lona. Volte e nos diga o que é.”

“Izzy.” Jace extenuado com a tensão. “Você não tem que fazer o que ela lhe disse.”

Os olhos escuros de Isabelle estavam estalando como foguetes. “Eu quero. Eu quero provar para ela que ela está enganada sobre você.” Ela falou como se a Inquiridora não estivesse ali, enquanto ela se levantava. “Eu já volto.”

“Isabelle…”

Mas ela tinha já partido, a porta batendo suavemente atrás dela. Luke veio a Jace e tentou colocar uma mão sobre seu ombro, mas Jace a retirou e ficou à espera encostado na parede. A Inquiridora estava olhando para ele avidamente, como se ela quisesse beber cada gota de sua tristeza como vinho. Cadela cruel Clary pensou. Por que ela está o torturando desse jeito?

Por que ela estava certa. A resposta veio como se outra voz, uma voz traiçoeira, tivesse falado dentro de sua cabeça sem seu desejo ou permissão. Ele fez exatamente o que ela disse que ele fez, olhe para seu rosto.

Embora o rosto de Jace fosse um vazio, seus olhos eram vivos atrás da plana e serena fachada. Talvez tudo isso fosse parte de algum plano seu para desacreditar a Inquisidora. Embora ela não parecesse como se temesse o descrédito, ela parecia…

A porta da frente se abriu subitamente com um baque e Isabelle marchou de volta para a sala, seu cabelo preto chicoteando ao redor de seu rosto. Ela olhou do aguardante rosto da Inquiridora para os preocupados de seus pais, de mandíbula apertada de Jace para a careta furiosa de Alec, e disse, “Eu não sei do que ela está falando. Eu não encontrei nada.”

A cabeça da Inquisidora chicoteou para trás como uma cobra naja. “Sua mentirosa!”

“Cuidado com o que você chama minha filha, Imogen,” Maryse disse. “Sua voz era calma, mas seus olhos eram chamas azuis.”

A Inquisidora a ignorou. “Isabelle,” ela disse, suavizando seu tom com um óbvio esforço, “sua lealdade para seu amigo é compreensível…”

“Ele não é meu amigo.” Isabelle olhou para Jace, que estava olhando para ela em um tipo de deslumbramento. “Ele é meu irmão.”

“Não,” disse a Inquiridora, em um tom que era quase de piedade, “ele não é.” Ela suspirou perceptivelmente. “Você percebe que é uma grave violação da lei negar informação a um oficial da Clave?

Isabelle levantou seu queixo, seus olhos faiscando. Naquele momento ela parecia nada mais do que uma cópia menor de sua mãe. “É claro que eu percebo. Eu não sou estúpida.”

“Por Cristo, Imogen,” Luke rebateu, “você honestamente não tem nada melhor a fazer do que intimidar um bando de crianças? Isabelle disse a você que ela não viu nada, agora deixe disso.”

"Crianças?" A Inquisidora virou o olhar de gelo para Luke. "Assim como vocês eram crianças quando o Ciclo traçou a destruição da Clave? Assim como meu filho era criança quando ele..." Ela se segurou com uma espécie de suspiro, como se ganhasse o controle de si mesma pela força principal.

“Então isso é sobre Stephen afinal?” Luke disse, com uma espécie de pena em sua voz. “Imogen…”

O rosto da Inquisidora se contorceu. “Isso não é sobre Stephen! Isso é sobre a lei!” Ela se virou para Isabelle, que recuou, assustada pela fúria no rosto da mulher mais velha. “Ao me desafiar, você quebra a lei, Isabelle Lightwood! Eu poderia arrancar de você as suas Marcas por isso!"

Isabelle tinha recobrado sua compostura. “Você pode pegar sua lei,” ela disse em um tom calculado, “E enfiar ela direto no seu…”

“Ela está mentindo.” As palavras foram faladas sem rodeio, quase sem emoção. Para perceber que era Jace falando, ele se moveu para ficar em pé em frente à Inquisidora, parcialmente bloqueando Isabelle de sua visão. “Você está certa. Eu fiz tudo o que você disse que eu fiz. Eu peguei a moto, eu fui para o rio, eu vi meu pai, e eu voltei e escondi a motocicleta no beco. Eu admito tudo isso. Agora deixe Isabelle em paz.”

Cidade de Vidro

Uma Transformação Sombria / Se Tornando Sebastian

fontes: Idris BR; Site de Cassandra Clare
Se Tornando Sebastian: Uma cena de Cidade de Vidro. Uma pequena história sobre como Jonathan Morgenstern assumiu a identidade de Sebastian Verlac. Isso está disponível na edição especial do Walmart de Cidade das Almas Perdidas.

Era um bar bem pequeno, numa rua íngrime e estreita, numa cidade murada cheia de sombras. Jonathan Morgenstern sentara no bar por pelo menos vinte e cinco minutos, terminando vagarosamente sua bebida, antes de se levantar e se encaminhar pela escada frágil de madeira para o clube. O som da música parecia estar o empurrando para cima enquanto ele descia: ele podia sentir a madeira vibrando em seus pés.

O lugar estava lotado com corpos se contorcendo na fumaça obscura. Era o lugar em que demônios rondavam. O que fazia um lugar em que caçadores de demônios frequentavam.

Um lugar ideal para alguém que estava caçando um caçador de demônios.

Fumaça colorida pairava sobre o ar, exalando um cheiro vagamente ácido. Haviam grandes espelhos pelas paredes do clube. Ele podia ver a si mesmo se movendo pelo cômodo. Uma figura esguia em preto, com os cabelos de seu pai, brancos como a neve. Era úmido ali embaixo no clube, abafado e quente, e sua camiseta estava grudada em suas costas com suor. Um anel de prata em sua mão direita brilhava enquanto ele escaneava o local a procura de sua presa.

Ali estava ele, no bar, como se estivesse tentando se misturar aos mundanos, embora ele era invisível a eles.

Um garoto. Talvez com dezessete anos..

Um Caçador de Sombras.

Sebastian Verlac.

Jonathan geralmente nutria pouco interesse em pessoas de sua própria idade – Se havia algo mais aborrecedor que outras pessoas, eram adolescentes – mas Sebastian Verlac era diferente. Jonathan escolhera ele, cuidadosamente e especificamente. Escolhera ele da maneira que alguém escolheria um terno de alfaiate customizado e caro.

Jonathan deu a volta nele, dando a si um tempo e analisando o garoto. Ele havia visto fotografias, claro, mas as pessoas sempre pareciam diferentes pessoalmente. Sebastian era alto – a mesma altura de Jonathan, e com a mesma estrutura esguia. Suas roupas pareciam como algo que serviria em Jonathan perfeitamente. Seu cabelo era negro – Jonathan teria que pintar o seu próprio cabelo, o que era irritante, mas não impossível. Seus olhos eram pretos, também, e suas feições, embora irregulares, se completavam harmonicamente: ele tinha um carisma amistoso que era atrativo. Ele parecia ser alguém que confiava nos outros facilmente, e sorria com facilidade.

Ele parecia ser um tolo.

Jonathan chegou no bar e se encostou contra a mesa. Girou a cabeça, deixando que o garoto reconhecesse que ele o poderia ver. – Bonjour.

– Olá – Sebastian respondeu, em inglês, a língua de Idris, embora tivesse um toque de sotaque francês. Seus olhos se estreitaram. Ele parecia surpreso por ser visto, e parecia estar imaginando o que Sebastian poderia ser: um companheiro Caçador de Sombras, ou um feiticeiro com um sinal que não poderia ser visto?

Algo perverso ao seu caminho vem, Jonathan pensou. E você nem ao menos se dá conta.

– Eu mostrarei o meu se você mostrar o seu – ele sugeriu, e sorriu. Ele podia ver a si mesmo sorrindo no espelho sujo do bar. Ele sabia como iluminar suas feições, e fazê-lo parecer irresistível. Seu pai o havia treinando por anos para sorrir daquela maneira, como um ser humano.

A mão de Sebastian se enrijeceu na borda da mesa do bar. – Eu não…

Jonathan sorriu mais e virou sua mão direita para mostrar a runa Voyance nas costas. A respiração saiu de Sebastian num alívio e ele radiou com o reconhecimento: como se qualquer Caçador de Sombras fosse companheiro e amigo em potencial.

– Você está a caminho de Idris, também? – Jonathan perguntou, bastante profissional, como se estivesse em regular contato com a Clave. Protegendo os inocentes, ele projetava isso ao mundo e a Sebastian em particular. Ele não podia se ver satisfeito disso!

– Eu estou – Sebastian respondeu – Representado o Instituto de Paris. Meu nome é Sebastian Verlac, falando nisso.

– Ah, um Verlac. Uma família boa e antiga – Jonathan aceitou sua mão, e o cumprimentou firmemente. – Mark Blackthorn – ele disse facilmente – Do Instituto de Los Angeles, originalmente, mas eu estive estudando em Roma. Eu pensei em passar por Alicante. Apreciar a paisagem.

Ele havia pesquisado sobre os Blackthorns, uma grande família, e sabia que eles e os Verlacs não haviam estado na mesma cidade por anos. Ele estava certo que ele não teria problemas em responder com um nome que não era seu: ele nunca tinha. Seu nome verdadeiro era Jonathan, mas ele nunca se sentiu conectado a ele, particularmente: talvez porque ele sempre soubera que esse não era apenas SEU nome.

O outro Jonathan, sendo criado não muito distante, numa casa como a dele, visitado por seu pai. O pequeno anjinho do papai.

– Eu não tenho visto outro Caçador das Sombras há muito tempo – Sebastian continuou. Ele estava falando a um tempo, mas Jonathan esquecera de prestar atenção a ele – Engraçado te encontrar aqui. É meu dia de sorte.

– Deve ser – Jonathan murmurou – Embora não totalmente por acaso, claro. Houveram denúncias de um demônio Eluthied espreitando esse lugar. Eu presumo que você tenha ouvido, também?

Sebastian sorriu e tomou o último gole de seu copo, o colocando em cima da mesa. – Depois de nós o matarmos, deveríamos beber uma rodada em celebração.

Jonathan assentiu, e tentou parecer que estava muito focado em encontrar a sala para demônios. Eles pararam ombro a ombro como irmãos guerreiros. Foi tão fácil que foi quase entediante: tudo que ele tinha que fazer era se mostrar, e ali estava Sebastian Verlac, como um cordeiro empurrando uma lâmina em sua garganta. Quem confia em outras pessoas desse jeito? Quer ser amigo tão facilmente?

Ele nunca foi bom com os outros. Claro, ele nem nunca teve a oportunidade: o pai dele manteve ele e o outro Jonathan separados. Uma criança com sangue de demônio e uma criança com sangue de anjo: crie os dois meninos como seus e veja quem vai fazer o papai orgulhoso.

O outro menino falhou no teste quando era muito novo, e foi mandado embora. Jonathan sabia disso. Ele passou por todos os testes que o pai deu para ele. Talvez ele tenha passado todos bem demais, muito perfeitamente, não incomodada pelo isolamento naquela câmera e os animais, o chicote ou a caça. Jonathan havia identificado uma sombra nos olhos do pai agora e depois, um que era uma queixa ou uma dúvida.

Embora o que ele teria para se lamentar? Porque ele teria dúvidas? Jonathan não era o guerreiro perfeito? Ele não era tudo que o pai dele o criou para ser?

Humanidade é tão complicada.

Jonathan nunca gostou da ideia do outro Jonathan, do pai ter outro filho, um que fez o pai sorrir algumas vezes ao pensar sobre ele sem uma sombra em seus olhos.

Jonathan cortou nos joelhos um dos bonecos que ele usava para praticar, e passou um dia agradável o estrangulando e tirando as vísceras, cortando do pescoço ao umbigo. Quando o pai dele o perguntou porque ele tirou um pedaço das pernas, ele disse que queria saber como era matar um garoto que tivesse o mesmo tamanho dele.

– Eu esqueci, você vai ter que me desculpar – disse Sebastian, que estava se tornando irritantemente falante. – Quantos são em sua familia?

– Oh, nós somos uma grande – Jonathan respondeu. – Oito no total. Eu tenho quatro irmãos e três irmãs.

Os Blackthorn realmente eram oito: A pesquisa de Jonathan tinha sido completa. Ele nem podia imaginar como seria, tantas pessoas, tal desordem. Jonathan tem uma irmã de sangue também, apesar de nunca terem se conhecido.

O pai dele contou sobre a mãe dele fugindo quando Jonathan era um bebê, que ela estava grávida de novo, inexplicavelmente chorosa e miserável porque ela tinha um tipo de objeção ao filho dela ser melhorado. Mas ela fugiu tarde demais: Pai já tinha visto que Clarissa teria poderes angelicais.

Apenas algumas semanas atrás, o pai conheceu Clarissa pela primeira vez, e no segundo encontro Clarissa provou que ela sabia como usar o poder dela. Ela também mandou o navio do pai deles para o fundo do oceano.

Uma vez que ele e o pai tivessem retirado e transformado os Caçadores de Sombras, devastado seu orgulho e sua cidade, o pai disse que a mãe, o outro Jonathan e Clarissa iriam viver com eles. Jonathan desprezou sua mãe, que aparentemente tinha sido uma fraca patética que fugiu dele quando ele era um bebê. E o único interesse dele no outro Jonathan era provar o quão superior ele era: O filho real, por sangue e com força de demônios e caos no mesmo sangue.

Mas ele estava interessado em Clarissa.

Clarissa nunca decidiu deixar ele. Ela foi levada e forçada a crescer em meio a mundanos, uma das coisas mais nojentas. Ela provavelmente sempre soube que ela foi feita de um jeito diferente das pessoas a volta dela, destinada a fazer coisas diferentes, poder e uma crepitante estranheza sob a pele dela.

Ela deve ter se sentido como a única criatura igual a ela em todo o mundo.

Ela tinha o anjo nela, como o outro Jonathan, não o sangue infernal que corria nas veias dele. Mas Jonathan era muito filho de seu pai como qualquer outra coisa: ele era como o pai o fez, mais forte, misturado com o fogo do inferno. Clarissa era filha real de seu pai também, e quem saberia o que seria a estranha combinação do sangue do pai deles e o poder do paraíso correndo nas veias de Clarissa? Ela poderia não ser muito diferente de Jonathan.

O pensamento o deixou excitado de um jeito que ele nunca ficou antes. Clarissa era irmã dele; ela não pertencia a mais ninguém. Ela era dele. Ele soube disso, porque apesar de não poder sonhar—isso era uma coisa humana—depois que o pai contou a ele sobre a irmã dele destruindo o navio, ele sonhou com ela.

Jonathan sonhou com uma garota parada no mar com o cabelo igual a fumaça escarlate cobrindo seus ombros, enrolando e desenrolando no vento indomável. Tudo era uma escuridão tempestuosa, e no mar revolto tinham pedaços do que foi uma vez um barco e corpos boiando com o rosto para baixo. Ela olhava para eles com os olhos verdes e não tinha medo.

Clarissa tinha feito aquilo, a destruição causada assim, como ele faria. No sonho, ele estava orgulhoso dela. A irmãzinha dele.

No sonhos, eles estavam rindo juntos de toda a linda ruína em volta deles. Eles estavam suspensos no mar, não podiam ser machucados, a destruição era um elemento deles. Clarissa estava olhando para baixo enquanto ria, arrastando suas mãos brancas igual ao luar na água. Quando ela levantou as mãos, elas estavam escuras, pingando: ele notou que o mar era puro sangue.

Jonathan acordou desse sonho ainda rindo.

Quando fosse o tempo certo, o pai disse, eles estariam juntos, todos eles. Jonathan teria que esperar.

Mas ele não era muito bom com esperas.

– Você tem o olhar mais estranho no seu rosto – disse Sebastian Verlac, gritando acima do ritmo da música, soando claro e irregular nos ouvidos de Jonathan.

Jonathan se inclinou sobre ele, falando suavemente e com precisão no ouvido de Sebastian. – Atrás de você – disse ele. – Demônio. Na posição de quatro horas.

Sebastian Verlac virou, e o demônio, na forma de uma menina com uma nuvem de cabelo escuro, se afastou apressadamente do garoto com o qual estava falando e começou a correr para longe no meio da multidão. Jonathan e Sebastian o seguiram por uma porta lateral com “Saída de Segurança” escrita através dela em letras misturadas em vermelho e branco.

A porta dava para um beco, aonde o demônio estava descendo rapidamente, quase desaparecendo.

Jonathan saltou, jogando-se contra a parede de tijolos do outro lado, e usou a força de sua pancada de volta para mirar a cabeça do demônio. Ele torceu-se no ar, a sua lâmina com runas na mão, fazendo assobiar através do ar. O demônio congelou, olhando para ele. A máscara de rosto de uma menina estava começando a escorregar, e Jonathan poderiam ver as características por trás dela: olhos próximos como de aranha, uma boca com presas, aberta com a surpresa. Nada disso provocou nojo nele. O fluído que corria nas veias do demônio também corria nas suas.

Não que isso inspirasse misericórdia também. Sorrindo para Sebastian sobre o ombro do demônio, ele deslizou a espada, cortando em aberto o demônio como ele uma vez havia cortado um boneco, do pescoço ao umbigo. Um grito borbulhante correu pelo beco como se o demônio tivesse se dobrado sobre si mesmo e desaparecido, deixando algumas gotas de sangue negro salpicado sobre as pedras.

– Pelo Anjo – Sebastian Verlac sussurrou.

Ele estava olhando para Jonathan por cima do sangue e o vazio entre eles, e seu rosto estava branco. Por um momento, Jonathan estava quase satisfeito que ele tinha a percepção de ter medo.

Mas não teve essa sorte. Sebastian Verlac permaneceu um tolo até o fim.

– Você foi incrível! – Sebastian exclamou, com a voz abalada mas impressionado. – Eu nunca vi ninguém se mover tão rápido! Alors, você tem que me ensinar esse movimento. Pelo Anjo – ele continuou. – Eu nunca vi nada como o que você fez.

– Eu adoraria ajudar você – disse Jonathan. – Mas infelizmente eu tenho que ir embora em breve. Meu pai precisa de mim, sabe. Ele tem planos. E ele simplesmente não pode fazer sem mim.

Sebastian pareceu absurdamente desapontado. – Ah, você não pode ir agora – ele tentou persuadir. – Caçar com você foi muito divertido, mon pote. Nós temos que fazer isso de novo alguma hora.

– Eu receio – disse Jonathan para ele, tocando o cabo de sua arma – Que não vai ser possível. Sebastian pareceu tão surpreso quando foi morto. Isso fez Jonathan rir, a lâmina na mão e a garganta de Sebastian aberta abaixo dela, o sangue derramando seus dedos quentes.

Ele não queria que o corpo de Sebastian fosse encontrado em um momento inconveniente e todo o jogo fosse arruinado, então Jonathan arrastou o corpo como se ele estivesse carregando um amigo bêbado para sua casa, pelas ruas.

Não era muito longe de uma pequena ponte, delicada como uma filigrana recém feita (joia de ouro, com os fios muitos finos interligados) ou como um estofado para uma criança morta, ossos frágeis, sobre o rio. Jonathan levantou o cadáver para o lado e o viu cair entre as águas negras correntes com um barulho.

O corpo afundou sem deixar vestígios, e Sebastian o esqueceu antes mesmo dele ter afundado todo. Ele viu os dedos curvados, balançando nas correntes como se tivessem voltado à vida e implorando por ajuda ou, pelo menos, por respostas, e pensou em seu sonho. Sua irmã, e um mar de sangue. Água havia respingado da onde o corpo afundara, alguns dos respingos batendo em sua manga. Batizando-o com um novo nome. Ele era agora Sebastian.

Ele caminhou pela da ponte para a parte antiga da cidade, onde havia lâmpadas elétricas disfarçados de lampiões a gás, mais brinquedos para os turistas. Ele estava indo em direção ao hotel onde Sebastian Verlac estava ficando; ele tinha descoberto antes de ir para o bar, e ele sabia que poderia entrar pela janela e recuperar os pertences do outro garoto. E depois disso, um vasilhame de tintura barata para cabelo e…

Um grupo de meninas em vestidos de festa passou por ele, balançando seus babados, e uma, sua saia prateada roçando em suas cochas, deu um olhar direto e um sorriso para ele.

Ele se sentia indo em uma festa.

–Comment tu t’appelles, beau gosse? – Perguntou-lhe outra garota, a voz levemente animada. – Qual é seu nome, menino bonito?

– Sebastian – Ele respondeu suavemente, sem hesitar um segundo. Esse era quem ele era a partir de agora, quem o plano de seu pai o obrigou a ser, quem ele precisava ser para percorrer o caminho que levava a vitória e Clarissa. – Sebastian Verlac.

Ele olhou para o horizonte, e pensou nas torres de vidro de Idris, pensado nelas envoltas em chamas, sombra e ruína. Ele pensou em sua irmã esperando por ele, lá fora, em qualquer lugar do mundo.

Ele sorriu.

Ele pensou que ele ia gostar de ser Sebastian.

Uma Partida Repentina

fonte: PDF do Capítulo (encontrado na página do livro na Simon & Schuster)
O primeiro capítulo original de Cidade de Vidro, com um comentário de Cassie sobre o que mudou e por que ela mudou. Verifique o link acima para os comentários da nota de rodapé, em inglês.

Clary fechou a mochila e olhou ao redor da sala para ver se ela tinha esquecido alguma coisa. Madeleine tinha dito a ela que seria frio em Idris devido à alta altitude, então ela colocou suas camisas de mangas compridas, jeans e suéteres. Ela não tinha um casaco de inverno, mas não planejava ficar em Idris por tempo suficiente para precisar de um. Ela estava indo apenas o tempo suficiente para conseguir o que precisava para ajudar sua mãe. Então ela estaria de volta.

Pela terceira vez em quinze minutos, ela digitou o número de Simon em seu celular. Ele tocou e tocou, finalmente indo para o correio de voz.

Era a voz de Eric, não de Simon, na mensagem gravada. "Senhoras, senhoras", dizia ele. Embora tenha sido a milionésima vez que ela ouviu a gravação, Clary não pôde deixar de revirar os olhos. "Se você chegou a essa mensagem, isso significa que nosso filho Simon está se divertindo. Mas por favor, não briguem entre si. Há sempre Simon o suficiente para sair por aí." Houve um grito abafado, algumas risadas e depois o longo som do bipe.

Ela desligou com uma carranca. Onde ele estava? Ele sabia que ela estava saindo hoje. Como ele não poderia estar aqui para lhe desejar uma viagem segura?

Claro, a última reunião deles tinha sido um pouco tensa. Ele se sentou em sua cama, observando-a com um desapego quase assustador enquanto ela falava sobre Madeleine e Idris e a cura de sua mãe.

"Você vê, minha mãe sabia que Valentim iria vir procurá-la um dia," disse ele sem fôlego. "Ela sabia que ele tentaria torturar pela localização do Cálice Mortal se ela pudesse. Ela usou esta poção que um feiticeiro fez para ela. Ela trouxe para Nova York com ela de Idris. Ela sabia que iria colocá-la em uma espécie de animação suspensa, então ela não teria nenhuma utilidade para Valentim. Ela deve ter tomado quando ouviu o Ravener vindo atrás dela. Você não vê? É por isso que os médicos não conseguem encontrar nada de errado com ela. A única coisa que vai curá-la é tomar a mesma poção novamente."

"Então, onde você deveria obter mais da mesma poção?" Simon perguntou. "Não parece algo que você pode simplesmente pegar na bodega local."

"Teria que vir do mesmo feiticeiro que fez isso em primeiro lugar."

"Você quer dizer Magnus Bane?" Simon disse. "Ele era o feiticeiro que sua mãe costumava usar para esses feitiços de memória, então..."

"Não, não foi Magnus. Você não estava ouvindo? Ela trouxe a poção de Idris. Era alguém que ela conhecia lá."

"Então...?" Simon deixou o resto da frase pendurado delicadamente no ar.

"Estou indo para Idris," Clary disse a ele.

Ele empalideceu. Uma vez que ele já era muito pálido, isso foi impressionante. "Para Idris? Sozinha? Clary..."

"Não sozinha. Com os Lightwood. Madeleine diz que eles estão indo de qualquer maneira. Eles têm que: A Clave está chamando todos os chefes de Conclaves em diferentes cidades para Idris para algum tipo de reunião de cúpula."

"Mas ir para Idris – não parece seguro, Clary."

"Seguro como em qualquer outro lugar," disse Clary. "Quero dizer, sem ninguém certo do que Valentim vai fazer a seguir, ou até onde ele está..."

"Talvez seja melhor você estar com os Lightwood," disse Simon após uma pausa. "Com Jace, de qualquer maneira. Ele nunca deixaria nada acontecer com você."

Ele não disse, O que vai acontecer comigo enquanto você estiver fora? mas Clary sabia que ele estava pensando nisso. Simon tem sido apenas um vampiro há pouco menos de uma semana e ainda estava tentando se ajustar. Ela era uma das únicas pessoas com quem ele podia conversar sobre isso, e ela estava indo embora. Ela pensou no que devia ser para ele, manter esse segredo, ir à escola todos os dias, fingir que as coisas estavam bem. "Simon, me desculpe..."

Ele dispensou seu pedido de desculpas. "Você tem que fazer o que você tem que fazer para ajudar sua mãe," disse ele. "Eu não ficaria no seu caminho."

"Você pode sair com Luke," disse ela. "Ele estará aqui. Principalmente no hospital, reconhecidamente, mas ele está por perto, e você sabe que ele não se importa se você precisar de alguém para conversar."

"Eu posso falar com Maia," disse Simon.

"Ótimo," Clary disse, com uma falta de entusiasmo marcante. Maia também era um lobisomem. Um lobisomem apaixonado por Simon. Clary nunca foi capaz de se aproximar dela, embora ela tenha tentado. "Eu acho que ela deve saber o que você está passando, hein?"

Simon não respondeu. "Este seu plano, sobre ir a Idris," disse ele. "Jace sabe sobre isso?"

Clary balançou a cabeça.

"Ele vai surtar."

"Não, ele não vai," disse Clary. "Ele vai ficar bem."


Jace não ficou bem.

"Você não vai," disse ele. Ele estava com o rosto branco, encarando; ele olhou para ela como se ela tivesse se esgueirado e lhe dado um soco no estômago. "Se eu tiver que amarrá-la e sentar em você até que este louco capricho seu passe, você não vai."

"Por que não?" Clary disse. A franqueza da pergunta pareceu deixar Jace ainda mais irritado. "Porque não é seguro."

"Ah, e é tão seguro aqui?" Clary estalou. "Eu quase fui morta uma dúzia de vezes no mês passado, e todas as vezes foram aqui em Nova York."

"Isso é porque Valentim está se concentrando nos Instrumentos Mortais que estavam aqui." Jace falou com os dentes cerrados. "Ele vai mudar seu foco para Idris agora, todos nós sabemos..."

"Não temos tanta certeza de nada quanto isso," disse Maryse Lightwood. Clary tinha quase esquecido que a mulher mais velha estava lá na biblioteca com eles. Ela estava sentada atrás do que Clary sempre pensaria como a escrivaninha de Hodge, uma prancha grossa colocada nas costas de anjos de mogno ajoelhados. Linhas afiadas de exaustão baixaram o rosto de Maryse. Seu marido, Robert Lightwood, havia sido ferido por veneno de demônio durante a batalha na semana passada, e precisava de enfermagem constante desde então. "E a Clave quer ver Clarissa, você sabe disso, Jace."

"A Clave pode se ferrar," disse Jace.

Maryse franziu a testa.

"A Clave quer um monte de coisas," acrescentou Jace. "Não deve necessariamente obter todas elas."

Maryse lançou-lhe um olhar, como se soubesse exatamente do que ele estava falando e não apreciasse. "A Clave está sempre certa, Jace. Não é irracional que eles queiram conversar com Clary, depois do que ela passou. O que ela poderia dizer a eles..."

"Eu vou dizer a eles o que eles querem saber," disse Jace. "Eles vão me grelhar por semanas como é."

"E espero que, quando isso acontecer, você seja um pouco mais cooperativo e um pouco menos teimoso," disse Maryse. Ela virou seus olhos azuis, tão parecidos com os de Alec, em Clary. "Então você quer ir para Idris, não é?"

"Só por alguns dias," disse Clary. "Eu não vou ser nenhum problema. Madeleine chegou a dizer que eu poderia ficar na casa dela. Ela tem uma em Alicante."

"Eu sei que ela tem. A questão não é se você vai ter algum problema; a questão é se você estará disposta a se encontrar com a Clave enquanto estiver lá. Eles querem falar com você. Se você disser não, duvido que possamos obter a autorização para levá-la conosco."

Jace estava balançando a cabeça.

"Vou me encontrar com a Clave," disse Clary.

Maryse esfregou as têmporas com as pontas dos dedos. "Então está resolvido." Ela não parecia resolvida, no entanto; ela parecia tão tensa e frágil quanto uma corda de violino apertada ao ponto de ruptura.

"Mas..." Jace começou.

Maryse acenou com a mão para ele em despedida. "Isso é o suficiente, Jace."

A boca de Jace era uma linha dura. "Eu vou sair com você, Clary."

"Eu posso sair sozinha," disse ela, mas Jace já a tinha pelo cotovelo e a conduzia em direção à porta. Eles mal estavam no corredor quando ele soltou o braço dela e girou para encará-la, encarando-a como uma gárgula. "Você não ouviu uma palavra do que eu disse, Clary? Eu te disse que você não pode ir."

"Mas Maryse diz que eu posso, e você não dá as ordens por aqui, não é?"

"Maryse confia muito na Clave," disse Jace. Ele começou a descer o corredor, fazendo Clary se esforçar para acompanhar. "Ela tem que acreditar que eles são perfeitos – e eu não posso dizer a ela que eles não são, porque..."

"Porque isso é algo que Valentim diria."

Seus ombros ficaram tensos. "Ninguém é perfeito," foi tudo o que ele disse. Eles estavam no saguão agora; ele estendeu a mão e apunhalou o botão do elevador com o dedo indicador. "Nem mesmo a Clave."

Clary cruzou os braços sobre o peito. "É realmente por isso que você não quer que eu vá? Porque não é seguro?"

Um lampejo de surpresa cruzou seu rosto. Havia sombras tocando seus olhos, Clary percebeu sem querer, e cavidades escuras sob as maçãs do rosto. O suéter preto que ele estava usando só fazia sobressair mais a luz, a pele marcada pelo hematoma, e os cílios escuros também; ele era um estudo em contraste, algo a ser pintado em tons de preto, branco e cinza, com salpicos de ouro aqui e ali, como os olhos dele, como uma cor de destaque—

"O que você quer dizer?" Jace disse, tirando-a de seu devaneio de pintura mental. "Por que eu não quero que você vá?"

Ela engoliu em seco. "Porque—" Porque você me disse que você não tem mais sentimentos por mim, e você vê, isso é muito estranho, porque eu ainda os tenho por você. E eu aposto que você sabe disso.

"Porque eu não quero que minha irmãzinha me siga em todos os lugares?" Havia uma nota aguda em sua voz, meio escárnio, meio outra coisa. O elevador chegou com um barulho; ele chegou ao redor dela para abrir o portão ornamentado e a lã macia de seu suéter fez cócegas na parte de trás do seu pescoço.

"Eu não vou lá porque você vai estar lá. Eu vou lá porque quero ajudar minha mãe. Eu te falei isso."

"Eu posso ajudá-la por você. Diga-me onde ir, quem perguntar. Eu vou conseguir o que você precisa."

Ela entrou no elevador, virou-se para ele. "Madeleine disse ao feiticeiro que eu seria a única a ir. Ele estará esperando a filha de Jocelyn, não o filho de Jocelyn."

"Então diga a ela que houve uma mudança de planos. Eu vou, não você."

Ela mordeu o lábio. "Madeleine disse..."

"Madeleine disse, Madeleine disse," ele imitou selvagemente. "Essa mulher fez uma lavagem cerebral em você?"

"Ela disse," Clary continuou, "que o feiticeiro pode até não acreditar que você é quem você diz que é. Ela disse que metade das pessoas em Idris pensam que você é realmente o filho de Valentim. Então, o que faz você pensar que alguém que a ajudou até mesmo o ajudaria? Quer dizer, a razão pela qual minha mãe tomou essa poção em primeiro lugar foi para manter as mãos de Valentim longe dela..."

"E eu não sou melhor que ele? É isso que você está dizendo?"

"O que? Não, claro que não, você sabe que eu acho que você não é nada como ele, Jace..."

"Aparentemente," ele disse, "não é suficiente para passar essa informação para Madeleine."

Ele bateu o portão fechado entre eles. Por um momento, ela olhou para ele através dele – a malha do portão dividia seu rosto em uma série de formas de diamante, delineadas em metal. Um único olho dourado olhou para ela através de um diamante, raiva furiosa cintilando em suas profundezas.

"Jace..." ela disse, novamente.

Mas com um estremecimento e um barulho, o elevador já estava se movendo, levando-a para baixo no escuro silêncio do Instituto.

Essa foi a última vez que ela viu Jace. Ele não atendeu o telefone quando ela ligou para ele desde então, então ela fez todos os seus planos de viajar para Idris com os Lightwood usando Alec como um ponto de vista relutante e envergonhado. Alec. Ela suspirou e abriu o telefone novamente. Ela poderia também ligar para ele e ver a que horas eles iam buscá-la quando saíssem da cidade.

Como não havia mais um Portal em funcionamento na área de Manhattan, eles teriam que dirigir até um local que não haviam divulgado para ela e usar um Portal lá. Eles eram tão secretos, Caçadores de Sombras, ela pensou; era como se nunca pudessem esquecer aquela parte dela que havia sido criada para acreditar que era mundana, comum. Ela nunca seria realmente um deles, a par dos seus segredos.

Alec também não estava atendendo ao telefone. Clary fechou o celular e praguejou. "Pelo anjo—"

Uma risada suave veio de sua porta. Ela se virou. Era Luke, com as mãos nos bolsos, observando-a com uma expressão de carinho misturada com diversão. Sua camisa de flanela estava amassada – ele provavelmente dormiu na cadeira de plástico no hospital novamente. "Agora você está xingando como um Caçador das Sombras," ele disse.

"Eu acho que está pegando," disse Clary. Ela sorriu para ele. "Estou feliz que você veio me dizer tchau, pelo menos."

"Nós dissemos adeus ontem à noite," Luke lembrou a ela. Era verdade. Eles foram ao hospital para ver Jocelyn. Clary beijou sua mãe e prometeu que quando voltasse teria a cura de Jocelyn. Madeleine estava lá, embora ela e Luke fossem estranhos e duros um com o outro e ela prometeu a Luke que cuidaria bem de Clary em Idris. E então Clary e Luke voltaram para a casa de Luke, comeram pizza e assistiram TV até a meia-noite, quando ele voltou para o hospital.

"Bem, Simon parece ter decidido me ignorar, então é bom ter um segundo adeus de alguém."

"Ele provavelmente só está preocupado com você indo para Idris."

"Você está preocupado, e você ainda apareceu."

"Eu tenho o benefício da experiência que me diz que o mau humor não resolve nada," Luke disse com um sorriso. "Além disso, não vale a pena tentar dizer a você ou a sua mãe o que fazer." Ele alcançou algo atrás dele e tirou uma sacola de papel pardo. "Aqui, eu tenho algo para sua viagem."

"Você não tem que fazer isso!" Clary protestou. "Você já fez tanto..." Ela pensou nas roupas que ele comprara depois que tudo o que possuía fora destruído. Ele deu-lhe um novo telefone, novos materiais de arte, sem nunca ter que ser pedido. Quase tudo que ela possuía agora era um presente de Luke.

"Eu quis." Ele entregou a sacola.

O objeto dentro estava envolto em camadas de papel de seda. Clary rasgou através dele, sua mão agarrando algo macio como pele de gatinho. Ela puxou-o para fora e soltou um pequeno suspiro – era um casaco de veludo verde-garrafa, antiquado com um forro de seda dourada, botões de latão e um capuz largo. Ela o desenhou, alisando as mãos carinhosamente pelo material macio. "Parece algo que Isabelle usaria," ela exclamou.

"Exatamente. Agora você vai se vestir mais como um deles," Luke disse. "Quando você estiver em Idris."

Ela olhou para ele. "Você quer que eu pareça com um deles?"

"Clary, você é um deles." Seu sorriso estava tingido de tristeza. "Além disso, você sabe como eles tratam pessoas de fora. Qualquer coisa que você possa fazer para se encaixar..."

Um espasmo de culpa a tomou. "Luke, eu gostaria que você viesse comigo..."

"Não é seguro para mim em Idris. Você sabe disso. Além disso, não posso deixar Jocelyn."

"Mas..." Clary parou quando o telefone tocou. Ela mergulhou, procurando entre os lençóis emaranhados e as pilhas de papel descartado. Ela subiu segurando-o triunfantemente.

"É Simon?" Luke perguntou.

Ela olhou para o número na tela e seu sorriso desapareceu em um olhar de perplexidade. "É Jace." Ela abriu o telefone. "Olá?"

"Clary?" Sua voz familiar enviou um arrepio por sua espinha. "Onde está você?"

"Estou na casa do Luke. Onde mais eu estaria?"

"Bom." Houve uma nota de alívio em sua voz que a atingiu como estranha. "Fique aí."

"Claro que vou ficar aqui. Eu estou esperando por vocês virem me buscar." Ela hesitou. "Você está vindo para me pegar, certo?"

Ele ficou em silêncio.

"Jace, o que está acontecendo? Aconteceu alguma coisa? Não vamos a Idris?"

Jace suspirou. "Nós estamos indo," disse ele. "Mas você não está."

"O que você quer dizer, eu não vou?" Sua voz disparou várias oitavas. Luke estremeceu. "Maryse disse que eu poderia ir! Nós falamos sobre isso!"

"Houve uma mudança de planos," disse Jace. "Você não vai depois de tudo."

"Mas a Clave queria se encontrar comigo."

"Acabou," disse Jace, "que havia alguém com quem queriam se encontrar mais. E eu fiz você não ir uma condição de levá-lo."

Clary sentiu como se tivesse pisado em um balde de água gelada.

"De levar quem?" Ela sussurrou.

"Simon," disse Jace.

"O que a Clave quer com o Simon? Ele é apenas um mundano..."

"Ele não é mundano, Clary. Ele é um vampiro. Um vampiro que pode andar na luz do sol. O único vampiro que pode andar na luz do sol que alguém já ouviu falar em toda a história da Clave. É claro que eles estão interessados ​​nele."

"Eles vão machucá-lo?"

"Não," Jace disse, impaciente. "Claro que não. Eles deram sua palavra oficial de que não machucariam."

"Eu não acredito em você," disse Clary. Ela respirou estremecendo. "Jace, não faça isso. Eu não irei, tudo bem, eu prometo que ficarei aqui, mas por favor não leve Simon com você."

"O perigo estava bem para você, no entanto, não estava?" Jace disse com raiva. "Clary, Simon não estará seguro aqui também. Ele é único. Uma aberração mágica. Já existem rumores circulando no Submundo sobre sua existência. Os vampiros realizaram um conselho na noite passada sobre o que fazer com ele – alguns eram a favor de matá-lo abertamente como uma mutação perigosa, e outros queriam experimentá-lo para ver se o que aconteceu com ele poderia ser replicado. Sem mencionar que ele é o inimigo público número um dos lobisomens..."

"Mas Luke controla os licantropes..."

"Nem todos os licantropes do mundo, Clary! O que aconteceu com Simon – é enorme, é sem precedentes. Todo mundo vai querer uma parte dele. O lugar mais seguro para ele é em Idris, com a Clave, especialmente quando não vamos estar aqui para protegê-lo."

"E você disse que Maryse confia demais na Clave. Você deveria falar," Clary disse amargamente. "Como você pôde fazer isso, Jace? Minha mãe..."

"Eu sei o que sua mãe precisa para ficar bem," disse Jace. "E eu vou pegar para você, eu dou a minha palavra sobre o Anjo."

"Por tudo o que vale a pena. Eu não entendo, Jace. Por que você está fazendo isso?"

Ele hesitou, apenas por uma fração de segundo, entre uma respiração e a seguinte. Sua voz, quando ele falou, era plana. "Eu não posso acreditar que você não saiba."

"Não faça isso," disse ela. Uma pequena parte dela se perguntava se estava sendo irracional, mas foi inundada por sua avassaladora sensação de abandono e terror. "Por favor, Jace..."

"Me desculpe, Clary," ele disse, e desligou.

Silêncio. Clary discou seu número novamente e recebeu um sinal de ocupado estático. Ela apertou o botão para rediscar e encontrou o telefone delicadamente arrancado de sua mão. "Clary," disse Luke, seus olhos azuis cheios de compaixão. "Pelo que sabemos, ele provavelmente já passou pelo Portal. Não há sentido..."

"Isso não é verdade!" ela gritou para ele. "Eles nem deveriam ter saído ainda! Eles não podem ir embora!"

"Clary..."

Mas ela já estava passando por ele, com a respiração áspera nos ouvidos enquanto corria para fora da casa e descia a Kent Street, indo para o metrô.


Clary levou alguns instantes para tirar o glamour do Instituto hoje. Era como se outra camada de disfarce tivesse sido acrescentada à antiga catedral, como uma nova camada de tinta. Raspar com sua mente parecia difícil, até doloroso. Finalmente se foi e ela podia ver a igreja como estava. As altas portas de madeira brilhavam como se tivessem acabado de ser polidas.

Ela colocou a mão na maçaneta. Eu sou Clary Morgenstern, uma dos Nephilim, e peço entrada no Instituto—

A porta se abriu. Clary entrou. Ela olhou em volta, piscando, tentando identificar o que era de alguma forma diferente do interior da catedral.

Ela percebeu isso quando a porta se fechou atrás dela, prendendo-a em uma escuridão aliviada apenas pelo brilho da janela rosa no alto. Ela nunca tinha estado dentro da entrada do Instituto quando não havia dezenas de chamas acesas nos elaborados candelabros que se alinhavam no corredor entre os bancos.

Ela pegou sua pedra de luz enfeitiçada do bolso e segurou-a. A luz brilhava, enviando raios brilhantes de iluminação saindo por entre seus dedos. Acendeu os cantos empoeirados do interior da catedral enquanto se encaminhava para o elevador na parede perto do altar vazio. Ela apontou impacientemente para o botão de chamada.

Nada aconteceu. Depois de meio minuto, ela apertou o botão novamente – e novamente. Ela deitou a orelha contra a porta do elevador e escutou. Nenhum som. O Instituto ficara escuro e silencioso, como um boneco mecânico cujo coração de relógio havia finalmente se esgotado.

Clary deu um passo para trás e desabou em um dos bancos. O assento era duro, estreito e desconfortável, mas ela mal notou. Eles se foram. Idris, onde ela não pôde seguir. Saiu de sua vida, levando Simon para onde ela não podia protegê-lo. Ela se lembrou de Magnus dizendo: "Quando sua mãe fugiu do Mundo das Sombras, eram deles que ela estava se escondendo. Não os demônios. Os Caçadores de Sombras." Ele estava certo, e ela estava errada em confiar nos Nephilim. Ela achava que os Lightwood se importavam com ela, mas tudo o que importava para qualquer um deles era sua preciosa Clave. Até mesmo Jace—

Com esse pensamento, sua garganta se contraiu e ela sentiu as lágrimas entrarem em uma inundação quente. Ela sentou-se soluçando, apertando a pedra de luz enfeitiçada contra o peito, onde pulsava e brilhava como um coração luminoso.

"Clary." A voz suave veio inesperadamente do silêncio atrás dela, fazendo-a girar em torno de seu assento. Uma figura alta estava atrás dela, como um espantalho desajeitado. Ele usava um terno de veludo preto sobre uma camisa verde-esmeralda cintilante, e um número de anéis brilhantemente cravejados de jóias cintilavam em seus dedos estreitos. Havia botas extravagantes envolvidas e muito glitter.

"Magnus?" Clary sussurrou.

"Clary, minha querida." Sua voz era tão musical como sempre. Ele se sentou ao lado dela no banco, seu manto se movendo ao redor dele como fumaça. "Você está bem?"

"Não. Eles se foram e eles levaram Simon... Jace me ligou e ele disse... ele disse..."

"Eu sei," disse Magnus. "Foi um truque sujo para jogar. Ele tem muito do pai dele, seu irmão Jonathan."

Um dia antes, uma hora até, Clary teria dito a ele para não dizer algo assim. Agora ela apenas mordeu o lábio. "Não há nada que eu possa fazer?" ela explodiu. "Deve haver alguma maneira de chegar a Idris"

"O aeroporto mais próximo está do outro lado do país. Se você conseguisse atravessar a fronteira – supondo que pudesse identificar a fronteira – haveria uma longa e perigosa jornada por terra depois disso, através de todos os tipos de território dos Seres do Submundo. Você nunca faria isso, não viajando sozinha.

Ela se virou para ele. "Mas você..."

"Eu teria que desobedecer uma ordem direta da Clave para levá-la para Idris, Clary", disse Magnus. "Eu gosto de você, mas não tanto assim."

Ela deu uma risada abafada. "Que tal um Portal? Se eu pudesse chegar a um Portal?"

"Você não pode. Os Portal|Portais em Renwick e Madame Dorothea foram destruídos, e eu não tenho ideia de onde outros Portal|Portais possam estar. Esse tipo de informação é bem guardada. E eu tenho que te dizer, Clary..."

"Deixe-me adivinhar. A Clave instruiu você a não me ajudar de forma alguma." Clary falou amargamente. "Eu sei como eles funcionam agora. Se Jace fizesse algum tipo de acordo com eles, então eles provavelmente seriam muito cuidadosos em dar a ele o que ele pediu."

"O que ele pediu?" Magnus perguntou, seus olhos de gato brilhando com curiosidade.

"Eu acho que ele disse a eles que iria levar para Simon para eles se pudessem prometer que eu seria mantida fora do que está acontecendo em Idris," Clary disse, quase com relutância.

A boca de Magnus se curvou no canto. "Ele deve realmente amar você."

"Não," disse Clary. "Eu acho que ele simplesmente não me quer por perto. Eu o deixo desconfortável."

Magnus murmurou alguma coisa. Soava como um palavrão exasperado seguido pela palavra Caçadores de Sombras, mas Clary não podia ter certeza. "Olha," ele disse, "acho que Jace provavelmente está certo. Fique fora do que está acontecendo em Idris – vai ser uma área de desastre político."

Ela olhou para ele. A luz da pedra de luz enfeitiçada captou as bordas de suas maçãs do rosto afiadas e o ouro em seus olhos de gato. "Mas Simon," disse ela. "Você acha que ele vai ficar bem?"

"Jace não disse que ele teria certeza que nada aconteceria com ele?"

"Sim," disse Clary. "Ele jurou sobre o Anjo."

"Então, eu tenho certeza que ele vai ficar bem," disse Magnus, mas ela tinha pegado a ligeira hesitação em sua voz antes de falar. Ela não disse nada em resposta, apenas virou a pedra de luz enfeitiçada em seus dedos, observando a luz cintilar no material verde-escuro de seu casaco. Apenas uma hora atrás, ela estava tão feliz em colocá-lo...

"Simon é algo muito especial, Clary," acrescentou Magnus. "Um vampiro que pode suportar a luz do dia. Ele não está desamparado. Ele pode não precisar da sua proteção. Ele faria bem em aprender a usar os dons que ele tem." Ele se levantou, uma figura espetacularmente alta e magra, escura e de pernas longas na luz fraca. "Como você faria."

A Chegada Alternativa de Simon em Alicante

fontes: Idris BR; Site da Cassandra Clare
Nota de CC: "Na versão original da história, Simon aparece em Idris como resultado de uma trapaça de Jace e não por acidente. Eu decidi que não gostei disso – Isso faria Jace muito manipulador e Clary muito complacente com suas más atitudes – então eu mudei isso; isto é, de qualquer forma, a primeira cena original em que Simon acorda em Alicante e conhece Sebastian e Aline. #Bonus: Inclusão do misterioso sobrenome de Simon." Do Capítulo 2, As Torres Demoníacas de Alicante.

"Onde nós estamos?" Simon assobiou por entre os dentes.

"Alicante," disse Jace. "A Cidade de Vidro." E, quando Simon o encarou, ele adicionou com um toque de impaciencia "Nós estamos em Idris." Ele se inclinou para fora da janela um pouco. "Veja," ele disse, indicando as torres. "Aquelas são as Torres Demoníacas. Elas são feitas do mesmo material que as nossas Estelas e nossas Lâminas Serafim são feitas. São repelentes de Demônios..."

"Por que você me trouxe aqui?" Simon questionou, interrompendo a lição de Jace sobre a geografia local.

Os olhos de Jace encontraram os dele, e por um momento havia algo dentro deles – algo quase suplicando – e, em seguida, Jace disse: "Você concordou. Isto é pela Clary."

"Eu não concordei com nada!" Simon bateu no parapeito da janela com o punho. Ele esperava que fosse se ferir, mas não, ele ainda não tinha utilizado essa sua nova força, e o golpe deixou um arranhão na pedra. "Espere." Um pensamento lhe ocorreu. "Clary? – você quer dizer que ela está aqui?" Ele se virou como se meio que esperando vê-la, mas só havia a sala de pedra mesmo. "Onde ela está?"

Jace passou a mão pelos cabelos impacientemente. "Ela não está aqui – é isso mesmo. Eu troquei ela por você."

"Você o quê? Do que você está falando? Por que alguém iria me querer em vez da Clary?"

"Escute-me," disse Jace com um pouco de sua velha malícia, "Eu certamente não, mas a Clave é um pouco peculiar desse jeito. Eles têm suas maneiras..."

"A Clave?" Simon olhou para Jace. "Você me trouxe aqui porque a Clave queria a Clary, e você concordou em me entregar em vez disso?"

"Eu sei – truque um pouco sujo, não foi?" comentou uma voz clara. Simon se virou e viu Isabelle Lightwood de pé na porta aberta. Ela usava calça escura e uma jaqueta de couro branco colada contra o qual seu cabelo parecia incrivelmente negro. Ao seu lado estava seu irmão, Alec, de jeans e camiseta de manga comprida com uma marca preta rúnica rabiscado na frente. "Jace não nos disse que você não sabia sobre isso, até estarmos prestes a atravessar o Portal," Isabelle continuou, ignorando o olhar sujo que Alec estava lhe dando. "Mamãe e papai estavam pálidos, mas o que eles poderiam fazer? A Clave é a Clave e Jace fez um acordo com eles. Nós não poderíamos voltar atrás se quisermos."

"Eu não fiz um acordo," disse Simon. Ele olhou do rosto impassível de Jace para Isabelle – sorrindo como se isso fosse tudo um jogo – para Alec, que olhou para ele com olhos azuis de suspeita e não disse nada. "Eu não concordo com nada disso."

"Você concordou," Jace disse, "quando você disse que faria qualquer coisa por Clary. Isso é qualquer coisa."

Jace estava olhando para ele quase impacientemente; Simon sentiu uma faísca de raiva dentro dele ascender e em seguida morrer. "Tudo bem." Ele se afastou da janela. "Eu disse que eu faria qualquer coisa por Clary, e é verdade. Mas me diga uma coisa: por que é que você quer tanto que Clary fique longe de Idris?"

"Oh, eu não me importo nem de um jeito ou de outro," disse Isabelle levianamente, em seguida, viu a expressão de Simon e jogou as mãos para cima. "Desculpe, você estava falando com o Jace, não estava?"

"Isabelle," disse Alec, em uma voz como um gemido.

Jace apenas olhou para Simon, de forma constante. Por um momento, Simon achou que não ia dizer nada. Finalmente, ele suspirou. "Olha, Simon..."

"Esse que é o vampiro?" veio uma voz suave da porta. Uma adolescente esbelta estava ali, um rapaz alto, de cabelos escuros ao seu lado. A menina era pequena de ossos pequenos, com cabelo preto brilhante puxado para trás de seu rosto e uma expressão travessa. Seu queixo delicado em um ponto estreitado, como um gato. Ela não era exatamente bonita, mas ela era muito marcante.

O rapaz ao lado dela era mais do que surpreendente. Ele era, provavelmente, da altura Jace, mas parecia mais alto: ele tinha ombros largos, com um rosto elegante, inquieto, todas as maçãs do rosto afiadas e olhos pretos. Havia algo estranhamente familiar nele, como se Simon o tivesse encontrado antes, embora soubesse que ele nunca tivera. Os redemoinhos confusos de marcas, levantaram-se da gola da camisa do menino, e havia uma marca de runa em seu rosto, logo abaixo de seu olho esquerdo, que surpreendeu Simon – a maioria dos Caçadores de Sombras tinham o cuidado de manter marcas fora de seus rostos.

"Podemos vê-lo?" a menina avançou, entrando na sala, o rapaz logo atrás dela. "Eu realmente nunca fiquei tão perto de um vampiro antes – não um que eu não estivesse planejando matar. Eu não posso acreditar que meus pais permitiram trazê-lo para casa." Ela olhou Simon de cima a baixo como se ela estivesse tomando suas medidas. "Ele é bonito, para um Submundano."

"Você vai ter que perdoar Aline, ela tem o rosto de um anjo e as maneiras de um demônio Moloch," disse o garoto com um sorriso, vindo para a frente. Ele estendeu a mão para Simon. "Eu sou Sebastian. Sebastian Verlac."

Simon levou um momento para perceber que o garoto estava oferecendo a mão para ele pegar. Confuso, ele apertou-a, e a mesma sensação estranha que ele teve antes passou por ele novamente: a sensação de que este rapaz era alguém que ele conhecia, alguém familiar. "Sou Simon. Simon Lewis."

Sebastian ainda estava sorrindo. "E esta é minha prima, Aline Penhallow. Aline..."

"Eu não aperto as mãos de Seres do Submundo," Aline disse rapidamente, e fui para o lado de Jace." Realmente, Sebastian, você pode ser tão bizarro às vezes." Ela falou com um leve sotaque, Simon observou – não britânico ou australiano, outra coisa. "Eles não têm alma, você sabe."

O sorriso de Sebastian desapareceu. "Aline..."

"É verdade. É por isso que eles não podem se ver em espelhos, ou ir ao sol..."

Muito deliberadamente, Simon, deu um passo para trás, para a luz do sol na frente da janela.

Ele sentiu o sol quente nas costas, no cabelo dele. Sua sombra foi lançada, longa e escura, no chão, quase alcançando os pés de Jace.

Aline respirou fundo, mas não disse nada. Era Sebastian quem falava, olhando para Simon com curiosos olhos negros: "Então é verdade," disse ele. "O que os Lightwood, disseram, mas eu não achei que..."

"Que nós estávamos dizendo a verdade?" disse Jace. "É verdade. Por isso, a Clave está tão curiosa sobre ele. Ele é único."

"Eu o beijei uma vez," disse Isabelle, para ninguém em particular.

As sobrancelhas de Aline levantaram-se. "Eles realmente deixam você fazer o que quiser em Nova York, não é?" ela disse, parecendo meio horrorizada e meio invejosa. "Eu me lembro da última vez que te vi, Izzy, você não teria sequer considerado..."

"A última vez que todos nós vimos um ao outro, Izzy tinha oito anos," disse Alec. "As coisas mudam. Agora, vamos todos ficar aqui pelo resto do dia, ou vamos descer e encontrar algo para comer – que é o que estávamos indo fazer antes Jace vir aqui para ver o Simon, não era?"

"Eu poderia comer," disse Simon, e sorriu para Aline, um sorriso largo o suficiente para mostrar sua caninos pontiagudos. Ela deu um grito de apreciação.

"Pare com isso, Lewis," disse Jace. "Olha, você pode descer se nos prometer que vai se comportar."

"Lewis? Você está me chamando pelo meu sobrenome agora?"

"Achei que era melhor do que "vampiro," disse Jace, e todos eles começaram a sair da sala, e Simon teve de concordar que, no conjunto, isso era verdade.

Jace beija Alec

fontes: Idris BR; Tumblr; Cassandra Clare no Tumblr
Cassandra Clare: “Então abaixo está, de fato, a versão original da cena que começa na página 137 de Cidade de Vidro. Na versão original, Jace realmente beija Alec, mais para fazer um ponto do que qualquer outra coisa, mas a cena resultante me fez rir, fez todos os meus parceiros criticos rirem e fez meu editor rir, histericamente. Na verdade, era muito ridículo trabalhar."

Jace olhou para Alec de forma gradual. Então ele disse, "O que há entre você e Magnus Bane?"

A cabeça de Alec virou para o lado, como se Jace o tivesse estapeado ou o empurrado. "Eu não... não há nada..."

"Eu te conheço," disse Jace o previnindo. "Eu não sou estúpido. Me conte a verdade."

"Não existe nada entre nós," disse Alec. E então encarando Jace, acrescentou com grande relutância, "mais nada. Não existe mais nada entre nós. Ok?"

"E porque isso? Magnus realmente gosta de você."

"Esqueça isso, Jace," disse Alec em um tom de aviso.

Jace não estava demonstrando nada sobre estar sendo avisado. "Magnus diz que é porque você está caidinho por mim. Isso é verdade?"

Houve um momento de silêncio absoluto. Então Alec deu um gemido desesperado de horror e levantou suas mãos para cobrir seu rosto. "Eu vou matar o Magnus. Matá-lo bem matado."

"Não. Ele cuida de você. Ele realmente cuida. Eu acredito nisso," disse Jace, soando um pouco desajeitado. "Olha. Eu não quero te pressionar em nada, mas você talvez queira..."

"Ligar para o Magnus? Olhe, esse é um fim de assunto, eu sei que você está tentando ajudar, mas..."

"...me beija? Jace finalizou.

Alec pareceu como se ele estivesse caindo de sua cadeira. "O QUÊ? O quê? O quê?"

"Uma vez que você fizesse." Jace deu seu melhor em olhar como se isso fosse o tipo de sugestão que se faz a todo o tempo. "Eu acho que isso poderia ajudar."

Alec o olhou com algo como horror. "Você não disse isso."

"Porque eu não diria isso?"

"Porque você é a pessoa mais heterossexual que eu conheço. Possivelmente a pessoa mais heterossexual do mundo."

"Exatamente," disse Jace, se encostando com rapidez, e beijou Alec na boca.

O beijo durou aproximadamente quatro segundos antes que Alec o empurrasse forçadamente, levantando suas mãos como se para evitar Jace de vir até ele novamente.

Ele parecia como se tivesse vomitado. "Pelo Anjo," ele disse. "Nunca mais faça isso."

"Oh, sério?" Jace sorriu. "Foi ruim?"

"Como se beijasse meu irmão," disse Alec, com uma aparência de horror em seus olhos.

"Eu imaginava que você poderia se sentir assim." Jace cruzou seus braços sobre seu peitoral.

"Também estava esperando que nós pudéssemos apenas maquiar toda ironia aqui em o que você disse."

"Nós podemos maquiar o que quer que você queria," disse Alec fervorosamente. "Apenas não me beije novamente."

"Eu não vou. Eu tenho outros negócios para tratar." Jace levantou, empurrando sua cadeira para trás. "Se alguém perguntar para onde eu fui, fala que eu fui dar uma caminhada."

"Para onde você está realmente indo?" Perguntou Alec, vendo-o andar até a porta. "Ver Clary?"

"Não." Jace sacudiu sua cabeça. "Eu vou no Gard. Vou ajudar o Simon a fugir da prisão."

Cena da Cabana de Ragnor Fell

fonte: Idris BR
Nota de CC: "Esse é o jeito que a cena que começa na página 160 de Cidade de Vidro, onde Clary e Sebastian visitam Magnus disfarçado como Ragnor Fell, realmente era. Houve um desenvolvimento muito mais elaborado, que eu cortei por motivos de estimulação. Mas a cena original ainda mostra Magnus em calças Saruel."

"Nós estamos aqui." Sebastian disse abruptamente – e tão abruptamente que Clary se questionou se não o teria ofendido de alguma maneira – e escorregou do dorso do cavalo. Mas seu rosto, quando ele a olhou, era somente sorrisos. "Nós fizemos um bom tempo," ele disse, amarrando as rédeas ao galho mais baixo de uma árvore próxima. "Melhor do que eu pensei que faríamos."

Ele indicou com um gesto que ela deveria desmontar, e depois de alguns momentos de hesitação, Clary também desceu do cavalo caindo em seus braços. Ela o agarrou quando ele a segurou, suas pernas estavam bambas depois de uma longa viagem. "Desculpe," ela disse envergonhada. "Desculpe... Eu não pretendia te agarrar."

"Eu não me desculparia por isso." Seu hálito estava quente em seu pescoço e ela estremeceu. As mãos dele ligeiramente subiram às costas dela relutante em deixá-la ir. "Eu gosto desse casaco," ele disse, com olhos tão persistentes quanto suas mãos haviam sido agora a pouco. "Ele não só a deixa ótima, como a cor faz seus olhos parecerem ainda mais verdes."

Isso tudo não estava ajudando as pernas de Clary sentirem-se um pouco menos instáveis. "Obrigado," ela disse, sabendo muito bem que ela estava corando e desejando de todo coração que a sua pele clara não apresentasse cor tão facilmente. "Então... é aqui?" Ela olhou ao redor – Eles estavam parados no meio de um vale entre colinas baixas. Havia um número de árvores retorcidas com aparência variadas em torno de uma clareira. Seus galhos retorcidos possuíam uma espécie de beleza escultural contra o céu azul metálico. Mas de qualquer maneira... "Não há nada aqui," Clary disse com uma careta.

"Clary." Havia riso em sua voz. "Concentre-se."

"Você quer dizer... um glamour? Mas eu normalmente não tenho que..."

"O glamour em Idris é um pouco mais forte do que em outros lugares. Você precisa tentar mais fortemente do que você costuma fazer." Ele pôs suas mãos nos ombros dela e a virou gentilmente. "Olhe para a clareira."

Clary olhou. E silenciosamente realizou o truque mental que lhe permitiu retirar o glamour da coisa escondida. Ela se imaginou esfregando terebentina em uma tela, descascando camadas de tinta para revelar a verdadeira imagem embaixo – e lá estava, uma pequena casa de pedras com um telhado acentuadamente empinado, a fumaça da chaminé torcia-se em um rabisco elegante. Um caminho sinuoso revestido com pedras levou até a porta da frente. No instante em que ela olhou, a fumaça que saia da chaminé parou seu rodopio e começou a assumir a forma de um ondulado ponto de interrogação negro.

Sebastian riu. "Eu acho que isso significa quem está aí?"

Clary apertou o casaco contra si. De repente, ela sentiu um frio inexplicável – o vento soprando no nível da grama não era tão rápido, no entanto havia gelo em seus ossos. "Parece algo saído de um conto de fadas."

Sebastian não discordou, apenas começou a subir a calçada da frente. Clary o seguiu. Quando chegaram aos degraus da frente, Sebastian pegou a mão dela. Imediatamente, a fumaça ondulada da chaminé parou de se transformar em pontos de interrogação e começou a soprar para fora em forma de um torto coração. Clary arrebatou-lhe a mão para trás, sentiu-se logo culpada, e estendeu a mão para o batente de porta para disfarçar seu constrangimento. Foi pesado e de bronze, a aldrava em forma de gato, e quando ela deixou cair ele bateu na porta de madeira com uma paulada satisfatória.

A paulada foi seguida por uma série de ruídos de estalo e clicks. A porta estremeceu e abriu-se. Além dela, Clary podia discernir apenas escuridão. Ela olhou de soslaio para Sebastian, a boca subitamente seca. Tal como uma casa de conto de fadas, ela disse. Exceto que as coisas que viviam em cabanas, nos contos de fadas nem sempre foram boazinhas...

"Ao menos não é decorada com doces e pães de gengibre," Sebastian disse, como se lesse os pensamentos dela. "Eu posso entrar primeiro, se você quiser."

"Não." Ela balançou a cabeça. "Nós vamos juntos."

Eles mal haviam passado quando a porta se fechou atrás deles, ocultando toda a luz. A escuridão era implacável, impenetrável. Algo roçou contra Clary na escuridão e ela gritou.

"Sou eu," Sebastian disse irritado. "Aqui... segure minha mão." Ela sentiu os dedos dele tatearem pelos dela na escuridão, e desta vez ela pegou em sua mão com um sentimento de gratidão. Estúpida, pensou ela, apertando os dedos Sebastian firmemente, estúpida para acabar nisso – Jace ficaria furioso...

Luz de repente cintilou na escuridão. Dois olhos brilhantes apareceram, verdes como os de um gato, pendurados contra a escuridão como jóias. Quem está aí? disse uma voz – macia como a pele, afiada como cacos de gelo.

"Sebastian Verlac e Clarissa Morgenstern. Você nos viu chegando a pé." A voz de Sebastian soava alta e forte. "Eu sei que estava nos esperando. Minha tia Elodine me contou onde achá-lo. Você fez um trabalho para ela antes..."

Eu sei quem vocês são. Os olhos piscaram, levando-os momentaneamente de volta a escuridão. Sigam a luz das tochas. "As o quê?" Clary se virou, sua mão continuava na de Sebastian, ao tempo de ver um número de tochas acenderem uma atrás da outra formando uma linha, até que um caminho foi iluminado em chamas, diante deles. Eles seguiram o caminho de tochas de mãos dadas como João e Maria seguindo a trilha de migalhas de pão na floresta escura, embora Clary se perguntava se as crianças do conto de fadas estariam com as mãos tão firmemente apertadas...

O chão rangia suavemente por baixo de seus pés. Olhando para baixo Clary viu que o caminho estava cheio de cacos de um preto brilhante, como carapaças de insetos enormes. "Escamas de dragão," disse Sebastian, seguindo o olhar dela. "Eu nunca vi tantas..."

Dragões são reais? Clary gostaria de ter dito, mas se interrompeu. Claro que dragões eram reais. O que Jace sempre dizia a ela? Todas as histórias são reais. Antes que ela pudesse repetir isso alto, o caminho abriu-se diante deles, e eles se encontraram em um jardim aberto iluminado pelos raios do sol.

Ao menos, ao primeiro olhar parecia um jardim. Haviam árvores cujas folhas brilhavam em prata e ouro, e o caminho era ladeado por bancas de flores, e no centro do jardim uma espécie de pavilhão com paredes de seda brilhante. O caminho de tochas continuava até sua frente, ladeando o pavilhão, mas ao seguirem o caminho Clary viu que as flores dos dois lados do pátio eram engenhosas criações de papel e pano. Não haviam insetos zumbindo nem pássaros cantando. E quando ela olhou para cima, ela viu que não havia céu acima de deles, apenas um pano de fundo pintado de azul e branco, com uma única luz resplandecente brilhando sobre eles, onde o sol deveria estar.

Eles chegaram ao pavilhão. Dentro dele, Clary apenas podia vislumbrar o pano, movendo-se ao brilho de luz de velas. Sua curiosidade ganhou caminho pelos seus nervos, e ela soltou a mão de Sebastian e abaixou-se através de uma brecha no cortinas de seda pesada.

Clary encarou. O interior do pavilhão parecia algo saído de uma cópia ilustrada das Mil e Uma Noites. As paredes eram de seda dourada, o chão coberto de tapetes bordados. Flutuando, bolas de ouro derramavam incenso que cheirava a rosas e jasmim, o cheiro era tão espesso e doce que a fez tossir. Haviam almofadas de contas espalhadas por toda parte e um sofá grande baixo, com almofadas espalhadas pelas bordas. Mas isso não foi o motivo de ela estar encarando. Ela estava preparada para algo fantástico, até mesmo bizarro. Ela não estava, no entanto, preparada para a visão de Magnus Bane – vestindo um colete de malha de ouro e um par de calças saruel de seda transparente – soprando suavemente em um cachimbo de água fantasticamente grande, com uma dúzia de pequenas ondas de fumaça.

"Bem-vindo à minha humilde morada." A fumaça que flutuava em torno das orelhas de Magnus transformou-se em pequenas estrelas conforme ele sorriu. "Alguma coisa que eu possa fazer por vocês? Vinho? Água? Ichor?" Clary encontrou sua voz. "Uma explicação seria ótima! O que diabos você está fazendo aqui?"

"Clary." Ela não havia percebido que Sebastian havia a seguido para dentro do pavilhão, mas ele havia, e olhava para ela horrorizado. "Não há motivos para ser rude."

"Você não entende!" Sla dirigiu-se a Sebastian consternada pelo olhar em seu rosto. "Algo não está certo..."

"Está tudo bem, Clary," ele disse. Ele virou-se para Magnus, seu queixo firmemente endurecido. "Ragnor Fell," ele começou. "Eu sou Sebastian Verlac..."

"Que ótimo pra você," Magnus disse gentilmente, e estalou seus dedos uma vez.

Sebastian congelou no lugar, sua boca ainda aberta, a mão parcialmente estendida para cumprimentar.

"Sebastian!" Clary se estendeu para tocá-lo, porém ele estava rígido como uma estátua. Apenas o lento movimento de respiração em seu peito mostrava que ele continuava vivo. "Sebastian?" ela disse, novamente, mas foi sem esperança: ela sabia de alguma forma que ele não podia ver ou ouvi-la. Ela virou-se para Magnus. "Eu não posso acreditar que você fez isso! O que, na Terra, tem de errado com você? Por acaso esse cachimbo derreteu seu cérebro? Sebastian está do nosso lado!"

"Eu não tenho um lado, Clary querida," Magnus disse com uma baforada do seu cachimbo. "E na verdade, é sua culpa eu tê-lo congelado por um tempo. Veja, você estava realmente perto de dizer a ele que eu não sou Ragnor Fell."

"Isso é porque você não é realmente Ragnor Fell."

Magnus soprou um fluxo de fumaça da sua boca e considerou-a cuidadosamente através da neblina. "Na verdade," disse ele, "para todos os efeitos, eu sou."

A cabeça de Clary tinha começado a doer, quer fosse a fumaça espessa na sala ou o esforço de conter seu impulso irresistível de socar o olho de magnus, ela não tinha certeza. "Eu não entendo." Magnus deu um tapinha no sofá ao lado dele. "Vem sentar-se perto de mim e eu vou explicar," ele pediu. "Você confia em mim, não é?"

Não exatamente, Clary pensou. Mas isso novamente, em quem ela confiava? Jace? Simon? Luke? Nenhum deles estava por perto. Com um olhar de desculpas para o Sebastian congelado, ela foi se juntar a Magnus no sofá.

Cena Extendida da Mansão

fonte:Tumblr
Nota de CC: A versão original e mais longa da cena da "mansão" de Clary e Jace, de Cidade de Vidro, capítulo 9. Eu diminuí o tom para a versão publicada do livro, principalmente por motivos de ritmo. Não, não é particularmente atrevido - mas é um pouco mais detalhado do que o que entrou no livro, então se você está querendo mais Clary/Jace, pode ser o seu beco.

O rugido do colapso desapareceu lentamente, como fumaça se dissipando no ar. Foi substituído pelo chilrear alto dos pássaros assustados; Clary podia vê-los por cima do ombro de Jace, circulando curiosamente contra o céu escuro.

"Jace," ela disse suavemente. "Eu acho que acabou."

Ele recuou um pouco, apoiando-se nos cotovelos e olhou para ela. Eles estavam perto o suficiente para que, mesmo na escuridão, ela pudesse se ver refletida em seus olhos; seu rosto estava coberto de fuligem e sujeira, o colarinho da camisa rasgado. Sem pensar, ela estendeu a mão, os dedos roçando levemente pelos cabelos dele. Ela o sentiu tenso, seus olhos escurecendo.

"Havia grama — no seu cabelo," disse ela a título de explicação. Sua boca estava seca; adrenalina cantava através de suas veias, e não apenas por causa do perigo que ela tinha acabado de entrar. Tudo o que acabara de acontecer: o anjo, a mansão destruída, parecia menos real do que o que ela via nos olhos de Jace.

"Você não deveria me tocar," ele respirou.

Sua mão congelou onde estava, a palma da mão contra a bochecha dele. "Por que não?"

"Você sabe o porquê," ele disse, e então, "Você viu o que eu vi, não viu? O passado, o anjo. Nossos pais."

"Eu vi."

"Você sabe o que aconteceu."

"Muitas coisas aconteceram, Jace—"

"Não para mim." As palavras expiraram em um sussurro angustiado. "Eu tenho sangue de demônio, Clary. Sangue de demônio. Você entendeu isso, não?"

"Isso não significa nada. Valentim estava louco. Ele estava apenas reclamando—"

"E Jocelyn? Ela estava louca?" Seus olhos perfuraram nela como exercícios dourados. "Eu sei o que Valentim estava tentando fazer. Ele estava tentando criar híbridos — anjo/humano e demônio/humano. Você é o primeiro, Clary, e eu sou o último. Eu sou parte monstro. Parte de tudo que eu tentei tanto queimar, destruir."

"Não é verdade. Não pode ser. Não faz sentido—"

"Mas faz." Havia uma espécie de desespero furioso em sua expressão quando ele olhou para ela. Ela podia ver o brilho da corrente de prata em torno de sua garganta nua, iluminada por uma chama branca pela luz das estrelas. "Isso explica tudo."

Ela balançou a cabeça com tanta força que sentiu a grama fazendo cócegas em sua bochecha. "Você quer dizer que explica por que você é um Caçador de Sombras tão incrível? Por que você é leal, destemido e honesto e todos os demônios não são—"

"Isso explica," ele disse, por igual, "porque eu me sinto do jeito que eu sinto com você."

A respiração sibilou entre os dentes. "Jace — o que você quer dizer?"

Ele ficou em silêncio por um longo momento, olhando para ela — por tanto tempo, na verdade, que ela se perguntou se ele planejava falar alguma coisa, ou se apenas olhar era o suficiente; afinal, ela estava olhando para ele tão impotente quanto. Seus olhares estavam fixados como engrenagens; ela não podia mais desviar o olhar do que poderia respirar com água em seus pulmões.

"Você é minha irmã," ele disse, finalmente, "Minha irmã, meu sangue, minha família. Eu deveria querer te proteger —" ele riu silenciosamente e sem qualquer humor — "te proteger do tipo de garotos que querem fazer com você exatamente o que eu quero fazer com você."

A respiração de Clary ficou presa. Ele ainda estava olhando para ela, mas sua expressão havia mudado — havia um olhar em seu rosto que ela nunca tinha visto antes, uma luz sonolenta, mortal, quase predatória em seus olhos. Ela estava repentina e agudamente consciente da forte pressão do corpo dele no seu, os ossos de seus quadris encaixando-se contra os dela, e ela sofria em todos os lugares que não o tocava, doía com uma dor quase física.

O que eu quero fazer com você, ele havia dito. Não pensando em mais nada, mas no quanto ela o queria, ela deixou seus dedos descerem por sua bochecha até seus lábios, delineando a forma de sua boca com a ponta do seu dedo indicador.

Ela foi recompensada pela pegada em sua respiração, o súbito escurecimento de seus olhos. Ele não se mexeu.

"O que exatamente é isso que você quer fazer comigo?" ela sussurrou.

A luz em seus olhos era uma chama. Lentamente, ele inclinou a cabeça até que seus lábios estavam contra o ouvido dela. Quando ele falou, ela sentiu sua respiração fazendo cócegas em sua pele, fazendo-a tremer: "Eu poderia te mostrar." Ela não disse nada. Mesmo que ela pudesse ter reunido seus pensamentos dispersos para compor as palavras, ela não queria dizer a ele para parar. Ela estava cansada de dizer não a Jace — de nunca se deixar sentir o que seu corpo queria que ela sentisse.

Seja qual for o custo...

Ela o sentiu sorrir, seus lábios contra o ouvido dela. "Se você quer que eu pare, me diga agora," ele sussurrou. Quando ela ainda não disse nada, ele roçou a boca contra o oco de sua têmpora, fazendo-a tremer. "Ou agora." Seus lábios traçaram suas maçãs do rosto no mais leve dos beijos, um beijo de borboleta. "Ou agora." Sua boca traçou a linha de sua mandíbula. "Ou agora." Seus lábios estavam contra os dela, suas palavras faladas em sua boca. "Agora," ele sussurrou, e a beijou.

A princípio, a pressão de seus lábios foi gentil, buscando; mas quando ela respondeu instantaneamente — deslizando os braços ao redor dele, enredando as mãos em seu cabelo — ela sentiu a tensão cautelosa em seu corpo mudar para outra coisa. De repente, ele estava beijando-a com uma pressão contundente, seus lábios esmagando os dela. Ela provou sangue em sua boca, mas não se importou. Havia pedras cavando em suas costas, e seu ombro doía onde ela tinha caído da janela, mas ela não se importava com isso também. Tudo o que existia era Jace; tudo o que ela sentia, esperava, respirava, queria e via era Jace. Nada mais importava.

Ele interrompeu o beijo, recuando, e ela o soltou com um ruído suave de protesto relutante. Sua boca estava inchada, seus olhos enormes e escuros, quase negros de desejo. Ele pegou os botões de seu casaco, tentou soltar o primeiro, mas suas mãos tremiam tanto que ele não conseguiu. Clary colocou a mão sobre a dele, maravilhada interiormente com a sua própria calma — certamente ela deveria estar tremendo tanto quanto ele?

"Deixe-me," disse ela.

Ele ficou imóvel. Ele a observou enquanto ela abria os botões, seus dedos trabalhando o mais rápido que podiam. O casaco caiu aberto. Embaixo, ela estava vestindo apenas uma blusa fina de Amatis e o ar frio da noite atravessou o material, fazendo-a ofegar. Ela levantou os braços para cima. "Volte," ela sussurrou. "Beije-me novamente."

Ele fez um barulho abafado e caiu nos braços dela como alguém vindo em busca de ar depois de quase se afogar. Ele beijou suas pálpebras, bochechas, garganta, antes de voltar para os lábios: o beijo deles era frenético agora, quase desajeitado em sua febre — tão diferente de Jace, que nunca parecia se apressar, ou apressar qualquer coisa... Sem o casaco entre eles, ela podia sentir o calor dele, queimando através de sua camisa e da dela; as mãos dele deslizaram ao redor dela, sob a alça de seu sutiã, traçando sua espinha, seu toque queimando sua pele nua. Ela queria mais de seu toque, suas mãos sobre ela, sua pele em sua pele — ela queria tocá-lo em todos os lugares, segurá-lo enquanto ele tremia como se ele estivesse tremendo agora — e para que não houvesse mais espaço entre eles.

Ela puxou a jaqueta e depois, de alguma forma, a camisa dele estava fora também. Suas mãos exploraram o corpo um do outro: ela correu os dedos pelas costas dele e sentiu a pele macia sobre os músculos, e algo que ela não esperava, embora ela devesse — cicatrizes, como fios finos espalhados por sua pele. Ela supôs que eram imperfeições, essas cicatrizes, mas não pareciam assim para ela; elas eram as marcas da história de Jace, cortadas em sua pele: o mapa topográfico de uma vida de matar e lutar.

Ela acariciou a cicatriz em forma de estrela em seu ombro e levantou-se para escovar a boca através dela. Algo bateu contra sua clavícula com um forte choque frio. Ela recuou com uma exclamação de surpresa.

Jace se levantou nos cotovelos para olhar para ela. "O que é isso?" Sua voz era lenta, quase drogada. "Eu machuquei você?"

"Na verdade não. Foi isso. Ela estendeu a mão e tocou a corrente de prata em volta do pescoço dele. Na sua extremidade pendia um pequeno círculo prateado de metal. Estava gelado ao toque.

Aquele anel — o metal castigado pelo tempo com seu padrão de estrelas — ela conhecia aquele anel.

O anel Morgenstern. Era de Valentim, e Valentim passara para Jace, como sempre fora transmitido: de pai para filho.

"Sinto muito," disse Jace. Ele estava traçando a linha de sua bochecha com a ponta do dedo, uma intensidade onírica em seu olhar. "Eu esqueci que eu estava vestindo a maldita coisa."

O frio repentino inundou as veias de Clary. "Jace," disse ela, em voz baixa. "Jace, não."

Ponto de Vista de Jace da Cena da Mansão

fontes: Idris BR; Site da Cassandra Clare
Nota de CC: Através dos anos, muitas pessoas me pediram isso – o ponto de vista do Jace da cena “ardente e intensa” em ESTE SANGUE CULPADO, capítulo nove de Cidade de Vidro (página 193 da edição brasileira). Tomei algumas liberdades aqui – a cena se passa alguns momentos depois do que acontece na versão impressa de Cidade de Vidro – mas assim foi feito no projeto original!
Os pedaços abaixo em itálico são as partes do livro original, para ajudá-lo a localizar mentalmente a colocação da cena.

"Clary ouviu um forte barulho tamborilar ao seu redor. Por um momento confuso ela pensou que tinha começado a chover, então ela percebeu que era entulho, sujeira e cacos de vidro: os detritos da mansão destruída sendo arremessado ao redor deles como granizo mortal.

Jace pressionou-a mais forte contra o chão, com o corpo contra o dela, seu batimento cardíaco quase tão alto em seus ouvidos como o som dos entulhos da casa de campo caindo."

* * *

Mais tarde, Jace se lembrava pouco sobre a destruição da casa em si, rompendo com única casa que ele tinha conhecido até ter dez anos. Lembrou-se apenas da queda da janela da biblioteca, lutando e rolando sobre a grama, e agarrando a Clary, girando-a para baixo dele, cobrindo-a com seu corpo enquanto pedaços da casa chovia em torno deles como granizo.

Ele podia sentir a respiração da menina, os batimentos de seu coração. Ele se lembrou de seu falcão, do jeito que tinha se aconchegado, cego e confiante, em sua mão, a rapidez de seu batimento cardíaco. Clary estava segurando-o pela frente da camisa, embora ele duvidava que ela percebesse, o rosto em seu ombro, ele estava desesperadamente com medo de que não fosse suficiente, que ele não poderia cobri-la completamente, protegê-la inteiramente. Ele imaginou pedras tão grandes como elefantes caindo em todo o terreno rochoso, pronto para esmagar os dois, para esmagá-la. O chão estremeceu com eles e ele se apertou mais contra ela, como se isso pudesse ajudar de alguma forma. Foi o pensamento mágico, ele sabia, como fechar os olhos para que você não visse a faca que vem em você.

O bramido havia desaparecido. Ele percebeu, para sua surpresa, que ele pudia ouvir de novo: pequenas coisas, o som dos pássaros, o ar entre as árvores. A voz de Clary, sem fôlego. "Jace, acho que você deixou cair a sua estela em algum lugar."

Ele afastou-se e olhou para ela. Ela encontrou seu olhar firme. No luar seus olhos verdes poderiam ter sido preto. Seu cabelo vermelho estava cheio de poeira, com o rosto manchado de fuligem. Ele podia ver o pulso em sua garganta. Ele disse a primeira coisa que ele pensou, atordoado, "Eu não me importo. Contanto que você não esteja ferida."

"Estou bem." Ela estendeu a mão, os dedos roçando levemente pelo seu cabelo, seu corpo, super-sensibilizado pela adrenalina, sentiu como faíscas contra sua pele. "Tem grama em seu cabelo," disse ela.

Havia preocupação em seus olhos. Preocupação com ele. Lembrou-se da primeira vez que ele a beijou, na estufa, como ele tinha finalmente conseguido, finalmente entendeu como a boca de alguém contra sua poderia desfazer-lo, fazê-lo girar e sem fôlego. Que todos os conhecimentos do mundo, todas as técnicas que conhecia ou tinha aprendido, saiu pela janela quando ela era a pessoa certa que você estava beijando.

Ou a errada.

"Você não devia ter me tocado," ele disse.

A mão dela parou onde estava, sua palma contra sua bochecha. "Por que não?"

"Você sabe porquê. Você viu o que eu vi, não viu? O passado, o anjo. Nossos pais."

Os olhos dela escureceram. "Eu vi."

"Você sabe o que aconteceu."

"Muitas coisas aconteceram, Jace..."

"Não comigo." As palavras saíram como um sussurro angustiado. "Eu tenho sangue de demônio, Clary. Sangue de demônio. Você entende isso, não entende?"

Ela abriu a boca. Ele sabia o quanto ela detestava a sugestão de que ela não tinha entendido alguma coisa, ou não sabia, ou não precisava saber. Ele adorava isso nela e ela o expulsou de sua mente. "Isso não quer dizer nada. Valentim era um louco. Ele só estava com raiva..."

"E Jocelyn? Ela era louca? Eu sei o que Valentim estava tentando fazer. Ele estava tentando criar híbridos – anjo/humano, e demônio/humano. Você o primeiro, Clary, e eu o último. Sou parte monstro. Parte de algo que tentei muito queimar, destruir."

“Isso não é verdade. Não pode ser. Não faz sentido.”

"Mas faz." Como ela poderia não entender? Isso parecia tão óbvio para ele, tão básico. "Isso explica tudo."

"Você quer dizer que explica porque você é um incrível Caçador das Sombras? Porque você é leal, corajoso, honesto e tudo que demônio não é..."

"Isso explica," ele disse calmamente, "porque eu sinto isso por você."

A respiração saindo entre os dentes dela. "O que você quer dizer?"

"Você é minha irmã," ele disse, "Minha irmã, meu sangue, minha família. Eu deveria querer lhe proteger -" ele sufocou as palavras – "lhe proteger dos garotos que querem fazer com você exatamente o que eu quero fazer com você."

Ele ouviu ela prendendo o fôlego. Ela ainda estava olhando para ele, e se ele tivesse esperado para ver o horror em seus olhos, uma espécie de repulsa, – ele não pensou que já tivesse se declarou de forma tão clara ou mais grosseira sobre como ele se sentia – ele não viu nada do tipo. Ele viu apenas alguma curiosidade, como se estivesse examinando o mapa de algum país desconhecido.

Quase distraidamente, ela deixou que os dedos de Jace arrastassem de baixo de sua bochecha para os lábios, delineando o formato da boca com a ponta do indicador dele, como se estivesse traçando um curso. Havia admiração em seus olhos. Ele sentiu seu coração sob seu corpo, sempre traidor, responder ao toque dela.

"O que exatamente você quer fazer comigo?" Ela sussurrou.

Ele não conseguiu se segurar. Ele inclinou-se, encostou seus lábios na orelha dela: "Eu posso lhe mostrar."

Ele a sentiu tremer, mas apesar do tremor em seu corpo, seus olhos o desafiou. A adrenalina no seu sangue, misturado com o desejo e a irresponsabilidade do desespero, fez o seu sangue cantar. Eu vou mostrar a ela, pensou. Metade dele estava convencida de que ela iria afastá-lo. A outra metade era muito cheio de Clary: sua proximidade, a sensação dela contra ele – para pensar direito. "Se você quer que eu pare, diga agora," ele sussurrou, e quando ela não disse nada, ele roçou seus lábios contra sua têmpora. "Ou agora." Sua boca encontrou seu rosto, a linha do queixo: ele provou sua pele, doce-salgado, poeira e desejo. "Ou agora." Sua boca traçou a linha da mandíbula dela e ela arqueou-se para ele, fazendo com que seus dedos cavassem no chão. Seu cheiro, as respirações ofegantes estavam deixando-o louco, e ele colocou a boca sobre a dela para acalmá-la, sussurrando, dizendo, não perguntando: "Agora."

E ele a beijou. Delicadamente primeiro, testando, mas de repente suas mãos estavam nas costas da camisa dela, e sua suavidade foi pressionado contra seu peito e ele sentiu a terra sólida cedendo sob ele quando ele caiu. Ele estava beijando-a da maneira como ele sempre quis, com um abandono selvagem e total, sua língua varrendo dentro de sua boca duelando com a dela, e ela era tão ousada quanto ele, provando-o, explorando sua boca. Ele estendeu a mão para os botões do casaco dela, assim quando ela mordeu levemente o lábio inferior e todo o seu corpo estremeceu.

Ela colocou as mãos sobre a dele, e por um momento ele estava com medo que ela ia dizer-lhe para parar, que isso era uma loucura, que eles iriam se odiar tanto no dia seguinte. Mas: "Deixe," disse ela, e ele ficou quieto enquanto ela calmamente abriu os botões do casaco e ele caiu. A camisa que usava por baixo estava quase pura, e ele podia ver a forma de seu corpo por baixo: as curvas de seus seios, o recuo de sua cintura, o alargar de seus quadris. Ele sentiu-se tonto. Ele tinha visto o de outras meninas antes, é claro que ele tinha, mas nunca tinha importado.

Mas agora nada mais importava.

Ela levantou os braços, com a cabeça jogada para trás, pedindo em seus olhos. "Volte," ela sussurrou. "Beije-me de novo."

Ele fez um barulho que ele achava nunca ter feito antes e pressionou-se contra ela, beijando-lhe as pálpebras, lábios, garganta, pulso – suas mãos deslizavam sob sua fina camisa e o calor de sua pele . Ele tinha certeza de que todo o sangue tinha deixado seu cérebro quando ele se atrapalhou no fecho do sutiã – o que era ridículo, qual era a razão de ser um Caçador de Sombras e perito em tudo, se você não consegue abrir o fecho de um sutiã? – E ouviu a sua própria exalação suave quando conseguiu abrir e suas mãos estavam em suas costas nuas, a forma frágil de suas omoplatas sob as palmas das mãos. De alguma forma o pouco barulho que ela fez foi mais erótico do que ver alguém nu nunca tinha sido.

Suas mãos, pequenas e determinadas, foram na bainha de sua camisa, puxando-a. Ele puxou a camisa dela até suas costelas, querendo mais que suas peles se tocassem. Portanto, esta foi a diferença, ele pensou. Isso era o que significava estar apaixonado. Ele sempre se orgulhou de sua técnica, em ter controle sobre a resposta que poderia descobrir. Mas isso requer avaliação, e avaliação requer distância e não havia nenhuma distância agora. Ele não queria nada entre ele e Clary.

Suas mãos encontraram o cós da calça jeans, a forma de seus quadris. Ele sentiu os dedos dela em suas costas nuas, as pontas encontram suas cicatrizes e traçando-a levemente. Ele não tinha certeza de que ela sabia o que estava fazendo, mas ela estava revirando os quadris contra o seu, deixando-o trêmulo, fazendo-o querer ir muito rápido. Ele estendeu a mão e apertando-a mais firmemente contra ele, alinhando os quadris dela com no seu, e sentiu o suspiro em sua boca. Ele pensou que ela poderia se afastar, mas ela pos a perna sobre seu quadril, puxando-o ainda mais. Por um segundo, ele pensou que poderia desmaiar.

"Jace," ela sussurrou. Ela beijou seu pescoço, sua clavícula. Suas mãos estavam em sua cintura, movendo-se sobre seu peito. Sua pele era surpreendentemente suave. Ela levantou-se quando ele deslizou as mãos debaixo de seu sutiã, e beijou a marca em forma de estrela em seu ombro. Ele estava prestes a perguntar-lhe se o que ele estava fazendo era certo, quando ela se afastou bruscamente, com uma exclamação de surpresa...

* * *

"O que foi?" Jace congelou. "Eu te machuquei?"

"Não. É isso." Ela tocou a corrente de prata no seu pescoço. Em sua extremidade pendia um círculo pequeno de prata metálica. Ele tinha colidido contra ela quando ela se inclinou para frente. Ela olhou para ele agora.

Esse anel de metal castigado pelo tempo com o seu padrão de estrelas, ela sabia que era.

O anel de Morgenstern. Era o mesmo anel que brilhava na mão do Valentim no sonho que o anjo mostrou a eles. Ele tinha sido seu, e ele tinha dado a Jace, como sempre tinha sido transmitida de pai para filho.

"Eu sinto muito," disse Jace. Ele traçou a linha de sua bochecha com a ponta do dedo, uma intensidade de sonho em seu olhar. "Eu esqueci que eu estava usando essa maldita coisa."

Frio repentino inundou veias de Clary. "Jace," ela disse, em voz baixa. "Jace, não."

"Não o quê? Não usar o anel?"

"Não, não... não me toque. Pare um segundo."

História de Jocelyn

fonte: Idris BRSite de Cassandra Clare
Nota de CC: Essa é a história da vida pregressa de Jocelyn, conforme contada para Clary, então se lembre – "você" nessa história é Clary, escutando. Apesar de ter sido originalmente escrita como parte de Cidade de Vidro, o qual foi muito longo e explicativo, teve que ser reduzido e alterado. Embora seja divertido acreditar que esta é a forma como as coisas eram para Jocelyn, este trecho tem que ser considerado não-canônico ou um universo alternativo, por isso não se surpreenda se acontecimentos futuros dos Caçadores de Sombras contradizerem esta versão dos acontecimentos, ou se isso se contradiz em Cidade de Vidro.

"Eu conheci o seu pai na escola, na mesma época que você conheceu Simon. Todo mundo deveria ter um amigo como esse em suas vidas. Mas ele não era um amigo pra mim – Luke foi. Estávamos sempre juntos. De fato, no início, eu odiava Valentim, porque ele tinha levado Luke para longe de mim.

"Valentim era o aluno mais popular da escola. Ele era tudo o que você esperaria de um líder natural – bonito, brilhante, com o tipo de carisma que levou os alunos mais jovens a adorá-lo. Ele foi muito gentil, mas havia algo sobre ele que me assustava – ele brilhava, mas com uma espécie de luminosidade fria, como um diamante. E como um diamante, ele tinha uma ponta afiada.

"Quando ele tinha dezessete anos, teve seu pai morto em uma operação de ataque aos licantropes. Não foi um ataque padrão – o grupo não tinha feito nada para quebrar a lei, mas eu só descobri isso anos depois. O que eu sabia era que Valentim tinha voltado à escola totalmente mudado. Você podia ver que ele estava afiado o tempo todo, podia ver o perigo nele. Então ele começou a recrutar.

"Ele atraiu outros alunos, como mariposas à luz – e, como mariposas, seu anseio por ele provaria a ruína de muitos deles no final. Ele trouxe Hodge, e Maryse e Robert Lightwood – os Penhallow, os Wayland. Ele se aproximou de mim, muitas vezes, mas eu estava à frente de tudo, observando, desconfiando. E então ele foi pro Luke...

"Eu sei que muitas vezes Luke se perguntou se Valentim o queria no grupo. Ele não era um guerreiro no momento, não era um lutador nato. Eu nunca disse, mas às vezes eu pensava que Valentim o via como um meio para um fim. Um meio para mim...

"Valentim era alguém que sempre soube o que queria. E ele me queria. Eu nunca soube o porquê. A primeira vez que eu o vi olhando pra mim através do pátio de treinamento, eu soube. O olhar na cara dele – não era melancólico, ou de anseio, era calculista e de certeza. O olhar de alguém que dirige seus olhos ao longo do menu e sabe exatamente o que quer no fim. Seu desejo frio me assustou. Mas quando ele chamou Luke para o Ciclo, e Luke falou encantadoramente do seu brilho e de sua bondade, eu sabia o que tinha que fazer. Eu tive que me juntar ao Ciclo, para ver o que meu amigo tinha visto nele.

"De certa forma, Valentim – seu pai – era exatamente como Luke havia descrito. O Ciclo se reunia a cada noite, muitas vezes no em locais desertos ou na floresta, sob as árvores, e Valentim falava sobre seus temas de perversão: os demônios, Seres do Submundo, e o que ele achava sobre as leis da Clave. Tanto quanto lhe dizia respeito, o Anjo nunca quis viver em paz com Seres do Submundo, e sim queria limpá-los da face do planeta, juntamente com os demônios. Os acordos eram uma farsa; nunca fomos feitos para viver em harmonia com "metade homens."

"Suas palavras eram ardentes, mas seu comportamento era – gentil. Ele tinha um jeito de fazer você se sentir como se você fosse a única pessoa no mundo que importava para ele, o único cuja opinião ele realmente respeitava. Suas crenças eram absolutas e assim foi sua dedicação ao Ciclo. Eu vim para vê-lo como mal, por causa do fanatismo, mas na época de sua convicção me fascinou. Ele parecia estar cheio de paixão. Eu podia ver o que o Luke viu nele. Logo, eu estava meio que apaixonada por ele.

"Mas assim eram todas as meninas no Ciclo e, provavelmente, alguns dos rapazes também. Você não pertence a algo como isso – um culto da personalidade – sem ser um pouco apaixonada pelo seu líder. Valentim começou a me pedir pra ficar após as reuniões, só para falar com ele. Ele disse que valorizava minha mente e minha inteligência prática desapaixonada. Eu poderia dizer que as outras meninas ficaram com inveja. Tenho certeza de que elas pensavem – bem, você pode imaginar o que elas pensavam. Mas nada estava acontecendo entre nós. Valentim realmente só queria falar – sobre o futuro, sobre a Lei, sobre o Ciclo e para onde isso estava indo. No fim das contas, eu fui a única que desisti e o beijei primeiro.

"'Eu sabia,' foi a primeira coisa que ele disse, e então ele disse: 'Eu sempre te amei, Jocelyn.' E você sabe, ele falava sério. Ficamos a noite toda na floresta conversando. Ele me contou como ele imaginou que lideraríamos o Ciclo juntos, para sempre. Ele me disse que não poderia fazer isso sem mim. Ele disse, 'Eu sempre soube que você iria me amar também, eu não tive nenhuma dúvida.'

"Eu não tinha ideia de porque ele me escolheu. Para mim, não havia nada de especial em mim. Mas Valentim fez a sua escolha clara: a partir daquele momento, nós estávamos juntos, e ele nunca olhou para outra mulher, não desse jeito, não naquele momento e não em todos os anos que estávamos casados. As outras meninas pararam de falar comigo, mas parecia um preço pequeno a pagar. Luke... Luke estava feliz por mim. Fiquei um pouco surpresa com isso, mas ele estava feliz. Eu poderia dizer.

"Ele era tão dedicado que levei muito tempo para notar as mudanças nele. Era como se a morte de seu pai tivesse raspado algumas camadas de amolecimento da humanidade a partir dele, e agora ele era estranhamente, particularmente cruel – mas apenas em flashes, tão curtos que eu poderia dizer que nunca tinham acontecido.

"Havia uma menina na nossa classe que queria entrar no Ciclo. Seu irmão mais velho tinha sido mordido por um vampiro, e agora era um: ele deveria ter se matado, ou deixado sua família o matar, mas ele não tinha. Valentim deu-lhe uma ponta de metal afiada e lhe disse para sair e matar seu irmão trazendo as suas cinzas; só então ela poderia ser permitida no Ciclo. A menina saiu correndo chorando. Eu confrontei-o mais tarde, lhe disse que não podia ser tão cruel ou ele não seria melhor que os próprios Seres do Submundo. 'Mas ele é um monstro,' disse ele. Eu disse a ele que seu irmão poderia muito bem ser um monstro, mas ela não era. Ele foi Nephilim, e não havia nenhuma desculpa para torturá-lo. Eu achava que estava sendo tão ampla e tolerante que me constrange pensar sobre isso agora.

"Eu pensei que ele ficaria com raiva de ser repreendido, mas ele não ficou. Ele diminuiu. 'Eu tenho medo de me perder em tudo isso, às vezes, Jocelyn,' disse. 'É por isso que eu preciso de você. Você me mantém humano.' Era a verdade. Eu sempre poderia afastá-lo dos planos mais extremos, desviar a sua raiva, acalmá-lo. Ninguém mais poderia fazer isso. Eu sabia que tinha esse poder sobre ele e isso me fez sentir importante, indispensável. Acho que confundi aquele sentimento com amor...

-

"Depois que deixamos a escola, nos casamos no Salão dos Acordos, com todos os nossos amigos lá. Mesmo assim eu tinha dúvidas. Olhei para cima durante a cerimônia e vi através do telhado de vidro um bando de pássaros voando no céu. Senti um súbito pânico, tão forte que meu coração acelerou no meu peito como as asas de uma dessas aves. Eu sabia que minha vida nunca mais seria a mesma. Eu tentei pegar os olhos de Luke – ele estava com sua irmã, na primeira fila de convidados, e apesar de Amatis sorrir na minha direção, Luke não iria olhar para mim...

"Nós fomos morar em uma mansão no campo fora de Alicante que os meus pais tinham, no entanto, desde que eles ficaram mais velhos, se mudaram para uma casa no canal dentro da cidade. O próprio Valentim havia crescido em uma casa nas bordas da Floresta Brocelind, mas ele alegou que era desabitada desde a morte de seus pais, e eu estava feliz o suficiente por morar na mansão. Nós estávamos somente um quarto de milha da casa de nossos amigos, os Wayland — conveniente para Valentim, já que Michael Wayland era um dos mais entusiasmados membros do Ciclo, e visitar os Wayland nos impediu de ficarmos muito próximos um do outro o tempo todo.

"Eles dizem que os homens mudam depois do casamento. Se Valentim mudou ou se eu simplesmente comecei a ver mais claramente a sua verdadeira natureza, eu não sei. Ele tornou-se cada vez mais obcecado com a sua causa e cada vez mais cruel em sua execução. Ele manteve a ficção de que ele nunca matou um Membro do Submundo que não tinha quebrado os Acordos, mas eu sabia que não era verdade. Uma noite, ele levou o Ciclo para matar uma família de lobisomens em sua casa, alegando que tinham sido assassinos de crianças humanas e que tinham queimado seus corpos, e de fato, na lareira encontramos muitos ossos carbonizados. Mais tarde, ouvi Valentim rindo com Hodge dizendo que era muito fácil obter ossos humanos na Cidade dos Ossos, se alguém se importar em procurar por eles.

"Ele começou a desaparecer da nossa cama tarde da noite, fazendo o seu melhor para não me acordar, e quando ele voltava de madrugada, cheirava a sangue e pior. Achei roupas ensanguentadas na lavanderia, feridas e arranhões estranhos em suas mãos e braços. Eu ficava acordada a noite com os gritos e mais gritos que pareciam vir de dentro das paredes da casa.

"Eu o confrontei com estas coisas, exigi que ele me dissesse o que ele realmente estava fazendo todas as noites. Mas ele apenas riu. 'Você está imaginando coisas, Jocelyn,' ele disse. 'É provavelmente por causa do bebê.' Olhei para ele. 'Por causa do bebê? Que bebê?'

Ele estava certo, é claro. Eu estava grávida. Ele sabia antes de mim. Tentei anular os meus medos, disse-me que ele estava apenas tentando me proteger. Não havia lugar para uma mulher grávida nas reuniões do Ciclo, ele me disse, então fiquei em casa. Eu estava sozinha... Eu implorei para Luke vir me visitar, mas ele raramente tinha tempo. O Ciclo e suas relações o mantinham ocupado. Mas como eu poderia reclamar? Valentim era um marido extremamente atencioso, nunca me deixando levantar a mão, trazendo-me o reforço das bebidas que ele misturava, o chá forte, doce, todas as noites em que me colocou pra dormir direito. E às vezes quando eu acordava com lesões ou contusões, bem, Valentim me disse que era porque eu tinha sonambulismo – uma doença comum entre as mulheres grávidas, ele me assegurou.

"E então uma noite eu fui acordada por um barulho terrível na porta. Corri as escadas e encontrei Luke sendo carregado como uma criança, e o sangue estava por todas as partes. Valentim estava balançando seus pés em exaustão. 'Ataque de lobisomem,' ele disse. 'Pode ser tarde demais...'

"Mas eu não iria saber que era tarde demais. Eu o ajudei a arrastar Luke para um quarto de repouso, e enviei uma mensagem para Ragnor Fell, o bruxo dos meus pais, muitas vezes solicitado no caso de doenças. Mordidas licantropas não respondem a runas de cura – há muita força demoníaca sobre eles. Luke estava gritando e se debatendo na imersão de folhas com sangue; fiquei limpando o sangue de seu ombro, mas mais viria, e muito mais. Valentim estava ao lado dele, olhando para baixo. 'Talvez eu devesse tê-lo deixado morrer,' disse ele, seus olhos negros queimando, 'talvez isso fosse mais misericordioso do que o que está vindo com ele.'

"'Não diga isso,' eu lhe disse. 'Nunca diga isso. Nem todas as picadas resultam em licantropia.' E depois Valentim deixou de lado seu discurso sobre abandonar Luke e ficou de lado enquanto tratamos dele. Dormi no quarto do Luke naquela noite, e na parte da manhã ele estava acordado e saudável e era capaz de sorrir.

"Não que alguém tenha sorrido naquelas três semanas. Eles disseram que há uma chance em duas de que uma mordida de lobisomem vai passar licantropia. Eu acho que é mais como três em quatro. Eu raramente vi alguém escapar da doença, e por mais que eu silenciosamente tenha orado naquelas semanas horríveis, Luke não foi exceção. Na próxima lua cheia, ele se Transformou.

"Ele estava ali à nossa porta de manhã, coberto de sangue, a roupa rasgada em trapos. Estendi meus braços para ele, mas Valentim me colocou de lado. 'Jocelyn, o bebê,' ele disse. Como se Luke estivesse prestes a correr para mim e rasgar o bebê para fora do meu estômago, como se eles quisesse fazer algum mal. Era Luke, mas Valentim o empurrou para baixo, para a floresta.

"Quando ele voltou muito tempo depois, ele estava sozinho. Corri até ele. 'Onde está Lucian? Onde ele está' Exigi.

"'Eu lhe dei uma faca e disse para ele fazer o que deve. Se ele tem honra, ele vai fazer como eu disse.' Eu sabia o que ele queria dizer. Ele tinha dito para Luke se matar e era quase certo de que ele iria fazer isso.

Eu acho que devo ter desmaiado. Lembro de uma terrível escuridão gelada, e depois de acordar na minha própria cama, com Valentim ao meu lado. Ele estava acariciando meus cabelos. 'Não chore por ele agora,' ele disse, 'deveríamos ter lamentado semanas atrás, quando ele realmente morreu. Aquele que estava à nossa porta esta manhã, não era Luke.'

"Mas eu não acreditava nele. Eu já tinha visto os olhos de Luke, eu o vi está manhã, eu gostaria de ver aqueles olhos em qualquer lugar. Aqueles olhos não pertenciam a nenhum monstro. Então eu soube, com uma certeza horrível, em que perder Luke, eu tinha perdido a coisa mais importante da minha vida.

"Uma terrível miséria desceu sobre mim. Se não tivesse sido por causa do bebê, eu não acho que teria comido ou dormido nos próximos meses, meses terríveis. Minha única esperança era de que Luke não tivesse tirado sua própria vida, e que simplesmente tivesse fugido. Fui à Amatis na esperança de que ela me ajudasse a encontrá-lo, mas ela tinha seus próprios momentos para enfrentar. Valentim tinha tomado Stephen como seu novo tenente no lugar de Luke, mas não podia tolerar o casamento de Stephen com Amatis. Ele alegou que era porque ela se opusera ao tratamento do seu irmão, mas eu senti que era porque Amatis despertou sua culpa sobre Luke. Em ambos os casos, ele convenceu Stephen a se divorciar e se casar novamente com uma bela jovem chamada Céline. Amatis ficou devastada tanto que ela se recusou a me ver, me culpando, juntamente com Valentim pela sua infelicidade. E assim eu perdi mais um amigo.

"Em desespero, fui atrás de Ragnor Fell e lhe supliquei para dar uma notícia para Luke entre os Seres do Submundo. Ele ficou em silêncio durante um longo tempo e finalmente disse, 'Há aqueles que me olhariam muito mal por te ajudar.'

"'Mas você conhece a minha família por muitos anos,' eu protestei. 'Você me conhece desde que eu era uma menina.'


"'Isso era quando você era Jocelyn Fairchild. Agora você é Jocelyn Morgenstern, a esposa de Valentim.' Ele disse o nome de Valentim como se fosse veneno.

"'Valentim somente mata aqueles que quebram os Acordos.' Eu disse fracamente, pensando na família de lobisomens e os ossos que ele havia pendurado na lareira. Mas certamente aquela poderia ter sido a única vez?

"'Isso não é verdade,' disse Fell, 'e ele fez coisas piores que matar. Se eu fizesse isso para você, se eu procurasse Lucian Graymark, você deve fazer algo por mim. Uma noite, você deve seguir seu marido e ver aonde ele vai.'

"E então eu fiz. Uma noite, eu simplesmente fingi beber o chá que ele me trouxe, e fingi que cai no sono ao lado dele. Quando ele se levantou e saiu da sala, eu o segui. Eu o vi entrando na biblioteca e pegando um livro da parede, e quando ele o removeu, a parede deslizou e apareceu um buraco escuro atrás...


"Eu nunca contei a você a história da esposa do Barba Azul quando você era uma criança, contei? Eu duvido que tenha contado, a história ainda me assusta. O marido que falou para sua mulher nunca olhar dentro de um quarto trancado, e ela olhou, e achou os restos de todas as esposas que ele havia assassinado antes dela, como borboletas em uma caixa de vidro. Eu estava assustada – mas eu havia prometido para Fell. Eu tinha que descobrir o que Valentim estava fazendo. Uma noite eu esperei ele sair de casa, e fui até a biblioteca e retirei o livro de seu lugar.

"Eu usei minha luz enfeitiçada para me guiar na escuridão. O cheiro – oh, o cheiro lá embaixo, como sangue e morte e podridão. Ele havia escavado um lugar embaixo do chão onde uma vez havia sido a adega. Havia celas lá com coisas presas nelas. Criaturas demoníacas, presas com correntes elétricas, contorcendo-se, caindo pesadamente e murmurando nas suas celas, mas havia mais, muito mais – os corpos de Seres do Submundo, em diferentes estágios de morte e decadência. Havia lobisomens, seus corpos meio dissolvidos pelo pó de prata. Vampiros eram mantidos com a cabeça mergulhada na água benta até ter a pele arrancada dos ossos. Fadas cuja pele havia sido perfurada por ferro frio.

"Ainda agora, eu não penso nele como um torturador. Não realmente. Não era como se ele gostasse da dor deles. Ele parecia estar atrás de um fim quase científico. Havia livros de notas em cada porta de cela, anotações meticulosas de seus experimentos, quanto tempo havia levado para cada criatura morrer. Dos seus rabiscos, pareceu quase como se ele tivesse injetando o sangue de demônio nessas criaturas – mas ele não poderia estar fazendo isso. Que pessoa em sã consciência faria isso?

"Havia um vampiro cuja pele havia queimado repetidas vezes para ver até qual ponto a pobre criatura não poderia mais se regenerar. Através das páginas rabiscadas um experimento particular que ele escreveu uma série de notas com um título que eu reconheci. Era o meu nome. Jocelyn.

"Meu coração começou a bater ruidosamente no meu peito. Com os dedos tremendo, eu virei às páginas, palavras queimando no meu cérebro. Jocelyn bebeu a mistura de novo essa noite. Nenhuma alteração visível nela, mas novamente é a criança que me preocupa... Com uma regular infusão de sangue de demônio, como tenho dado a ela, a criança talvez seja capaz de muitas proezas... Ontem à noite eu ouvi o coração da criança batendo, mais forte que qualquer coração humano, o som parecia como um sino poderoso, construindo o começo de uma nova geração de Caçadores de Sombras, o sangue de anjos e demônios misturados para produzir poderes além da imaginação... já não será mais o poder dos Membros do Submundo os maiores na Terra...

"Havia mais, muito mais. Eu agarrei as páginas, meus dedos trêmulos, minha mente lembrando o passado, vendo as misturas que Valentim tinha me dado para beber a cada noite, os hematomas no meu corpo na manhã, as feridas de picadas. Eu tremia, tanto que o livro caiu das minhas mãos e bateu no chão.

"O som me acordou do meu torpor. Corri até as escadas, através do buraco na estante, e adentrei o quarto. Em um frenesi, comecei a arrumar minhas coisas, jogando apenas o mais importante para mim em uma bolsa. Eu tinha alguns planos vagos de fugir para casa dos meus pais, veja você, e pedindo-lhes para me deixarem ficar com eles. Mas eu nunca fui muito longe. Eu fechei a bolsa, virei para a porta... e lá estava Valentim, observando-me silenciosamente da porta.

"Meus nervos, já no máximo, se arrebentaram como barbantes. Eu gritei e deixei cair à bolsa no chão, fugindo do meu marido. Ele não se moveu, mas eu vi nos seus olhos um brilho como um gato na luz da madrugada. 'Qual o significado disso, Jocelyn?'

"Eu não podia mentir. 'Eu descobri sua porta na estante.' Eu disse a ele. 'E eu achei o que estava sob ela. Seu teatro açougueiro.'

"'Aquelas coisas lá são monstros...'

"'E o que eu sou? Eu sou um monstro?' Eu gritei para ele. 'O que você fez comigo? O que você fez para nosso bebe?'

"'Nada que vai prejudicá-lo. Eu garanto que ele é muito saudável.' A face de Valentim ainda era como uma máscara em branco. Como é que eu nunca havia visto antes quão monstruoso ele pode parecer? E ainda sua voz nunca subiu, nunca mudou quando ele me contou sobre seus experimentos, das formas que ele tentou se ensinar para uma destruição mais efetiva de Seres do Submundo, para exterminá-los em grande número. Ele ainda tentou injetar neles sangue de demônio – mas para surpresa dele, isso não obteve o efeito desejado. Em vez de se provar fatal, isso fez eles mais fortes, rápidos, e mais hábeis para suportar o dano que ele tentou fazer neles. 'Se isso tem efeito nos meio-homens,' ele disse, sua face brilhando, 'pense no que poderia fazer para os Caçadores de Sombras.'

"'Mas essas criaturas já são parte demônios – nós não! Como você pode pensar em experimentar no seu próprio filho?'

"'Eu experimentei em mim mesmo primeiro,' ele disse calmamente, e me disse como ele havia injetado sangue de demônio em suas próprias veias. 'Isso me fez mais forte, rápido,' ele anunciou, 'mas, eu sou um homem adulto – pense o que isso fará para uma criança! O guerreiro que pode crescer desta...'

"'Você é insano,' Eu disse a ele, tremendo. 'Todo esse tempo eu pensei que estava deixando você humano, mas você não é humano. Você é um monstro – pior do que qualquer uma dessas coisas patéticas nas celas subterrâneas.'

"Ele era um monstro – eu sabia disso – e ainda assim, de alguma forma, ele conseguiu olhar profundamente magoado com o que eu disse. Ele se aproximou de mim. Eu tentei me arremessar para além dele e sair pela porta, mas ele agarrou meu braço. Eu tropecei e cai, batendo duramente no chão. Assim que eu tentei levantar, uma dor lancinante passou por mim. Sentindo minhas roupas grudando em mim, molhadas e pesadas. Eu olhei para baixo e vi que estava deitada em um círculo do meu próprio sangue. Eu comecei a gritar, até que eu perdi a consciência.

Eu acordei na minha cama, atordoada e desesperadamente sedenta. 'Jocelyn, Jocelyn,' disse uma voz no meu ouvido. Era minha mãe. Ela acariciou meu cabelo para longe da minha testa e me deu água. 'Nós estávamos tão preocupados,' ela disse. 'Valentim ligou para nós...'

"Olhei para baixo e vi meu estômago liso. 'Meu bebê,' Eu sussurrei, lágrimas queimando meus olhos. 'Ele... morreu?'

"'Oh, Jocelyn! Não!' Minha mãe pôs-se de pé e correu para algo no canto. Um berço — meu berço, o mesmo que eu havia ficado depois de nascer. Ela levantou um pacote envolto pelo cobertor de lá e veio a mim com cuidado, embalando seu peso nos braços. 'Aqui,' ela disse, sorrindo. 'Segure seu filho.'

"Eu o peguei com assombro. No começo eu sabia somente que ele se encaixava perfeitamente nos meus braços, que o cobertor que o envolvia era suave, e que ele era tão pequeno e delicado, com apenas uma mecha de cabelo louro no topo de sua cabeça. Comecei a respirar novamente – e então ele abriu seus olhos.

"Uma onda de horror se derramou sobre mim. Era como ser banhada em ácido — minha pele parecia queimar até meus ossos, e tudo o que eu podia fazer era não derrubar a criança e começar a gritar alto.

"Dizem que todas as mãe conhecem seu filho instintivamente. Eu supus que o oposto também é verdadeiro. Cada nervo do meu corpo estava gritando que isso não era meu bebê, que algo horrível e não-natural e inumano estava nos meus braços como um parasita. Como pode minha mãe não ver isso? — e ainda sim ela estava sorrindo para mim como se nada estivesse errado. 'Ele é um bebê tão bom.' Disse ela. 'Ele nunca chora.'

"'Seu nome é Jonathan,' disse uma voz da porta. Olhei para cima e vi Valentim sobre o vão da porta antes dele, com uma expressão quase impassível, embora o sorriso leve no rosto dele me disse que ele sabia que tinha algo terrivelmente errado com essa criança. 'Jonathan Christopher.'

"O bebê abriu os olhos, como se reconhecendo o som de seu próprio nome. Seus olhos eram negros, negros como a noite, impenetráveis como túneis escavados em seu crânio. Eu poderia olhar direito para eles e ver apenas um vazio terrível.

"Foi então que desmaiei.

Quando eu acordei muito mais tarde, minha mãe tinha ido embora. Valentim a tinha enviado à sua casa – não faço ideia de como ele chegou a deixar – e ele estava sentado na beirada da cama, segurando o bebê e me observando. Os olhos de seu pai eram negros também, e eu sempre os achei marcante, tão em desacordo com o cabelo quase branco, mas agora eles só me lembravam do bebê. Encolhi-me de ambos.

"'Nosso filho está com fome,' disse Valentim. 'Você deve alimentá-lo, Jocelyn.'

"'Não.' Eu virei o rosto. 'Eu não posso tocar isso... essa coisa.'

"'Ele é apenas um bebê.' A voz de Valentim era suave, persuadindo. 'Ele precisa de sua mãe.'

"'Você deve alimentá-lo. Você é o responsável pelo que fez. Ele não é mesmo meu filho.' Minha voz se quebrou.

"'Ele é seu filho. Seu sangue, sua carne. E se você não alimentá-lo, Jocelyn, ele vai morrer.' Ele colocou a criança para baixo sobre o cobertor ao meu lado e saiu da sala.

Eu olhei para a pequena criatura por muito tempo. Ele parecia um bebê – seus punhos pequenos e rosto pequeno e enrugado, até mesmo o pouco de cabelo branco em sua cabeça, como todos os bebês são. Seus olhos estavam fechados, a boca aberta num grito silencioso de choro. Tentei simplesmente imaginar deixá-lo ali, deixando-o até que ele morresse de fome, e meu coração parecia se transformar em vidro dentro do meu peito. Eu não podia fazer isso.

"Eu levantei Jonathan em meus braços. Mesmo quando eu toquei nele, a mesma onda de repulsa e de horror que eu tinha sentido antes passou por mim, mas desta vez eu lutei. Eu tirei minha camisola de lado e me preparei para alimentar meu filho. Talvez houvesse algo nesta criança, uma pequena parte de mim, do que era humano, de alguma forma que poderia ser alcançado.

"Durante os próximos meses, cuidei de Jonathan o melhor que pude. Meu próprio corpo parecia sentir revolta contra ele. Eu não produzia leite e tive que alimentá-lo por mamadeira. Eu só podia segurá-lo por curtos períodos de tempo antes que eu começasse a me sentir fraca e doente, como se eu estivesse muito perto de algo radioativo. Minha mãe veio e cuidou dele, às vezes, o que foi um imenso alívio. Ela não pareceu notar nada de errado com a criança, embora algumas vezes eu a peguei olhando em direção ao seu berço com um olhar interrogativo, uma pergunta não formulada nos olhos dela...

"Mas quem poderia perguntar tais coisas? Quem poderia suportar pensá-las? Jonathan parecia uma criança perfeitamente normal, quando eu o trouxe para o encontro no Ciclo todo mundo me disse o quanto ele era lindo, com seu colorido extraordinário, assim como seu pai. Michael Wayland também estava lá, com seu bebê, com a mesma idade que o meu. Eles inclusive tinham o mesmo nome: Jonathan. Eu vi Michael com seu filho e senti inveja e ódio por Valentim. Como ele poderia ter feito o que tinha feito? Que tipo de homem faz algo parecido com a sua própria família?

"'Pelo Anjo, o que ele vai ser capaz de fazer quando ele for mais velho,' ele passava a respirar às vezes, inclinando-se sobre Jonathan em seu berço, e o bebê gorgolejava. Jonathan quase não fazia barulho. Ele era uma criança silenciosa, que nunca chorava ou ria, mas se ele respondia a Valentim. Talvez fosse o demônio em ambos.

"Foi nessa época que eu recebi uma mensagem em segredo de Ragnor Fell. Ele me pediu para encontrá-lo em sua casa. Eu fui lá num dia em que Valentim foi à casa de Stephen Herondale, deixando Jonathan com a minha mãe. Fell me encontrou no portão. 'Lucian Graymark está vivo,' disse ele, sem preâmbulos, e eu quase caí do cavalo.

"Eu implorei para Ragnor me dizer o que sabia. Ele só olhou para mim com frieza. 'E o que você fez, Jocelyn Morgenstern? Será que você fez como eu lhe pedi e seguiu o seu marido a noite?' Andando em seu jardim, contei-lhe tudo: sobre o que eu tinha encontrado na adega de Valentim, sobre o livro, sobre o sangue do demônio, sobre as experiências de Valentim, e até mesmo sobre Jonathan. Ele falou pouco, mas eu poderia dizer que, mesmo com tudo que ele já sabia sobre Valentim, minhas palavras haviam o abalado.

"'E agora me diga sobre Luke,' eu disse. 'Ele está seguro? Ele está bem?'

"'Ele está vivo,' Fell disse, 'e é líder de uma matilha de lobos na borda leste da Brocelynd.' Enquanto eu ouvia incrédula, me disse como Luke tinha derrotado o velho lobo, que tinha mordido ele, como o tinha matado na batalha e como tinha se tornado líder do grupo. 'O conto está em todo o Submundo,' disse ele. 'O líder do grupo costumava ser um Caçador de Sombras.'

"Eu só tinha um pensamento. 'Eu tenho que vê-lo.'

"Ele balançou a cabeça. 'Não. Já fiz o suficiente para você, Jocelyn. Você diz que odeia Valentim, mas ainda assim você não faz nada. Eu vou te ajudar – eu vou levá-la ao Lucian – mas só se você estiver disposta a se comprometer em destruir Valentim e o Ciclo. Caso contrário, eu sugiro que você monte em seu cavalo e volte para casa.'

"'Nós não podemos derrotar Valentim. O Ciclo é muito forte,' protestei.

"'A fraqueza de Valentim é sua arrogância,' disse Fell. 'E você é a nossa melhor arma para isso. Está tão perto de Valentim como alguém poderia estar. Você pode se infiltrar no Ciclo, recolher informações, descobrir seus pontos sensíveis e fraquezas. Saber os seus planos. Você pode ser a espiã perfeita.'

"E foi assim passei a ser uma espiã em minha própria casa. Concordei com tudo que Fell perguntou – eu teria concordado com qualquer coisa para ser capaz de ver Luke de novo. No final da nossa reunião, eu dei a Fell minha promessa, e ele me deu um mapa.

"Quando eu cheguei ao acampamento lobisomem em que Luke estava, pensei no começo que eu certamente estaria morta. Eu tinha certeza de que me reconheceram como a mulher de Valentim Morgenstern, seu maior inimigo. 'Eu preciso ver o líder da matilha,' eu disse assim que eles cercaram meu cavalo. 'Lucian Graymark. Ele é um velho amigo meu.'

"E, em seguida, Luke saiu de uma das barracas e correu em minha direção. Ele me olhou – ele ainda era Luke, mas ele tinha mudado. Ele parecia mais velho. Havia cinza em seu cabelo, embora tivesse apenas 22. Ele me tomou em seus braços e abraçou-me e não havia nada de estranho nisso, em ser abraçada por um lobisomem. Era só o Luke.

"Acho que eu estava chorando. 'Como você pôde?' Eu exigia. 'Como você pôde me fazer pensar que estava morto?'

"Ele admitiu que não sabia o quão eu era fiel a Valentim, ou o quanto ele podia confiar em mim. 'Mas eu sei que posso confiar em você agora,' ele disse, com seu velho sorriso. 'Você veio até aqui para me encontrar.

"Eu disse a ele o tanto quanto eu poderia, da loucura crescente de Valentim e da violência, do meu desencanto com ele. Eu não poderia dizer-lhe tudo isso, os horrores nos porões, o que Valentim tinha feito para mim e para nosso filho. Eu sabia que isso apenas iria deixá-lo louco, que ele seria incapaz de não caçar Valentim e matá-lo, e então ele só ia se matar no processo. E eu não podia deixar que ninguém soubesse o que tinha sido feito em Jonathan. Apesar de tudo, ele ainda era meu filho.

"Luke e eu concordamos em continuar nos encontrando para trocar informações sobre o que estava acontecendo dentro do Ciclo. Eu disse a ele quando eles se aliaram com os demônios, e quando o Cálice Mortal foi roubado, e eu lhe disse dos planos para romper os Acordos previstos. Aqueles tempos com Luke foram as únicas vezes que eu poderia ser eu mesma. O resto do tempo eu estava agindo coma a mulher de Valentim, e na qualidade de membro do Ciclo.

"Felizmente eu o via raramente. Os Acordos foram abordados, o Ciclo planejava atacar os Seres do Submundo no Salão do Anjo, os pegando desprevenidos. Sentei-me em silêncio nas reuniões, não conseguindo participar do planos, por mais que eu sabia que eu tinha que fazer o necessário para demonstrar meu papel de um membro dedicado. Céline Herondale, que agora estava grávida, muitas vezes sentava-se comigo, ela ficava frequentemente melancólica, confusa pelo entusiasmo do Ciclo. Embora nunca entendi completamente o seu ódio apaixonado por Seres do Submundo, ela adorava Valentim. 'Seu marido é tão bom,' ela me dizia com sua voz suave. 'Ele está tão preocupado com Stephen e eu. Ele me dá as poções e misturas para a saúde do bebê, elas são maravilhosas.'

"O que ela me disse me arrepiou. Eu queria dizer para ela não confiar em Valentim ou aceitar qualquer coisa que ele lhe dava, mas eu não podia. Seu marido era o amigo mais próximo de Valentim, e ela certamente teria me traído. Meu terror da exposição crescia diariamente... Eu estava contrabandeando informações para Luke o mais rápido que podia, sempre em pânico que meu marido descobrisse. O via sempre que podia. Mantinha com ele uma mala de meus pertences mais preciosos, no caso de nós precisarmos fugir juntos de Idris – jóias que Valentim havia me dado, que esperava um dia ser capaz de vender, se eu precisasse de dinheiro, cartas de meus pais e amigos; uma caixa que meu pai tinha feito para meu filho, com suas iniciais gravadas nela, com uma mecha de cabelo do Jonathan – macio, sedoso, cabelo branco, mesma cor de seu pai. Fiquei mais e mais assustada com a possibilidade de Valentim descobrir o nosso segredo. Ele iria tentar a tortura, tentar tirar a verdade de mim.

"Resolvi finalmente tomar medidas para ter certeza de que isso nunca aconteceria. Fui à Fell com meus medos e ele criou uma poção para mim que iria enviar-me imediatamente em um sono do qual eu não poderia ser despertada, exceto por um antídoto cuja receita estava no Livro Branco. Ele deu-me um frasco da poção e outro frasco do antídoto e me instruiu a escondê-los de Valentim. Eu estava preocupada que Valentim achasse uma cópia do livro, então, uma noite eu fui através dos túneis entre a nossa casa e a casa dos Wayland e o escondi em sua biblioteca.

"Depois disso, dormi mais fácil, exceto por uma coisa. Eu temia que se eu tomasse a poção, iria cair no sono da morte e que não haveria ninguém para me acordar, ninguém saberia o que tinha acontecido comigo. Eu pensei no final de Romeu e Julieta e imaginei ser enterrada viva... mas em quem eu poderia confiar esta informação? Eu não podia contar a Luke o que eu tinha feito, eu temia muito por ele, para sua segurança. Se eu contasse a meus pais, seria necessário partilhar com eles o horror da minha situação, e eu não podia fazer isso. Eu não podia confiar em nenhum dos meus amigos mais velhos – nem Maryse, nem qualquer um deles. Eles foram longe demais no encalço de Valentim.

"Eventualmente, eu percebi que havia apenas uma pessoa à quem eu poderia dizer. Enviei uma carta explicando a Madeleine o que eu planejava fazer e a única maneira de me reviver. Eu nunca ouvi uma palavra da parte dela, embora eu soubesse que a minha mensagem tinha sido entregue. Eu tinha que acreditar que ela tinha lido e compreendido. Era tudo o que eu tinha.

"Foi nessa época que Stephen Herondale foi morto em um ataque a um ninho de vampiros. Valentim e os outros que estavam no grupo de ataque foram à casa dos Herondale para contar a notícia à Céline. Ela estava grávida de oito meses na época. Eles disseram que ela recebeu a notícia com postura, apenas dizendo que queria ir lá para cima e se arrumar antes de ir ver o corpo.

"Ela nunca mais voltou lá pra embaixo. Céline – a doce, bonita, e gentil Céline, que nunca fez nada de surpreendente ou parecia ter uma única fagulha de independência – que tinha se sentado ao meu lado nas reuniões do Ciclo e trazia em sua voz pequena sobre a segurança de seu marido – Céline cortou os pulsos e morreu silenciosamente na cama que ela dividia com o marido enquanto seus amigos esperavam por ela.

"Foi uma tragédia que abalou o Ciclo. Ouvi dizer que os pais de Stephen, depois da morte de seu filho e o suicídio de sua nora, tinham quase perdido a cabeça; o pai de Stephen morreu um ou dois meses depois, provavelmente do choque. Eu tinha pena de Céline, mas de uma forma invejosa. Ela havia encontrado uma saída para sua situação, eu não tinha nenhuma.

"Algumas noites depois, fui acordada pelo barulho de um bebê chorando. Sentei-me e quase me joguei para fora da cama. Jonathan nunca, você vê, chorou – nunca fez um barulho. Seu silêncio não natural foi uma das coisas que mais me perturbou sobre ele. Eu devo ser a única mãe da história a ter esperança de que seu bebê chorasse e a acordasse, e que iria chorar a noite toda, mas ele nunca fez. E ainda agora o som de um choro do bebê ecoou pelas paredes da mansão.

"Corri pelo corredor até o quarto do bebê, carregando minha luz enfeitiçada. Vi sombras estranhas nas paredes quando me inclinei sobre Jonathan. Ele estava dormindo em silêncio. No entanto, o choro continuava, fino e esganiçado, o som de uma criança em perigo, rasgando meu coração. Corri escada abaixo para a biblioteca vazia. Eu ainda podia ouvir o choro, vindo de dentro das paredes. Peguei o livro em seu lugar na prateleira...

"Nada aconteceu. A estante já não deslizou de seu lugar. E ainda veio o choro, como se estivesse por debaixo da casa, ou dentro das paredes, me enlouquecendo. Mas esta mansão foi mais minha do que tinha sido de Valentim, eu tinha passado todos os verões aqui quando eu era uma menina. Se meu marido achava que eu não havia explorado o lugar profundamente naqueles anos, ele estava errado. Eu arrastei o tapete persa que cobria o chão da biblioteca. Embaixo dele havia um alçapão que se abriu tão facilmente. Eu sabia que tinha sido usado recentemente.

"Túneis sob casas de Caçadores de Sombras não são incomuns, são utilizados em caso de ataques de demônio, como uma maneira de ir de uma casa para outra em segredo. Esse túnel tinha ligado uma vez a nossa casa senhorial à dos Wayland, mas meu pai tinha assoalhado o túnel. Ele tinha sido aberto novamente agora, sem dúvida por Valentim, e as paredes de pedra estreitas levavam para a escuridão. Eu ainda podia ouvir o som do bebê que chorava à distância...

"Eu segui o barulho, os pés descalços na pedra fria, parando ocasionalmente com um suspiro, quando um rato ou camundongo aparecia no meu caminho. Eventualmente, tinha os túneis abertos que davam em um quarto grande de pedra, que provavelmente tinha sido uma adega. Encolhido no canto da sala havia um homem – mas ele não era um homem, eu vi, olhando, asas brancas como a neve subiram de suas costas em dois grandes arcos de marfim, e sua pele brilhava como o metal líquido. Seus olhos eram dourados, e tão triste...

"Seus tornozelos estavam algemados, cravados no chão de pedra, o seguravam no chão, mas o que realmente me chamou a atenção foi que ele estava preso no círculo de runas que o cercavam. Senti-me sendo puxada na direção dele por uma força incrivelmente forte. Quando me aproximei vi o que se estendia sobre um cobertor a seus pés, era o bebê que eu tinha ouvido chorar. Estava choramingado baixo agora – esgotado, provavelmente – um menino minúsculo com cabelos dourados e olhos fechados rapidamente. Caí de joelhos, colocando a criança em meus braços e, com meus braços em torno dele tive essa estranha sensação que passou por mim – o oposto do que eu sentia quando eu tinha carregado Jonathan pela primeira vez. Uma sensação de paz imensa...

"Por quanto tempo eu segurei e balancei a criança, eu não posso dizer. Na última vez que olhei para cima e vi o anjo – pois eu sabia o que ele era – olhando fixamente para nós, seus olhos dourados impassíveis. Quando eu encontrei seu olhar, de repente eu sabia o nome dele: Ituriel.

"'Me ajude,' eu disse a ele, e apesar de nenhuma mudança surgir em seu rosto, ele abaixou a cabeça e as asas, desceu, envolvendo-me numa nuvem branca de silêncio e suavidade. Eu senti mais paz do que eu tinha desde que eu tinha me casado com Valentim – e, em seguida uma dor aguda passou por mim, e foi a última coisa que eu lembrei quando eu acordei na minha cama na manhã seguinte.

"Eu disse que tinha sido um sonho. O tipo de sonho, alucinação vívida de uma mulher quando ela está grávida – e eu estava grávida. Eu tinha negado a mim mesmo, pelo menos, um mês, mas naquela manhã quando acordei, eu sabia, e uma visita a um médico confirmou. Eu ia ter um filho... de novo.

"Fiquei horrorizada. Eu sabia o que Valentim tinha feito para o meu último filho – o que ele faria com este? Quanto tempo ele sabia que eu estava grávida? Eu não disse nada a ele, mas às vezes ele virava os olhos em minha direção, seu olhar me atravessava como uma faca através da água. Ele sabia – oh, ele sabia...

"O dia da Ascensão chegou. Naquele dia terrível. Eu sei que você já ouviu falar sobre o que aconteceu com Luke: sobre os Acordos, a emboscada, a batalha sangrenta e prolongada que se seguiu. Eu tentei marcar os Caçadores de Sombras que não estavam envolvidos no Ciclo, para que os membros da Ascensão não os machucassem, mas havia tanto caos – muito sangue – muitas vidas foram perdidas, mais do que já havíamos pensado. E lá no final eu enfrentei Valentim com Luke ao meu lado e vi a verdade se tornar clara em seus olhos. Eu me perguntava o tempo todo se ele sabia o que eu realmente sentia e o que eu realmente estava fazendo nesse último ano do nosso casamento – mas eu vi agora em seu rosto – ele não tinha conhecimento. A dor em seus olhos quando ele olhou para mim era real, e apesar de tudo, atingiu o meu coração. 'E agora vocês planejaram a minha traição juntos,' ele rosnou, o rosto salpicado de sangue. 'Você vão se arrepender do que vocês estão fazendo pelo resto de suas vidas.'

Luke investiu contra ele, mas Valentim arrebentou a medalha de prata da minha garganta e arremessou-a em Luke, queimando-o. Ele cambaleou para trás quando Valentim se apoderou de mim e me arrastou para a porta. Ele estava rosnando coisas horríveis em meu ouvido, coisas sobre o que ele faria com meus pais, com Jonathan, como ele iria fazer da minha vida um inferno pelo o que eu tinha feito com ele.

"Eu abandonei a batalha, os feridos, todos eles, e corri para casa. Era tarde demais. Luke deve ter lhe dito o que nós encontramos – eu me lembro como se fosse um sonho. O céu negro alto, a lua tão brilhante que eu poderia ver tudo: a casa transformada em cinzas pelo fogo do demônio, quente o suficiente para derreter o metal, que corria no meio das cinzas como rios de prata derretida em toda a face nua da lua. Eu encontrei os ossos dos meus pais lá, e os ossos do meu filho, e então, finalmente, os ossos de Valentim, o pingente do Ciclo que ele sempre usava, ainda estava enrolado no pescoço descarnado...

"Luke me levou para fora da cidade naquela noite. Eu estava dormente e silenciosa, como mortos-vivos. Eu ficava vendo os rostos dos meus pais mais e mais e mais outra vez – eu devia ter avisado. Eu deveria ter dito a eles do que Valentim era capaz. Eu nunca pensei...

"E eu sonhei algumas vezes com meu bebê. Eu vi seu rosto, mesmo quando desperto, os túneis vazios do seu olhar, e senti de novo o horror e repulsa que senti a primeira vez que eu toquei nele. E eu sabia que eu era um monstro, por me sentir assim.

"No mercado das pulgas de Clignancourt, vendi o amuleto do Ciclo de Valentim, um objeto revoltante que eu odiava olhar. Me ofereceram por ele uma grande quantidade de dinheiro. Com o dinheiro, eu comprei uma passagem de avião a Nova York. Eu disse a Luke que eu ia começar a minha vida por lá – como uma mundana. Eu não queria nenhuma sombra da Clave ou Ciclo em minha vida novamente, ou na vida do meu filho. Eu odiava tudo que estava remotamente associado aos Nephilim, eu disse a ele.

"Esta foi apenas uma verdade parcial. A Clave sabia que eu era esposa de Valentim, e agora que ele era um criminoso, eles iriam querer que eu fosse com eles para me questionar – eu seria sempre encarada com desconfiança entre os legisladores de Idris. Eu queria me esconder deles. Mas mais do que isso, eu queria me esconder de Valentim.

"Eu tinha certeza que ele ainda estava vivo. Pensei de novo e de novo no que ele me disse quando ele me arrastou da Câmara, do jeito que ele prometeu fazer o resto da minha vida uma miséria. Não foram palavras de um homem que planejava se queimar no fogo do demônio, não importava o quanto ele estava desesperado com o fracasso de seus planos. Valentim era o tipo de homem que nunca cedia ao desespero. Mesmo que tudo o que ele construiu estivesse destruído, ele pretendia subir novamente – a fênix das cinzas.

"Havia outra coisa que eu não poderia dizer a Luke. Na noite da Ascensão, antes de deixarmos a cidade, eu tinha pego o Cálice Mortal do esconderijo onde Valentim o havia colocado e escondido no meio de meus pertences. Eu estava pensando em devolver à Clave, mas agora – eu não podia confiar neles para manter o Cálice Mortal fora das mãos de Valentim, não quando estavam tão ansiosos para acreditar que ele estava realmente morto. Eu teria que ser a pessoa que escondeu isso dele, e inexoravelmente, sem dúvida, ele viria atrás de mim.

"Luke me implorou para não deixá-lo. Ele disse que viria comigo – mesmo quando eu lhe disse que estava esperando outro filho de Valentim, ele disse que não fazia diferença, que ele ia criar a criança como sua. Mas ele nunca tinha visto Jonathan – eu nunca lhe disse o que Valentim tinha feito com meu filho. Como eu poderia ter certeza de que ele não tivesse feito algo tão terrível para o bebê que eu estava carregando agora? E como eu poderia pedir para Luke compartilhar comigo esse horror, ou o perigo de ser perseguido por Valentim? Era impossível. Me recusei, mais e mais, mesmo podendo ver a dor que isso lhe causou. Mesmo que eu soubesse que isso significava que eu provavelmente nunca iria vê-lo novamente, e o pensamento quebrou o que restava do meu coração.

"Nós nos despedimos no Aeroporto de Orly. Eu me agarrei a ele até que a última chamada para o vôo chegou e ele gentilmente me empurrou em direção ao portão de embarque. Parecia que alguma parte de mim estava se rasgando. No último momento, eu me virei e corri de volta para ele e sussurrei em seu ouvido – 'Valentim ainda está vivo.' Eu tive que dizer a ele. Eu não consegui parar. Corri para o avião sem olhar para trás para ver sua reação.

"No início da manhã eu estava em Nova York, o céu do amanhecer como o interior de uma pérola que paira sobre a cidade. Conforme o meu táxi correu sobre a ponte Williamsbug, olhei para baixo e vi a água do rio abaixo de mim, ondulando, aqui e ali pelas caudas das sereias. Mesmo aqui entre estas paredes de vidro e aço, esta cidade inóspita, o Mundo Invisível, estava todo ao meu redor...

"Você sabe muito bem do resto. Como eu encontrei um lugar para ficar, encontrei um trabalho fazendo a única coisa que eu poderia fazer aqui no mundo mundano – a pintura. Não que houvesse muito trabalho para um pintor. Se não fosse a jóia que eu tivesse vendido, eu teria morrido de fome. Eu encontrei um apartamento em um prédio que pertencia a um simpático casal de idade que tinha me deixado ficar, em troca de pintar um retrato de seu filho, que tinha morrido no exterior no exército. Eu disse a eles que meu marido também foi morto, e eles sentiam pena de mim, penso eu, uma jovem grávida que não tinha ninguém no mundo...

"A maioria das outras mães em minha situação teriam saído à compra de um berço, comprar brinquedos para bebê e botas e cobertores. Eu não. Eu estava apavorada. Apavorada que o que aconteceu com meu primeiro filho pudesse acontecer de novo com o segundo. Eu me lembro da noite em que fui levada em trabalho de parto ao hospital – ele era tão diferente do de Alicante, com as paredes brancas e esterilizadas e todas as máquinas aterrorizantes. Eu não conseguia parar de chorar, por tudo isso e quando você nasceu, e mesmo até o momento em que a enfermeira entrou no meu quarto de hospital e entregou você a mim, e eu olhei para baixo em seu rosto.

"Uma grande onda de amor e de alívio tomou conta de mim. Seu cabelo vermelho, seus olhos verdes – você era minha filha, não havia nada de seu pai em você, nem qualquer coisa monstruosa ou demoníaca. Eu pensei que você fosse a coisa mais perfeita que já tinha vindo ao mundo. Eu ainda penso assim.

"A primeira vez que eu a levei para o parque, você viu as fadas existentes entre as flores e foi brincar com elas. As outras mães não olharam para nós quando eu te peguei e corri para casa. Eu podia ver o que você viu, mas ninguém podia. Como eu poderia aguentar viver assim – mentir para todos que você conhecia? Eu queria lhe dar uma vida normal, mas eu não tinha pensado tão longe. E eu tinha outros medos também – havia Caçadores de Sombras aqui, Seres do Submundo também, assim como houve em todo o mundo. Se alguém soubesse de você, poderiam contar à Valentim, e então ele viria atrás de nós. E eu não podia deixar isso acontecer.

"É por isso que eu contratei Magnus Bane. Eu não estou orgulhosa do que fiz. Eu fiz isso porque eu estava com medo. Eu fiz isso porque eu não poderia imaginar outra forma de protegê-la. Eu fiz isso porque eu pensei que uma vida de felicidade alheia seria melhor do que uma vida de perigo e sendo caçada. E eu fiz isso, talvez, porque eu gostaria de esquecer, eu mesma, tudo em meu passado que ainda me tortura.

"Foi Magnus que me apresentou a Dorothea. Ela que me deu a ideia de esconder o Cálice Mortal em uma pintura. Eu estava com você em meus braços quando eu a conheci e você estendeu a mão e tirou uma carta de tarô da pilha que tinha em sua mesa. Eu lhe repreendi, mas ela só disse 'Vamos ver a carta da criança.' Era o Ás de Copas – a carta do Amor. 'Ela vai ter um grande amor na vida dela,' previu, mas eu estava prestando mais atenção à imagem do cartão. Parecia com o Cálice Mortal...

"Com o Cálice Mortal escondido em segurança no retrato que eu havia pintado para Dorothea, o qual ela havia escondido em seu santuário, eu me senti mais calma. Calma o suficiente para o momento em que Luke bateu à nossa porta, olhando como se tivesse dormido na rua por semanas, eu não o mandei embora imediatamente. Ele tinha chegado tão longe, e eu tinha perdido muito dele. Deixei-o dormir no sofá, e na parte da manhã ele ainda estava lá, e você estava sentada a seus pés enquanto ele lhe mostrava alguns simples jogo com cartas – um jogo de Caçadores de Sombras, algo que eu não tinha visto desde que eu tinha deixado Idris. Era como se ele sempre estivesse lá conosco, como se pertencesse desde sempre. Eu não poderia pedir para ele ir...

"Luke tinha reprovado quando eu lhe disse o que eu tinha pedido para Magnus fazer com as suas memórias, mas foi a única questão em que ele nunca poderia ser se intrometer. Ponderei que ele não sabia toda a verdade, e que se ele fizesse, ele teria concordado comigo. Agora eu sei que eu estava errada. Luke sempre foi alguém que acreditou na verdade, não importa o quão cruel e impiedosa, e ele queria que a tivesse.

"Pelo menos você tem isso agora – e se você me odeia agora, pelo menos vai ser por causa da verdade e não por causa de mentiras. E pelo menos você sabe agora que eu sempre amei você e você sempre foi a coisa mais importante do mundo para mim. Naquela noite, quando Valentim e seus demônios invadiram nosso apartamento, olhando para o Cálice, eu mal tive tempo para tomar a poção que Ragnor Fell havia me dado antes que fosse tarde demais – mas eu esperei, apenas o tempo suficiente para que eu pudesse te chamr e dizer que eu te amava. Tudo o que já me aconteceu em Idris, tudo que Valentim já fez para mim, valeu a pena porque eu tinha você.

"Há mais uma coisa que eu tenho para te dizer. Magnus me contou sobre Jace, e o que aconteceu com você em Renwick, e que seu pai disse te disse lá. Eu preciso te dizer agora que ele estava mentindo. Que o que você acredita ser verdade sobre você e seu irmão não é a verdade.

"Depois que eu tomei a poção, Valentim tentou de tudo para me acordar, mas nada funcionou. Eu não podia me mover ou falar, mas eu estava consciente, por vezes, de pessoas entrando e saindo da sala. Pangborn e Blackwell chegaram a zombar de mim, embora nunca me tocaram. E às vezes Valentim vinha e sentava ao lado da minha cama e falava comigo.

"Ele falou para mim do jeito que as almas dos mortos no inferno de Dante diziam a verdade de suas vidas, porque achavam que ele nunca voltaria ao mundo para traí-los. Eu acho que ele estava apenas aliviado por ter alguém para conversar, como eu já havia feito, derramando tudo em meu coração para Ragnor Fell.

"Ele me contou como tinha pensado, quando ele se casou comigo que iríamos enfrentar o mundo juntos, unidos contra a Clave e os Acordos. Ele me disse que quando Jonathan nasceu, ele percebeu que tinha perdido a mim, que eu iria odiá-lo para sempre pelo que ele tinha feito. Mas um verdadeiro guerreiro está preparado para sacrificar tudo, até mesmo sua esposa. Mesmo a sua família. Assim, Valentim acreditava. Ele era um Cruzador moderno e tudo o que ele fez foi por causa de sua causa. Deus volt, ele disse. Porque Deus quer isso.

"Após o nascimento de Jonathan, Valentim tinha suspeitas de que eu me recusaria a ter mais filhos. E isso foi uma pena, segundo ele, porque ele tinha imaginado nossos filhos como um exército de Caçadores de Sombras superiores – feitas dessa maneira por ele. Ele sabia que não podia forçar-me a ter um filho que eu não queria, então ele virou as suas atenções para Céline Herondale. Ela era jovem, dedicada, impressionante. Quando ela engravidou, ele lhe deu as misturas para beber, assim como tinha feito comigo, alegando que elas eram poções feitas por um bruxo para promover a saúde do seu bebê. Ela pegou a droga, o pó, as poções que ele lhe dava. Ela estava totalmente confiante.

"E então aconteceu algo que Valentim não esperava. Em um ataque a um ninho de vampiros, Stephen foi morto. E Céline – a impressionante, emocional, facilmente influenciável Céline – bebeu um frasco de veneno e morreu. Os Herondale entraram, queimaram o corpo de Stephen e enterraram Céline em um mausoléu perto da Cidade dos Ossos - nenhum suicida pode ser enterrado dentro de suas paredes.

"Você pensaria que teria sido o fim de tudo. Mas Valentim sabia que o que tinha feito tinha mudado a criança dentro de Céline e ele tinha de saber. Então Valentim tomou Hodge e foi para a Cidade dos Ossos na calada da noite. Ele entrou no mausoléu dos Herondale e arrombou o caixão da Céline. E então, usando a lâmina afiada de sua faca kindjal, ele a cortou e tirou o bebê ainda vivo de seu corpo morto.

"Qualquer outra criança teria morrido quando sua mãe morreu. Mas Valentim estava dando a Céline doses regulares do sangue de Ituriel. O sangue do céu, puro e concentrado, e devido ao seu efeito, por algum milagre, o bebê ainda estava vivo.

"Ele trouxe o filho de volta para nossa casa naquela noite, a noite em que um bebê chorando me acordou do sono e eu desci para encontrar o anjo preso na adega dos Wayland com o bebê aos seus pés. Pela manhã, Valentim havia dado o menino à Hodge com instruções para levá-lo para a casa de Valentim fora de Brocelind, e para mantê-lo saudável. Hodge como babá! – Mas ele fez isso, e comunicava à Valentim que a criança parecia prosperar.

"A Ascensão só veio alguns meses depois. Eu já te disse daquela noite terrível. Depois de Michael, Valentim matou Michael Wayland e seu filho e deixou seus corpos para queimarem junto com os corpos de meus pais nas ruínas de nossa casa, ele pegou o nosso Jonathan e fugiu para a casa em Brocelind.

Durante um ano ele se escondeu lá fora, envolto em camadas de glamours desorientados, e criou os dois filhos juntos – o próprio filho e seu tenente, a criança parte demônio e a outra que era parcialmente anjo. Mas enquanto a criança anjo se desenvolvia como um bebê normal, o seu próprio filho, o filho do demônio, cresceu a um ritmo sobrenatural. Na época em que ele tinha dois anos de idade, ele era do tamanho de uma criança de seis anos de idade humana, e tinha a força de um homem adulto. E ele odiava seu irmão adotivo de pequeno porte. Várias vezes ele tentou matá-lo e a criança foi salva apenas pela intervenção de Valentim. Eventualmente, Valentim sabia que algo teria de ser feito.

"Ele estava ansioso para voltar a uma vida mais ativa, em um local próximo à Idris. Para um lugar onde ele pudesse se reunir com seus antigos seguidores, homens como Pangborn e Blackwell – para um lugar onde ele já não estava tão bem escondido. Ele assumiu a identidade de Michael Wayland e voltou com o filho de Stephen Herondale para a mansão da família Wayland.

"Por que não trazer o seu próprio filho com ele, você poderia perguntar? Porque o seu filho agora parecia ter seis anos, e Valentim sabia que não havia nenhuma maneira que o menino pudesse ser convincente sobre ser o filho de Wayland – e isso foi muito importante para ele mais tarde, o menino ser capaz de convencer os que tinham conhecido Michael que este era seu filho. E assim ele levou o filho louro de Stephen Herondale e pequeno para a mansão Wayland, e viveu também com o seu próprio filho na casa fora Brocelind.

"A criança tinha um nome agora – o nome de Michael Wayland. Jonathan Wayland. Como estava muito confuso criar duas crianças com o mesmo nome, Valentim começou a chamar a criança por um apelido.

ELE O CHAMOU DE JACE...

A Despedida de Luke e Valentim

fontes: Idris BRSite de Cassandra Clare
Nota de CC: "No primeiro rascunho original de Cidade de Vidro, depois do Anjo ter trazido Jace de volta à vida, Clary e Jace são encontrados na beira do lago por Alec, Isabelle, Jocelyn e Luke, que vieram da batalha para se juntarem a eles. Isso foi mudado porque no rascunho original não havia um epílogo. Assim tudo isso foi o encerramento que os personagens tiveram. Eu decidi que um epílogo era necessário para explorar mais, e resolver coisas que não foram resolvidas — os relacionamentos entre Magnus e Alec, Jocelyn e Luke por exemplo. A única coisa que eu fiquei realmente triste de perder foi que no primeiro projeto, Valentim tinha alguém para lamentar a sua morte — na versão final, além de Jace, realmente não há qualquer menção disso.”

Havia figuras correndo pela praia em direção a eles, suas sombras refletindo desajeitadas e longas pelo brilho que ainda reluzia das tochas de luz de bruxa. Clary estava grata pelas tochas agora, contente se o brilho fizesse ela e Jace mais fáceis de serem encontrados. Ela reconheceu as figuras que se aproximavam correndo — a mãe dela e Luke, e atrás deles Alec, e Isabelle. Seu coração inchou enormemente ao avistá-los, como se fosse quebrar suas costelas. Ela sentia como se estivesse explodindo de alívio.

Foi Luke que lhes alcançou em primeiro lugar, correndo suavemente ao longo da areia, como se ainda estivesse em forma de lobo. Ele viu primeiro Clary e Jace e seu rosto se iluminou — e, em seguida, seu olhar passou por eles, e viu Valentim, e seu rosto mudou.

Jocelyn estava logo atrás dele, e enquanto ela se aproximava, Jace deixou Clary. Ela levantou-se, tirou a areia de suas roupas, logo que sua mãe chegou a ela, apertaram-se em um abraço. Depois dela veio Alec e Isabelle, cheia de exclamações, alívio e alegria. Eles cercaram Jace em estado de choque; procurando abraçar Jace, ele gritando em seus ouvidos.

Somente Luke ficou em silêncio. Clary, com sua mão ainda na de sua mãe, virou-se para observá-lo. Ele se aproximou do corpo de Valentim e ficou olhando para ele. Seu o rosto era um estudo de emoções conflitantes — havia alívio lá, mas também lamentações e até mesmo tristeza. Na morte, o rosto de Valentim tinha perdido a sua dureza e pela primeira vez Clary viu no que sua mãe tinha sido atraída por ele, viu como ele pode ter parecido gentil e até mesmo amável. Como Luke se ajoelhou ao lado do cadáver, Clary não podia deixar de lembrar o que ele dissera sobre ter amado Valentim uma vez, sobre ter sido seu melhor amigo. Luke, ela pensou com uma pontada. Certamente ele não poderia estar triste – ou até mesmo arrependido?

Mas, novamente, talvez todo mundo deve ter alguém para chorar por eles, e não havia mais ninguém para chorar por Valentim.

Luke se ajoelhou, onde ele ficou por um longo momento. Finalmente, ele estendeu a mão e com uma mão suave, fechou os olhos de Valentim.

— Ave ataque vale, Caçador de Sombras — disse ele.

Corte do Diretor do Último Capítulo

Em Breve.

A Carta de Jace

fontes: Idris BRSite de Cassandra Clare

A carta escrita a Clary por Jace em Cidade de Vidro. A carta foi incluída em cópias da edição especial em inglês de Cidade dos Anjos Caídos.

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Clary,

Apesar de tudo, não suporto a ideia que este anel se perca para sempre, não mais do que suporto deixá-la para sempre. E embora não tenha escolha quanto a uma, pelo menos posso tomar esta decisão: estou deixando para você o anel da nossa família, porque tem tanto direito a ele quanto eu.

Escrevo observando o sol nascer. Você está dormindo, com sonhos passando sob suas pálpebras inquietas. Queria saber o que está pensando. Queria poder entrar em sua mente e enxergar o mundo como você. Me enxergar como você o faz. Mas talvez eu não queira ver isso. Talvez me fizesse ter a sensação, ainda mais do que já tenho, de que estou perpetuando espécie de Grande Mentira em você, e eu não suportaria isso.

Pertenço a você. Poderia fazer qualquer coisa que quisesse comigo, e eu deixaria. Me pedir qualquer coisa; eu acabaria comigo tentando fazê-la feliz. Meu coração me diz que este é o melhor e mais grandioso sentimento que jamais vivi. Mas minha mente sabe a diferença entre querer o que não se pode ter e querer o que não se deve. E eu não devo desejá-la.

Passei a noite inteira observando você dormir; vi o luar entrar e desaparecer, projetando sombras em preto e brando no seu rosto. Nunca vi nada mais lindo. Penso na vida que poderíamos ter tido se as coisas fossem diferentes. Uma vida em que esta noite não seria um evento singular, separada de todo o resto que é real, e sim mais uma. Porém as coisas não são diferentes, e não consigo olhar para você sem sentir que a induzi a me amar.

A verdade que ninguém quer dizer em voz alta é que nenhuma pessoa além de mim tem chance contra Valentim. Posso me aproximar dele como ninguém mais. Posso fingir que quero me unir a ele, e Valentim vai acreditar, até o último instante quando eu acabar com tudo, de um jeito ou de outro. Tenho algo de Sebastian; posso rastreá-lo até o esconderijo do meu pai. E é isso que farei. Então menti ontem à noite. Disse que só queria uma noite com você. Mas quero todas. E é por isso que preciso fugir pela janela agora, como um covarde. Porque se eu tivesse de dizer isso tudo cara a cara, não conseguiria partir.

Não a culpo se me odiar. Gostaria que odiasse.

Enquanto ainda puder sonhar, sonharei com você.

Jace.

Cartões Postais

fontes: Site de Cassandra Clare; Livejournal de Cassandra Clare; Idris BR
Cassandra Clare: Essa é uma história curta contada através de Cartões Postais entre Magnus, Alec, Isabelle, Jace, Clary e Simon que eu trouxe comigo para a turnê (Cidade dos Anjos Caídos). Agora que a turnê pelos Estados Unidos acabou, eu posso compartilhar na internet. Isso acontece entre Cidade de Vidro e Cidade dos Anjos Caídos, enquanto Magnus e Alec estão na Europa e não contêm spoilers.
Uma história contada em cartões postais — entre Cidade de Vidro e Cidade dos Anjos Caídos.

Cidade dos Anjos Caídos

O Ato de Cair

fontes: Idris BR; Site de Cassandra Clare
O beijo do beco (DSAS) sob a perspectiva de Jace. Isso está disponível na edição especial da Costco de City of Lost Souls.

“Porque não posso falar com você,” disse Jace. “Não posso falar com você, não posso estar com você, não posso nem te olhar.”

Cidade dos Anjos Caídos

Jace nunca esquecerá o olhar no rosto de Clary depois que ele disse isso. Choque num primeiro momento, se encolhendo de dor.

Ele já a havia machucado antes, nunca porque ele queria, apesar de haver se perdido em sua própria cegueira. O momento em que ela entrou e o viu beijando Aline e havia dito a ela tudo de horrível que podia pensar, como se as palavras tivessem o poder de fazê-la desaparecer, para enviá-la de volta a onde estava a salvo.

Ele sempre se preocupou com a segurança dela mais que qualquer outra coisa. Se não, nada disso estaria acontecendo. Jace se pergunta se ela pode ver em seus olhos o terror, os fragmentos de todas essas dezenas de sonhos na qual ele a apunhalou, a estrangulou ou a afogou e olhou as mãos depois, molhadas com o sangue dela.

Ela dá um passo para trás. Há algo em seu rosto, mas não é medo. É infinitamente pior. Ela dá a volta, quase tropeçando, com pressa de fugir e sai correndo do clube.

Em um instante ele se põe de pé e vai atrás dela. Isto é exatamente o que ele queria, uma parte de sua mente grita. Quer afastá-la dele. Para mantê-la a salvo, longe dele.

Mas o resto da sua mente está vendo a porta bater atrás dela e junto a ruína de todos seus sonhos. Uma coisa é chegar a esse ponto. Outra coisa é deixá-la ir para sempre. Porque ele conhece Clary, e se ela vai agora, ela nunca vai voltar.

Volte.

De alguma maneira ele está fora do clube e a chuva cai como balas. Ele vê tudo de uma só vez, a forma que sempre fez, a forma na qual foi treinado a fazer. A van branca no meio-fio, a inclinação da rua, que se curva até Greenpoint, a abertura de um beco escuro atrás do bar, e Clary na esquina, prestes a atravessar a rua e caminhar fora da sua vida para sempre.

Ela empurra o braço dele para longe, quando ele tenta se aproximar, mas quando ele coloca sua mão nas suas costas, ela o deixa guiá-la até o beco. Sua mão desliza pelas costas até seu braço, enquanto ela vira para ele – e ele pode ver tudo ao seu redor uma vez mais: a umida parede de ladrilhos atrás deles, as janelas gradeadas, os aparelhos de música descartados jogados em poças d’água.

E Clary está levantando seu rosto, pequena e pálida, seu rímel correndo em listras brilhantes debaixo dos olhos. Seu cabelo está escuro, grudado na cabeça. Ela se sente frágil e perigosa em suas mãos, um vidro explosivo. Ela afasta os braços dele para longe dela:

– Se está pensando em se desculpar, nem se incomode. Não quero te escutar. – Ele tenta protestar, para dizer que só queria ajudar Simon, mas ela está sacudindo a cabeça, suas palavras como tiroteios de mísseis – E você não poderia me contar? Não podia me mandar uma mensagem, uma só linha me dizendo onde estava? Oh, espera. Não podia, porque ainda tem o meu maldito celular. Devolva-me.

Ele entrega o celular a ela, mas ele é apenas consciente de seus movimentos. Ele quer dizer: Não, não, não, eu não podia te dizer. Não posso te dizer. Não posso dizer que tenho medo de te machucar, ainda que não queira. Não posso dizer que tenho medo de me transformar em meu pai. Sua fé em mim é a melhor coisa na minha vida e não posso suportar destruí-la.

– Me perdoe.

Ela fica branca, seu batom brilhante em sua pele rígida.

– Eu nem sequer sei do que tenho que te perdoar. Por não me amar mais?

Ela se distancia dele e tropeça, cegamente, e ele não consegue se conter e vai até ela. Ela é delicada, e está tremendo em seus braços e ambos estão suando frio, e ele não consegue parar. A boca dela está parcialmente aberta, e ele trás seus próprios lábios juntamente com os dela, provando batom, gengibre doce e Clary.

Eu te amo. Ele não pode dizer isso, então ele diz com a pressão de seus lábios, seu corpo e suas mãos. Eu te amo, eu te amo. Suas mãos estão em volta da cintura dela, a levantando, e ele esquecera: ela não é frágil; ela é forte. Os dedos dela estão sendo pressionados contra sues ombros, sua boca firmemente contra a dele, e seu coração está pulsando como se estivesse tentando se libertar do corpo dela enquanto a tinha como um alto falante quebrado.

Pare. Sua mente está dizendo. Pare, pare, pare. Ele força suas mãos para longe dela, e as coloca na parede, em ambos os lados da cabeça dela. Só que isso faz com que seus corpos fiquem mais próximos, e isso é um erro. Ele pode ver a pulsação de sua garganta; o batom dela se foi, e ele não consegue desvencilhar o olhar de sua boca roseada por causa do beijo, enquanto ela respira rápido:

– Por que você não consegue falar comigo? Por que não consegue olhar para mim?

Seu coração está batendo como se quisesse sair de seu corpo e fixar residência em outro lugar. – Porque eu te amo.

Isso é verdade, e uma verdade inadequada, mas ele sente como se ela saísse dele como se fosse uma mentira. A expressão da face dela fica mais suave, seus olhos maiores. Suas mãos estão juntas das dele, pequenas, e delicadas e cuidadosas, e ele se inclina para ela, respirando a fragrância dela sob o cheiro de água da chuva.

– Eu não me importo – ele se houve dizer – Eu estou cansado de fingir que posso viver sem você. Você não consegue entender isso? Você não pode ver que isso está me matando?

Ele está se entregando, e agora já é tarde demais. Ele vai até ela, como um viciado procura desesperadamente pela droga que jurou nunca tocar novamente, e que decidiu que é melhor usar tudo de uma vez, uma última vez, do que viver eternamente sem ela.

E o mundo cinzento explode em cores conforme eles ficam juntos, corpos batendo fortemente contra a parede atrás deles. A água encharcando o vestido dela o torna escorregadio como óleo sob seus dedos. Ele a pega e a trás pra perto de si, o desejo modelando seus corpos a cada toque. A respiração irregular dela em seu ouvido, as pálpebras dela quase fechadas e se mexendo rapidamente. Ele toca a pela dela em cada lugar que pode: seu pescoço, sua nuca, sua clavícula dura contra seus dedos, seus braços, macios e escorregadios. As mãos dela estão sobre ele, também, sem timidez, e cada toque parece evaporar a chuva e o frio.

Ela está agarrando os ombros dele enquanto levanta suas pernas e as coloca em volta da cintura dele, e ele faz um som que nem imaginava ser capaz de fazer. É tarde demais para retroceder agora. As mãos dele se cerram involuntariamente, e ele sente o tecido da calça dela rasgando sob seus dedos, e ele está tocando sua pele nua. E seus beijos têm gosto de chuva. E se ele não estava caindo antes, agora está.

Ele pensa na Queda, dos anjos eternamente no fogo, e Icarus, que voara próximo ao sol. Ele pensara na agonia da queda, o terror disso, mas nunca que isso poderia ser bom. Lucifer não queria cair, mas também não queria servir, e enquanto Jace se colocava junto de Clary, mais perto do que ele jamais pensara que poderia estar, ele imaginou se apenas no ato de cair que alguém realmente poderia ser livre.

Cidade das Almas Perdidas

Magnus e Alec

fontes: Idris BR; Site de Cassandra Clare

A lei dos feiticeiros era muito clara: se você amar um mortal, não há nenhum problema, mas não é sua tarefa intervir na mortalidade deles. Muito tempo se passou até que se acostumassem com essa lei… geralmente até você perceber que ser um imortal é mais um fardo do que uma dádiva.

Magnus deixou a caixa de pó em cima da mesa e pegou o telefone, apertando o botão de ligação rápida para o número de Alec. Quando Alec atendeu, ele soou tanto atormentado como esperançoso: “Magnus? Você encontrou algo?”

“Nada. Sinto muito.”

“Ah.” A decepção avassaladora fez com que a voz de Alec soasse diminuta.

“Mas estive pensando sobre a ligação parabatai”, disse Magnus. “Quando dois parabatai são realmente próximos, eles podem sentir se o outro está morto, ou transformados, ou –“

“Eu sei”, disse Alec. “Eu sei disso. Eu senti – naquele momento em que Jace morreu, em Idris. Mas não é como o que eu sinto agora.” Magnus podia visualizá-lo, olhos azuis em um rosto pálido, puxando uma mecha do cabelo enrolado dele. Geralmente, parecia que Alec havia caído da cama direto em uma pilha de roupa, sem realmente escolher algo que vestir, e desde que Jace desapareceu, parecia que ele havia começado a parar de pentear o cabelo, também. “Eu não sinto nada.”

“Tipo, realmente nada? Como… nada mesmo?”

“Isso…?” Alec soou confuso.

“Na verdade, isso me dá algumas idéias”, disse Magnus. “Eu farei tudo que eu puder para ajudar, mas você sabe disso, não, Alexander? Não por causa da Clave, mas por sua causa.”

“Eu sei”. Alec ficou em silêncio por um momento. “É bom ouvir sua voz, mesmo que você não possa ajudar”, acrescentou ele, e desligou abruptamente.

Magnus deixou o telefone ao lado dele e sentou-se por um momento, quieto o suficiente para ouvir sua própria respiração. Estou perdendo ele, pensou Magnus. Não sei como ou por quê, mas sei que estou.

Clary e Simon na Corte Seelie

fonte: Tumblr do mundiemoms
Deletado do Capítulo 4.

“Desta vez, quando Clary tocou o sino, em vez de se encontrarem no corredor escuro diante do aposento da Rainha, ela e Simon aterrissaram em uma caverna úmida e cheirosa, as paredes escorrendo com água fria, o chão enlameado e marrom sob seus pés. Várias passagens levavam ao que parecia ser a câmara principal. Quando se virou, as botas de Clary escorregaram na pedra molhada, e ela pegou o braço de Simon para se firmar.

Ele estava olhando para cima, olhando em volta para as paredes da caverna, seus olhos escuros curiosos. Ele colocou a mão na pedra e a afastou mostrando a ela como a palma da sua mão estava brilhando. “Olha,” disse ele. “Musgo fosforescente.”

“Fadas costumavam usá-lo para fazer tochas,” Clary disse, lembrando seu Códex. “Isso, e fogo-fátuo preso em vidro.”

“Vamos.” Simon puxou-a suavemente para a frente em direção a uma das passagens escuras que entravam na parede.

“Você sabe para onde está indo?”

“Em caso de dúvida, vá em frente,” disse ele. “Aprendi isso nos escoteiros. Além disso, posso ver perfeitamente bem no escuro.”

“Eu também posso, se eu fizer uma runa de visão noturna - oh!” Clary engasgou, e ambos pararam quando Meliorn apareceu diante deles, sua armadura branca brilhando como luz enfeitiçada na escuridão. Havia uma expressão desagradável em seus olhos pálidos.

“Então você voltou para nossas terras, humanos e mentirosos,” disse ele a Clary. “Você é muito corajoso ou muito estúpido para desejar vir até a Rainha depois do truque que você tentou jogar nela.”

“Eu não diria que foi uma tentativa,” disse Clary. “Da última vez que chequei, funcionou.”

“Sim,” disse Simon. Clary olhou de lado para ele, e ele deu de ombros. “Apenas apoiando você.”

“O que me impede de matá-lo aqui e receber o prêmio por você?” Indagou Meliorn, sem emoção.

“Duas coisas,” Clary disse, assinalando-as em seus dedos. "Um, eu não tenho isso em mim. Ele tem.” Ela indicou Simon. “Boa sorte tentando matá-lo. Dois, se você fizer isso, a Rainha nunca descobrirá o que eu queria, e você sabe que ela é curiosa. Se ela não fosse, ela teria tirado o apito de mim, não me deixado ficar com ele.”

Meliorn suspirou. “Você é o pior tipo de idiota. O tipo que pensa que é inteligente. Muito bem, pequena Nephilim humana. Me siga. Talvez, se tiver sorte, a Rainha permita que você viva.” Ele se virou e saiu pela passagem.

“Lembra quando nós pensamos que fadas eram pequenas criaturas que viviam em cogumelos e usavam chapéus de botão de ouro?” Clary olhou para Simon enquanto ambos começaram a seguir o cavaleiro das fadas. "Não era incrível?”

Simon sorriu, um flash na escuridão e apertou sua mão.

Cena Excluída do Capítulo 7

fonte: LiveJournal da Cassie

Maia estava esperando por eles no MacCarren Park, em um dos caminhos estreitos polvilhados com esqueletos de folhas caídas. Ela usava uma jaqueta de couro cinza e um chapéu rosa suave, puxado para baixo sobre as orelhas, do qual seu cabelo desgrenhado escapava em uma auréola marrom dourada. Ela acenou timidamente quando eles se aproximaram dela; as primeiras palavras de sua boca foram:

“Você ouviu sobre o Luke?”

Todos assentiram — Simon contou a Isabelle e Jordan o que ele sabia sobre a viagem de trem L — e ela deu um passo ao lado de Jordan enquanto atravessavam o parque, um quarteto em movimento. Jordan tinha as mãos nos bolsos e falava baixinho com Maia, lobisomem para lobisomem. Simon olhou para Isabelle, caminhando silenciosamente ao lado dele.

A fraca luz do sol de novembro saíra de trás das nuvens e detectara luzes avermelhadas no cabelo dela. Ela cheirava como o xampu de maçã dele e Caçadora de Sombras. “Então,” disse ele. “Você quer que eu pergunte por que você estava desmaiada na minha cama na noite passada quando eu cheguei em casa, ou não?”

“Eu não desmaiei na sua cama,” ela disse, enquanto eles balançavam à esquerda na Manhattan Avenue. A parada do trem G estava lá, e um cara estava encostado no corrimão, dedilhando uma música desafinada no violão. Do outro lado da rua havia uma loja da Thrifty onde ainda era possível comprar casquinhas de sorvete por 50 centavos. “Eu desmaiei na sua sala e Jordan me colocou no seu quarto.”

“Ele colocou?”

“Bem, se não foi Jordan, alguém invadiu sua casa e me colocou em sua cama. Pessoalmente, prefiro a teoria de Jordan. É menos assustador.”


“Não é isso, é - o que você estava fazendo, bêbada, com Jordan? Ele não bebe muito.”

“Eu imagino que não. Ele tem um gosto horrível para tequila.”

"Iz.” Simon colocou a mão no pulso dela. “Eu só quero saber por que você veio.”

Ela virou a cabeça para longe dele, o cabelo preto brilhante deslizando pelas costas. Havia uma pequena marca no lado inferior esquerdo da garganta, logo acima da clavícula. Parecia vulnerável, de alguma forma. Simon queria escová-lo com as pontas dos dedos, mas manteve as mãos nos bolsos. “Tudo é uma droga,” ela disse. “Eu vi Helen e Aline ontem à noite. Nós jantamos. Elas estão tão felizes, e eu continuo pensando… Ela mordeu o lábio. “Meus pais estão se divorciando, eu acho,” disse ela. “Alec está feliz, mas eu nunca o vejo. Jace é [redigido, desculpe pessoal!]. Max está morto. Clary—”

“Eu entendo,” disse ele, gentilmente. “Você precisava de alguém para conversar e não conseguia pensar em mais ninguém.”

“Não!” Isabelle disse, a frustração clara em sua voz. “Eu queria falar com você. Eu sempre — quero dizer, gosto de falar com você. Mesmo que as coisas não fossem assim, eu faria…“ Ela olhou para ele, de lado. "Quero dizer, nós namoramos.”

“Mas não foi — nunca foi sério,” Simon disse sem jeito. “Eu não acho que você queria…”

"Você queria? Queria que fosse sério? ”Isabelle perguntou. Havia certa rigidez em sua voz - orgulho, Simon adivinhou. Isabelle não era o tipo de garota que faz o primeiro movimento com os caras. Ela não era o tipo de garota que precisava.

"Você queria?”

Isabelle fez um barulho exasperado. “Olha, eu não vim ontem à noite porque você é o número seis em alguma lista e todo mundo está indisponível. Eu vim porque - eu gosto de você. Você me faz sentir melhor. Talvez seja algo sobre o seu rosto.”

"Meu rosto faz você se sentir melhor?” Então ela estava dizendo que ele era reconfortante, doce, confiável, todas essas coisas; coisas que ele sabia que Clary achava que ele era; coisas que não a ajudaram a olhar para ele ao invés de Jace, não por cinco minutos. E Isabelle gostava de seus garotos perigosos, não… tranquilizador. Tranquilizador era para animais empalhados. Como você pode ser um vampiro e não ser sexualmente ameaçador? Ele não tinha certeza, mas de alguma forma, ele conseguiu.”

Ele foi salvo de mais da conversa torturante por sua chegada ao apartamento de Magnus, o lobby do qual, como de costume, cheirava como uma combinação de xixi de gatoe pizza velha. Simon subiu as escadas depois de Isabelle - lembrando da primeira vez que ele esteve aqui, esmagado por Izzy e secretamente na esperança de deixar Clary com ciúmes, não que isso tivesse funcionado. O apartamento de Magnus estava cheio de fumaça de arco-íris e Seres do Submundo; agora, quando entravam, tudo estava quieto e cheio de sol do final da manhã.

Magnus, Jocelyn e Alec estavam sentados em volta de uma longa mesa retangular. Magnus estava segurando uma xícara de café, vestindo um macacão verde-escuro com listras amarelas de corrida, seu cabelo escuro uma massa indisciplinada de cabeceira. Alec parecia… Alec. Ele ergueu as sobrancelhas para a irmã quando ela entrou no quarto, mas não parecia inclinado a matar ela ou Simon.

Mas Jocelyn olhou para Simon com olhos tão penetrantes quanto unhas. “Onde está Clary?” ela disse, fortemente.

Clary e Jace

fonte: Cassandra Clare no Tumblr

Jace colocou o que ele estava segurando no peitoril da janela e estendeu a mão para ela. Ela veio inclinar-se contra ele, e a mão dele deslizou por baixo de sua camiseta e descansou carinhosamente, possessivamente, na parte baixa de suas costas. Ele inclinou-se para beijá-la, gentilmente a princípio, mas a gentileza foi rápida e logo ela foi pressionada contra o vidro da janela, as mãos na bainha de sua camisa - a camisa dele -

“Jace.” Ela se afastou um pouco. “Tenho certeza que as pessoas lá na rua podem nos ver.”

“Nós poderíamos…” Ele gesticulou em direção à cama. “Mova-se … para lá.”

Ela sorriu. “Você disse que demorou um pouco para pensar na ideia.”

Quando ele falou, sua voz foi abafada contra o pescoço dela. “O que posso dizer, você faz meu processo de pensamento desacelerar. Agora eu sei o que é ser uma pessoa normal.”

“Como… é isso?” As coisas que ele estava fazendo com as mãos por baixo da camiseta distraíam.

“Terrivel. Já estou muito atrasado na minha cota de comentários espirituosos do dia.”

Clary e Sebastian

fonte: Cassandra Clare no Tumblr

Os esforços de Clary quase não deram em nada quando ela olhou para cima e viu Sebastian, encostado na parede oposta do corredor, com os braços cruzados, olhando para ela.

Ela se sentiu imediatamente consciente do que estava vestindo. O mesmo vestido que ela usou no clube, mas sem as botas, o casaco e, o mais importante, sem o zumbido que ela passara na noite anterior, sentia-se desprotegida e vulnerável. “Quem tirou meus sapatos?”

“É isso que você quer saber?” Sebastian parecia incrédulo. “Você desmaia em um clube e acorda coberta de sangue e quer saber onde estão seus sapatos?”

Simon, Jordan e Izzy

fonte: Cassandra Clare no Tumblr

Estou dentro.

As palavras de Clary soaram na cabeça de Simon, claras como um sino, no momento em que ele abriu os olhos. Ele estava deitado na cama do quarto de hóspedes de Magnus, lençóis jogados, descalço; Isabelle se foi. Ele sentou-se, esfregando as têmporas e voltou a pensar:

Onde?

Simon? Sua voz era fraca, desvanecendo-se, como se estivesse se afastando dele. Ele sentou-se.

Clary

Não houve resposta. Ele ficou de pé com a boca seca.

Clary!

A palavra ecoou dentro de sua cabeça como um sino tocado em uma sala vazia. Xingando, ele tirou a roupa, vestiu uma calça jeans nova e um suéter, e saiu para a sala para procurar sua bolsa de viagem. Ele se sentiu um pouco doente, como se ele pudesse vomitar. Clary tinha gritado para ele, mas ele não podia alcançá-la de volta; e se ele nunca pudesse alcançá-la de volta? E se ela estivesse morta ou perdida ou os malditos anéis simplesmente não funcionassem?

Jordan estava deitado no futon de jeans e uma camisa verde, uma caneca de café equilibrada em seu estômago. Ele virou a cabeça, o cabelo escuro caindo em seus olhos, quando Simon entrou. “Seu telefone está tocando a manhã toda.”

Simon agarrou sua bolsa de mensageiro, pendurada em uma estaca na parede. “Quem era?”

“Eu não sei. Não verifiquei. É o seu telefone. Você recebe muitas ligações, cara.”

Simon insistiu em apontar que eles não tinham uma linha fixa, então todos que o conheciam tinham que ligar para o celular. Ele pegou o telefone e olhou para o número. Um prefixo 718 irreconhecível; alguém no Brooklyn. Ele olhou para Jordan. "Você viu Isabelle?”

Um pequeno sorriso brincou ao redor da boca de Jordan. “Ela está tomando banho.”

Simon olhou para a porta do banheiro, que estava fechada. Isabelle - Clary - foi tudo demais. O tipo de coisa que faria você querer respirar profundamente, se respirasse. Em vez disso, ele abriu o telefone e discou; foi atendido no primeiro toque. “Olá?”

Simon ficou chocado. “Magnus?”

Uma risada “Hey, Diurno.”

“Sem ofensa, mas eu nunca imaginei você me ligando antes.”

“Não é uma chamada social.” Houve um barulho no fundo; um murmúrio de vozes. “Simon, você tem — ”

“Não, quero dizer, eu realmente não pensei em você usando o telefone. Mais — aparecendo em uma explosão de glitter.”

"Você viu Clary?” Magnus disse com firmeza. “Vou abordar a questão do glitter mais tarde. Mas Jocelyn está aqui com o Irmão Zachariah, e —” ele baixou a voz — “Clary não está no quarto dela.”

Simon desistiu e respirou fundo de qualquer maneira, apenas por reflexo. "Não,” disse ele. “Não, ela não estaria.”

“Mas você sabe onde ela está?”

Simon fechou os olhos com força. “Sim.”

Houve uma pausa. “Eu acho que é melhor você vir aqui.”

“Você quer que eu leve Isabelle?”

“Isabelle está aí?” Magnus conseguiu soar secamente divertido, apesar de tudo.

“Ela — ela, ah, passou a noite.”

“Alec ficará encantado em ouvir isso. Talvez possamos fazer um concurso para ver se ele ou Jocelyn o matam primeiro.” Magnus gargalhou.“Você já contou a Jordan sobre Luke?”

“Não.” Simon abriu os olhos; Jordan ainda estava deitado no futon, absorto em um romance de ficção científica. “Eu devo?”

“Ele deveria saber. Ele é da Praetor Lupus e este é um grande negócio para os Filhos da Lua. Na verdade, traga-o junto. Traga todos os seus amiguinhos. Você vai precisar deles!”

Com aquele alegre pronunciamento, Magnus desligou. Jordan se sentou, deixando o livro de lado. “O que era aquilo sobre me dizer —”

Ele se interrompeu, arregalando os olhos. A porta do banheiro se abriu, e em uma nuvem de vapor veio Isabelle, seu cabelo como um rio preto molhado nas costas. Ela estava envolta em uma toalha vermelha que só batia no topo de suas coxas e suas pernas pareciam ter milhas de comprimento. Os dois meninos ficaram olhando para ela.

“Estou tão de ressaca,” anunciou ela, virou o cabelo sobre um ombro e saiu em direção ao quarto de Simon. Simon olhou para Jordan, cujas sobrancelhas subiram até a linha do cabelo.

Magnus e Jocelyn

fonte: Tweet de Cassandra Clare no twishort

"Ele é um Caçador das Sombras," disse Jocelyn. "Sua lealdade estará com a Clave e Pacto."

"Ele é meu amigo," disse Magnus friamente. "Sua lealdade é para mim."

Uma Questão de Poder

fonte: Idris BR; Site de Cassandra Clare
Alec e Camille falam sobre Magnus e seu pai. Um conto disponível na edição especial da Target de Cidade das Almas Perdidas.

– Conte-me mais – Alec disse, andando de um lado para o outro pelo chão de concreto da estação de metrô abandonada em City Hall – Eu preciso saber.

Camille olhou para o garoto enfrente dela. Ela estava recostada no divã escarlate que ela mesma havia colocado ali no pequeno espaço; ele tinha um encosto macio de veludo, embora estava gasto em alguns lugares. Não era a mobília mais fina que conhecera; e uma estação abaixo de Manhattan não poderia ser comparada com seu estúdio em Paris, sua casa em Amsterdã, ou a mansão do rio perto de São Petersburgo que ela recordava com uma leve memória.

– Saber mais sobre o que? – Ela disse, embora soubesse perfeitamente a resposta.

– Sobre Magnus – disse Alec. Ele segurava a luz de bruxa, com cuidado, como se ele tivesse esquecido que estava ali. Tão típico de um Nephilim, que achavam grandioso seus grandiosos poderes de anjo e a magia que corria em seus sangues. A pedra lançava sua luz para cima, mostrando claramente os planos e ângulos da face de Alec.

– Ele nunca fala para mim sobre seu passado, e eu não suporto isso. Eu não suporto não saber.

Ela olhou para o garoto. Ele era pálido como leite, seus olhos azuis em contraste com sua pele pálida e seus cabelos e cílios escuros. Ele tinha pelas longas, esguias como ramos de salgueiro, mas forte: um garoto muito bonito, até mesmo para ela, que olhava para os seres humanos e via mortalidade e decomposição.

– Você terá que aguentar – ela disse, tentando manter o tom entediado em sua voz – Se Magnus não compartilhou seus segredos com você ainda, ele talvez escolha nunca fazê-lo. Então você tem que escolher entre ter ele e seus segredos, ou não ter ele por completo.

Alec virou-se – Mas ele compartilhou seus segredos com você.

Camille deu de ombros. – Nós nos conhecíamos há muito tempo. Eu tinha muito tempo para dar – Ela sorriu, sentindo o beijo afiado de suas presas contra seu lábio inferior. Ela estava faminta. Ela pensou no garoto, o pulsar em seu pescoço que batia mais rapidamente conforme falava, seus olhos se ampliando. Ela imaginou se ele choraria. Lágrimas humanas eram salgadas, como seu sangue.

Mas ele não chorou. Sua expressão tornou-se severa, e ela viu o tremor em sua mandíbula que a lembrava dos ancestrais dele. – Quem é o pai dele?

Ela deixou sua cabeça cair sobre o divã. – E por que eu deveria te contar?

– Porque você quer que eu mate Raphael – ele disse – E porque eu poderia fazer a vida ser bastante desagradável para você, se você quiser.

Ele ergueu a luz de bruxa, e os raios de luz brancos e frios se espalharam pelo cômodo. Então ele havia se lembrado disso, afinal.

Ela se endireitou, arrumando o cabelo para trás.

– Essa é a última vez, Alexander. Depois disso eu não direi mais uma palavra até que você me traga o sangue de Raphael em suas mãos e o coração dele pendurado em uma corrente para que eu possa usar. Alec engoliu em seco.

– Conte-me. Onde ele nasceu. Que era seu pai.

– Você chamaria de Indonésia – disse Camille – mas para nós era as Índias Orientais Holandesas. A mãe de Magnus era mestiça. O pai era branco e a mãe Indonésia. O pai dele era um Príncipe do Inferno. Você conhece os Príncipes do Inferno, garoto anjo?

A pele pálida-branca de Alec ficou ainda mais pálida.

– Claro que sim – disse ele, secamente. – Eu sou um Caçador de Sombras. Mas eles são… míticos. Os maiores anjos do céu se tornaram os maiores príncipes do Inferno. E o maior de todos eles é … Lúcifer. – Ele prendeu a respiração. – Você não está dizendo…

Camille riu alto. – Que o pai de Magnus é o com a Luz Mais Brilhante? A Estrela da Manhã? Certamente que não! – Mas ele é o Príncipe do Inferno.

– Você terá que perguntar para Magnus você mesmo – disse Camille, brincando com um adorno na extremidade do braço de sofá.

– Talvez ele nunca lhe disse – Disse Alec – Ele amou você o suficiente para lhe contar? Você o amou?

– Ele me amava – disse Camille, pensativa. – Eu não o amava. Eu gostava muito dele. Mas eu nunca o amei. Não desse jeito. – Ela mudou de posição, irritada – Eu começo a me cansar de lhe dizer as coisas, jovem Caçador de Sombras, especialmente quando você tem sido de tão pouca utilidade para mim. As bochechas de Alec enrubesceram da cor de cravos roseados. Camille poderia dizer pela tensão em seu corpo esguio que ele estava segurando tanto raiva quanto vergonha: ele precisava dela, ela pensou com satisfação, precisava dela para satisfazer a curiosidade que o consumia, alimentado pelo medo. A necessidade de Alec era como a dela por sangue. – Uma última coisa – ele disse, com uma voz baixa – Uma última coisa e eu deixo você sozinha.

Ela levantou suas sobrancelhas.

– Eu sou diferente? – Ele perguntou – Existe alguma forma que ele me ama que é diferente do modo como ele já amou antes?

Ela permitiu seus lábios se levantarem em um sorriso lento.

– A resposta dessa pergunta, Alexander, vai custar caro.

– Me custar o quê? O que mais?

Havia dor em sua voz. – Sangue – disse ela.

Um longo silêncio se estendeu entre eles. Finalmente, em um tom incrédulo, ele disse: – Você quer beber do meu sangue?

Ela riu.

– Você sabe quanto tempo se passou desde que eu bebi de um ser humano saudável? E o sangue dos Caçadores de Sombras tem uma qualidade especial. Nem todos vocês são como o seu Jace, é claro, levando luz do dia em suas veias. Mas ainda assim – é uma safra de qualidade incomum.

O rubor nas bochechas de Alec se aprofundou. Ele olhou fixamente para ela, como ela estava deitada contra o veludo, semicerrando seus olhos. Ela sabia que sua a beleza não poderia aquecê-lo ou tentá-lo, mas não importava. Beleza era poder, mas há outros tipos de poder.

A essa proximidade de Alec, ela podia sentir seu cheiro: colônia de sândalo, o frio do inverno, o cheiro de sal do medo humano. E eles eram humanos, os Caçadores de Sombras. Por baixo de tudo, ainda humanos, presos as emoções humanas, as fraquezas humanas e medos humanos, por tudo o que eles acreditavam que eles eram especiais para eles. – Muito bem – ele disse – Só essa vez.

Ela observou através de seus olhos semicerrados que escondiam seu triunfo, o leve tremor nos dedos de Alec enquanto ele chegava no botão que prendia a punho da camisa em seu pulso esquerdo e o abriu, e em seguida ofereceu à ela sua pele nua e desprotegida.

Clary, Jace e Sebastian

fonte: Cassandra Clare no Tumblr
Um presente de Cassie pelo trending #weareshadowhunters.

Clary estava no quarto de Jace quando ele e Sebastian voltaram para a casa. Ela havia encontrado muito pouco durante sua busca. Não havia nada no quarto de Sebastian que pudesse ser considerado interessante, exceto alguns livros escritos em latim, e seu latim não era bom o suficiente para lê-los. Havia páginas que pareciam ter sido arrancadas de velhos guias de viagem, ilustradas com desenhos de caneta preto e branco, pregadas nas paredes, mas parecia não haver nenhuma conexão entre elas. Nas lareiras havia pedaços de cinzas que pareciam restos de fotografias queimadas, mas eles se despedaçaram quando ela tentou pegá-los.

O quarto de Jace foi o próximo, limpo como um alfinete, contendo quase nada de seus pertences. Havia armas, mas ela não as reconheceu, ou os livros nas prateleiras também. Seu armário estava cheio de roupas, mas, como as roupas no quarto principal, eram em grande parte novas: ele deve tê-las comprado na última semana, uma vez que os preços ainda estavam pendurados em várias delas. Elas não eram o que ela pensava como o estilo de Jace. Ele sempre se vestia de maneira simples – coisas que eram simples, cores sólidas, roupas que se encaixavam bem, mas não chamavam a atenção. Ele era lindo o suficiente para não importar, ela sempre pensara; ele parecia incrível em somente jeans e uma camiseta. E ele tinha muitos deles em seu armário agora, mas as camisas tinham etiquetas de grife, os casacos e jaquetas eram Burberry e Hugo Boss e Dolce & Gabbana.

Como as roupas no armário de Sebastian.

Como as roupas caras que Valentim sempre usava.

Ela fechou a porta do armário e sentou-se na cama de Jace, dizendo a si mesma que estava sendo idiota. Roupas de grife não eram nada para se preocupar. Havia outras coisas no quarto que falavam do Jace que ela sempre conhecera – a limpeza, a organização de suas armas em cima de sua cômoda em ordem de tamanho, os livros na mesinha de cabeceira. Ele sempre usou uma adaga fina como marcador de livros; isso não mudou. A foto dos dois ficava presa na parede. Até mesmo o sabonete cítrico em seu banheiro era o mesmo sabonete que ele sempre usou —

Ela ouviu passos na escada, vozes. A de Sebastian aumentou: "Onde ela está?"

Ela mal teve tempo de apagar a luz, atirar-se na cama e enrolar-se com a cabeça no travesseiro quando a porta se abriu. Jace ficou ali emoldurado no brilho do corredor, Sebastian atrás dele. Ela levantou-se em seu cotovelo, piscando sonolenta para eles, apesar da aceleração de seu coração. "Vocês acabaram de voltar?"

Jace deu uma olhada em Sebastian – um olhar que dizia claramente: Eu te disse que ela estaria aqui. "Você não nos ouviu subir?"

Ela balançou a cabeça. "Desculpe, eu fiquei cansada. Eu acho que ainda estou exausta por ficar acordada até o amanhecer na outra noite." Ela olhou para Jace demoradamente. "Eu estava me sentindo um pouco solitária, então pensei se me enrolasse em sua cama..."

Eu sou como se tivesse feito isso? Seu rosto relaxou, mas Sebastian estava olhando para ela como se seu olhar pudesse passar por ela como um vidro claro, e ele se divertiu com o que viu.

Ela se sentou, sacudindo o cabelo para trás e pegou a lâmpada na mesa de cabeceira. "Não—" Jace começou, mas ela já tinha ligado.

Ela endureceu. Os dois garotos olharam para ela, Jace com alguma preocupação e Sebastian com sua costumeira peculiar de meio divertimento. Seus olhos escuros encontraram os dela com a mensagem que sempre mantinham, a que ela tentou não ler: Nós sabemos, você e eu. Nós sabemos a verdade.

Mas nada disso foi o que a fez endurecer. Era que ambos estavam salpicados de sangue – havia uma mancha na bochecha de Jace, manchas nas mangas e um rasgão na camisa, as bordas escuras e duras com sangue seco, embora a pele por baixo não estivesse marcada. Sebastian, no entanto – Sebastian tinha sangue até em seu cabelo branco prateado, e em suas roupas, e em suas mãos tão grossas que parecia como se ele estivesse usando luvas vermelhas. A pulseira de prata que ele usava no pulso onde a mão dele havia se regenerado estava manchada de vermelho.

Clary ouviu sua própria voz como se de muito longe. "O que aconteceu?"

"Nós nos deparamos com um pequeno problema," disse Sebastian. "Nada que não pudemos aguentar." Ele inclinou a cabeça para o lado. "Você parece tão pálida quanto um fantasma, irmãzinha. Não me diga que você não viu pior. Somos Caçadores de Sombras. É isso que fazemos."

"Claro." Clary falou mecanicamente. "Eu só não quero que você se machuque."

"Então você não precisa se preocupar com nada. A maior parte disso nem é nosso sangue."

Ela engoliu em seco contra a garganta seca. "Então de quem é?"

Cena Estendida do Clube (DSCS)

fontes: LiveJournal da Cassie; Site de TMI
Nota de CC: Agora tenha em mente que uma versão disso ainda existe nos livros, mas é muito menos... bem. Você verá. Eu escrevi isso no México, provavelmente tendo bebido muito mezcal, e eu estava tentando capturar um clima realmente sombrio, deixando a sensualidade de lado, fazendo coisas que provavelmente são uma má ideia, você entendeu.

"O que está acontecendo?" Era Jace, tendo lutado para se libertar do bando de dançarinos. Mais do material cintilante se apoderou dele, gotas prateadas agarradas ao ouro de seu cabelo. "Clary?"

"Desculpe," disse ela, ficando de pé. "Eu me perdi na multidão."

"Eu notei," disse ele. "Um segundo eu estava dançando com você, e no próximo você se foi e um lobisomem muito persistente estava tentando desabotoar os botões do meu jeans." Ele pegou a mão de Clary, tocando levemente o pulso dela com os dedos. "Você quer ir para casa? Ou dançar mais um pouco?"

"Dançar mais um pouco," disse ela, sem fôlego. "Tudo bem?"

"Vá em frente." Sebastian se inclinou para trás, suas mãos apoiadas atrás dele na borda da fonte, seu sorriso como a ponta de uma navalha. "Eu não me importo de assistir."

Algo passou pela visão de Clary: a lembrança de uma marca de mão sangrenta. Ele foi embora assim que chegou e ela franziu a testa. A noite era linda demais para pensar em coisas feias. Ela olhou para o irmão apenas por um momento antes de deixar Jace levá-la de volta através da multidão até a borda, perto das sombras, onde a pressão dos corpos era mais leve. Outra bola de luz colorida explodiu acima de suas cabeças, espalhando prata, e ela inclinou a cabeça para cima, pegando as gotas salgadas doces em sua língua.

Jace parou e virou-a para ele. Ela podia sentir o líquido prateado escorrendo pelo rosto como lágrimas. Ele a puxou contra ele e as beijou, como se estivesse beijando para tirar as lágrimas, e seus lábios estavam quentes em seu rosto e a fez tremer. Ela pegou o zíper do paletó do exército, rasgou-o, deslizou as mãos por dentro e por cima do algodão da camisa dele, depois por baixo da barra, as unhas coçando levemente as costelas dele. Ele parou e segurou a nuca dela com a mão, inclinando-se para sussurrar em seu ouvido. Não podia mais se dizer que eles estavam dançando: a música hipnótica continuou ao redor deles, mas Clary mal notou isso. Um casal dançando riu e fez um comentário zombeteiro em tcheco: ela não conseguia entender, mas suspeitava que a essência era conseguir um quarto.

Jace fez um barulho impaciente e então ele a puxou atrás dele novamente, através do último da multidão e em uma das alcovas sombrias que cobriam as paredes.

Essa alcova era cônica, com um baixo pedestal de pedra no centro, no qual se erguia uma estátua de anjo, com quase um metro de altura. Era feito de basalto negro, mas seus olhos eram de vidro, como olhos de boneca, e suas asas eram prateadas. O chão estava escorregadio e úmido. Eles deslizaram através dele para parar contra uma parede, Jace de costas para ela, e então ele estava beijando-a, contundindo beijos duros e famintos. Ele também tinha gosto doce salgado e gemeu quando ela lambeu o gosto de seus lábios. Suas mãos se entrelaçaram no cabelo dele. Estava escuro na alcova, tão escuro que Jace era apenas um esboço de sombras e ouro. Ela agarrou as bordas da jaqueta dele, empurrando-a de seus ombros; caiu no chão e ele chutou para longe. As mãos dela subiram por baixo da camisa dele, arranhando as costas dele, dedos cavando a pele ali, suavidade em camadas sobre músculos duros.

Ele a beijou com mais força e ela agarrou seus ombros quando ele chupou o lábio inferior em sua boca e mordeu, enviando um choque de prazer misturado com dor através de seu corpo. Ela se contorceu para se aproximar dele e sentiu sua respiração acelerar; ela podia sentir o gosto de sangue na boca, salgada e quente. Era como se eles quisessem separar um ao outro, ela pensou, subir um no outro e respirar o fôlego um do outro e compartilhar os batimentos cardíacos um do outro, mesmo que isso matasse os dois. Havia sangue sob as unhas, onde ela havia arranhado as costas dele.

Jace a pressionou para frente, girando os dois ao redor, então ela estava presa entre o corpo dele e a parede. Quando se viraram, ele pegou a borda da estátua do anjo, derrubando-a no chão e quebrando em uma nuvem de pó de mármore. Ele riu e caiu no chão na frente dela de joelhos entre os restos de estátuas quebradas. Ela olhou fixamente para ele atordoada enquanto ele passava as mãos pelas botas, pelas pernas nuas, até a renda que contornava a parte inferior de seu vestido deslizante. Ela respirou fundo, enquanto as mãos dele deslizavam como água para cima e sobre a seda, até a cintura, para agarrar seus quadris, deixando marcas de prata na seda.

"O que você está fazendo?" ela sussurrou. "Jace?"

Ele a olhou. A luz peculiar no clube transformou seus olhos em uma matriz de cores fraturadas. Seu sorriso era perverso. "Você pode me dizer para parar quando quiser," disse ele. "Mas você não vai."

"Jace..." Suas mãos se agruparam na seda do vestido, arrastando a barra para cima, e ele se inclinou para beijar suas pernas, a pele nua onde as botas terminavam, os joelhos (quem sabia que os joelhos podiam ser tão sensíveis?) E mais acima , onde ninguém nunca a beijou antes. Os beijos eram leves, e mesmo quando seu corpo ficou tenso, ela queria dizer a ele que precisava de mais, mas não sabia o que, não sabia exatamente o que precisava, mas não importava, porque ele parecia saber disso. Ela deixou a cabeça cair contra a parede, meio que fechando os olhos, ouvindo apenas o batimento cardíaco como um tambor nos ouvidos, ainda mais alto e mais alto.

Carta de Stephen Herondale

fonte: Livros On-Line

Uma carta de Stephen Herondale a seu filho, Jace, escrito por ele antes de morrer. Está disponível na da edição especial de Cidade das Almas Perdidas da Barnes & Noble

Para meu filho,

Se você está lendo essa carta, significa que eu morri. Espero pela minha morte, senão hoje, em breve. Suspeito que Valentim vá me matar. Por todo o seu discurso de me amar, por todo o seu desejo de um braço direito, ele sabe que tenho dúvidas. E ele é um homem que não consegue conviver com dúvidas.

Eu não sei como você vai lidar com isso. Não sei como lhe dirão sobre mim. Nem sei quem te dará essa carta. Eu a confio a Amatis, mas não posso prever o que o futuro reserva. Tudo que sei é que esta é a minha chance de lhe dar um acerto de contas com um homem que você pode odiar.

Há três coisas que você deve saber sobre mim.

A primeira delas é que sou um covarde. Ao longo de toda a minha vida eu tomei as decisões erradas por que eram fáceis, por que eu me beneficiaria, por que eu estava com medo. No começo, eu acreditava na causa de Valentim. Virei as minhas costas para minha família por causa do Círculo, por que eu me via como algo melhor que os Seres do Submundo e os meus pais sufocantes. Minha ira contra eles foi uma ferramenta que Valentim usou para fazer a sua vontade, e mudou muitos de nós.

Não reclamei quando ele afastou Lucian e eu tomei o seu lugar. Quando ele exigiu que eu deixasse Amatis, a mulher que amo, para me casar com Celine, uma garota que não conheço, eu o fiz, para minha eterna vergonha. Não posso imaginar o que você está pensando ao falar da garota que era sua mãe.

A segunda coisa que você deve saber é o seguinte: não culpe Celine por nada disso, não importa o que aconteça. Não foi culpa dela, foi minha. Sua mãe era uma inocente brutalizada pela própria família: ela só queria bondade, se sentir segura e amada. E embora meu coração já tivesse alguém, eu a amava, de certa maneira, mas meu coração era fiel a Amatis: Non sum qualis eran bonae sub regno Cynarae. Me pergunto se você gosta de latim assim como eu, e de poesia. E me pergunto quem lhe ensinou.

A terceira coisa, e mais difícil que você deve saber é que eu estava preparado para te odiar. O meu filho com a noiva que mal conhecia, você parecia ser a culminação de todos os erros que cometi, todos os pequenos compromissos que me levaram à dissolução. No entanto, à medida que você cresce em minha mente, assim como o faz no mundo, um inocente sem culpa, comecei a perceber que não te odeio. É da natureza dos pais ver a sua própria imagem nos filhos, e eu me odiava, não a você.

Só há uma coisa que quero de você, meu filho – uma coisa de você, apenas de você. Quero que seja um homem melhor do que fui. Nunca deixe que alguém lhe diga o que é, ou o que deveria ser. Ame quem você quiser. Acredite no que quiser. Assuma o direito de sua liberdade.

Eu não te peço para salvar o mundo, meu garoto, meu filho, o único filho que terei. Peço apenas que seja feliz.

Stephen

Capítulo 7 Clace

fonte: Cassandra Clare no Tumblr
Uma cena Clace deletada/reescrita de Cidade das Almas Perdidas

Clary não sabia a quanto tempo ela estava sentada nos degraus da frente de Luke quando o sol começou a nascer. Ele se erguia atrás de sua casa, o céu tornando-se de uma tonalidade rosa escuro, o rio uma faixa de azul de aço. Ela estava tremendo – estava tremendo tanto que todo o seu corpo parecia ter contraído um único estremecimento de frio. Ela havia usado duas runas de aquecimento, mas elas não ajudaram; ela tinha a sensação de que o tremor era psicológico tanto quanto qualquer outra coisa. Ele viria? Se ele ainda era tão Jace por dentro como ela pensava que ele era, ele viria; quando ele disse que voltaria para ela, ele teria querido dizer o mais cedo possível. Jace estava impaciente. E ele não fazia joguinhos.

Mas havia apenas tanto tempo que ela podia esperar. Por fim, Magnus acordaria e procuraria por ela; sua mãe voltaria da fortaleza de ferro com o Irmão Zachariah. Ela teria que desistir de Jace, pelo menos por mais um dia, se não mais.

Ela fechou os olhos contra o brilho do nascer do sol, apoiando os cotovelos no degrau acima dela. Por um momento, ela deixou-se flutuar na fantasia de que tudo estava como era, que nada havia mudado, que ela encontraria Jace esta tarde para praticar, ou aquela noite para o jantar, e ele a abraçaria e a faria rir do jeito que ele sempre fez. Gotas quentes de sol tocaram seu rosto. Relutantemente, seus olhos se abriram.

E ele estava lá, caminhando em sua direção pelos degraus, silencioso como um gato como sempre. Ele usava botas, calça preta, um suéter azul escuro que fazia seu cabelo parecer sol. Ela se endireitou, seu coração batendo forte. O sol brilhante parecia delinear-lhe a luz e seus olhos brilhavam como escudos polidos. Ela pensou naquela noite em Idris, observando os fogos de artifício, como eles haviam cruzado o céu e ela pensou em anjos, caindo no fogo.

Ele chegou até ela e estendeu as mãos; ela as pegou e deixou que ele a pusesse de pé. Seus pálidos olhos dourados procuraram seu rosto. "Eu quero você comigo," disse ele. "Mas eu quero que seja a sua escolha. Uma vez que formos, não há como voltar.

"E se eu disser não?" ela disse, em um sussurro.

"Então voltarei e perguntarei novamente mais tarde. E novamente depois disso. Mas sempre será sua escolha."

"Eu te amo," disse ela. "Nunca houve, nunca haverá ninguém para mim além de você."

Ele balançou sua cabeça. "O amor é uma palavra muito pequena," disse ele. "Você está em meus ossos e meu sangue e meu coração. Eu teria que me abrir para te deixar ir, e mesmo assim..." Ele a puxou contra ele, contra seu coração. "Venha comigo, Clary. Venha comigo."

"Eu odeio a ideia de viver sem você," disse ela, e pensou, e agora a mentira começa. "Eu quero ir com você. Eu não me importo para onde vamos, ou o que você está fazendo, ou sobre qualquer coisa, exceto estar com você."

Ele sorriu, brilhante como o sol saindo de trás das nuvens. "Você tem certeza?"

"Tenho certeza."

Ele se inclinou para frente e a beijou. Estendendo a mão para segurá-lo, ela provou algo amargo em seus lábios; então a escuridão desceu como uma cortina sinalizando o fim do ato de uma peça.

Clary e Simon na Corte Seelie 2.0

fonte: Cena cortada dada ao tumblr do fuckyeahmortalinstruments por Cassandra Clare

Clary balançou a cabeça. "Há mais a honestidade do que... do que um arranjo de palavras. Eles dizem que fadas não podem mentir, mas você mente em suas intenções, sua atitude, seu comportamento—"

"E os humanos não?" O olhar da Rainha deslizou por Clary e Simon. "Este vampiro, esse Diurno que você traz para todo lugar com você – ele é aquele cujo beijo você não desejou, aqui na minha corte, não é? Você se importa com ele, ou é apenas a Marca de Deus sobre ele que faz você trazê-lo com você, como um escudo? E você," ela acrescentou, voltando-se para Simon, "você que a amava, agora você empresta seu estimado poder ao projeto de encontrar aquele que ela ama mais? Onde está a vantagem para você?"

Simon pigarreou. "Talvez seja essa a diferença entre o meu tipo e o seu," disse ele. "Às vezes fazemos coisas que não são para nossa vantagem."

"Ah," disse a rainha. "Estupidez, você quer dizer."

"Eu não chamaria isso." Clary não pôde deixar de ficar impressionada – a última vez que eles estiveram aqui, Simon estava muito desconfortável e fora de sua profundidade para dizer mais do que algumas palavras; agora ele estava se mantendo firme. "Agora, você quer o ___ ou não? Temos negócios para atender."

"Eu poderia tirar isso de você," disse a rainha. "A menina não será difícil de descartar, e quanto a você, Diurno, aqueles que me servem, servem com suas vidas. Um ataque suicida pode te incomodar muito, apesar de sua maldição." Ela passou os olhos por ele demoradamente.

"Eu sou a filha adotiva do membro do Conselho Lucian Graymark," disse Clary. "Eu sou próxima dos Lightwood do Instituto. Vale a pena ganhar a ira e raiva deles só para se vingar de mim por enganá-la? Além disso – eu sempre ouvi dizer que as fadas gostavam de inteligência. Você não gostaria que dissesse que você não pode apreciar um bom truque, mesmo às suas próprias custas, gostaria?"

Clary viu pelo estreitamento dos olhos da Rainha que ela tinha apostado difícil – talvez muito difícil – no orgulho da mulher fada; mas, um momento depois, a Rainha sorria e as criaturas nas paredes gritavam apreciativamente. "Traiçoeira como seu pai," disse ela, e Clary sentiu como um chute no estômago. "Muito bem. O que você gostaria de mim em troca do ___? Eu decidirei se sua proposta merece uma negociação."

Cidade do Fogo Celestial

Casamento

fonte: Cidade do Fogo Celestial; compartilhado online por Cassandra Clare no Tumblr; Idris BR
Isto vem com a edição inglesa em paperback de Cidade do Fogo Celestial. Foi desenhado por Cassandra Jean.

Portal para LA

fonte: Cidade do Fogo Celestial; compartilhado online por Cassandra Clare no Tumblr; Idris BR
Esta é uma cena excluída que foi desenhada em um mini-quadrinhos por Cassandra Jean e veio com a edição especial da Cidade do Fogo Celestial da Target.

Corte do Diretor da Cena da Caverna (DSES)

fonte: Cassandra Clare no Tumblr

...Por um momento Jace apenas olhou para ela com espanto, seus lábios entreabertos; Clary sentiu suas bochechas corarem. Ele estava olhando para ela como se ela fosse a primeira estrela que havia aparecido no céu, um milagre pintado na face do mundo em que ele mal podia acreditar. Ele engoliu em seco. "Deixe-me—" ele disse, e parou. "Posso te beijar? Por favor?"

Em vez de concordar, ela se inclinou para pressionar os lábios contra os dele. Se o primeiro beijo deles na água foi uma explosão, este era um sol que se transformava em supernova. Um duro, quente, beijo de condução, um beliscão em seu lábio inferior e o choque de línguas e dentes, ambos pressionando o mais forte que podiam para se aproximar. Eles estavam colados juntos, pele e tecido, uma mistura inebriante do frio da água, o calor de seus corpos e o deslizamento sem atrito da pele úmida.

Jace a levantou, arrastando-a para cima de seu corpo, e ela sentiu ele sugar sua respiração no contato. Suas mãos deslizaram sob ela, agarrando suas coxas enquanto ele as levava para fora do lago. O ar frio atingiu seu corpo e ela estremeceu; Jace se ajoelhou na areia da praia, colocando-a gentilmente sobre a pilha de suas roupas amontoadas.

Clary esticou o corpo para fora, tentando se alinhar com ele, e viu seus olhos escurecerem enquanto ele a observava. Suas roupas de baixo molhadas se agarraram ao seu corpo assim como a de Jace se agarrou ao dele. Ela deixou seus olhos vagarem sobre ele, percebendo o que era familiar e o que não era: o brilho de seus ombros, a curva de sua cintura, as cicatrizes em sua pele... seu olhar foi mais para baixo...

Ele riu, um grunhido baixo e sombrio. "É um pouco injusto," ele disse, sem fôlego, "que você pode dizer o quanto eu quero isso apenas olhando para mim e não posso dizer a mesma coisa sobre você." Ela se mexeu embaixo dele. Seus corpos se juntaram e seu pulso saltou, suas mãos cavando na areia em ambos os lados dela. "Olhe para mim," disse ela.

Seus olhos estavam meio fechados; ele os abriu agora e olhou para ela. Havia fome nos seus, uma fome devoradora quente que a teria assustado se tivesse sido qualquer outra pessoa além de Jace. Mas era Jace, e ela confiava nele. "Olhe para mim," disse ela, e seus olhos a percorreram, adorando, devorando, engolindo, e seu corpo parecia como se o líquido em chamas estivesse surgindo por toda parte, seu olhar tocado. Ele arrastou os olhos de volta para o rosto dela: eles se fixaram em sua boca. "Eu quero você," ela disse. "Eu sempre quis." Ela o beijou devagar e com força. "Eu quero, se você quiser."

"Se eu quero?" Havia uma ponta selvagem em sua risada suave. Ela podia ouvir a suave sujeira de areia entre seus dedos, viu a hesitação em seus olhos, a preocupação por ela, e ela se levantou e envolveu suas pernas ao redor de seus quadris. Ele pressionou seu rosto quente em sua garganta, sua respiração entrecortada. "Se você fizer isso — eu não vou conseguir parar —"

"Não pare, eu não quero que você pare," disse ela, e aumentou o aperto sobre ele, e com um grunhido ele tomou sua boca novamente, quente e exigente, chupando o lábio inferior em sua boca, sua língua deslizando contra a dela. Ela o provou em sua boca, o sal de suor e água da caverna. Ela nunca tinha sido beijada assim antes, nem mesmo por Jace. Sua língua explorou sua boca antes de descer pela garganta: ela sentiu o calor úmido no oco de sua clavícula e quase gritou. Ela agarrou-o em vez disso, passando as mãos por todo o corpo dele, descontroladamente sabendo que podia tocá-lo, tanto quanto gostasse, como quisesse. Ela sentiu como se estivesse desenhando-o, suas mãos mapeando sua forma, o declive de suas costas, a barriga lisa, os entalhes acima de seus quadris, os músculos em seus braços. Como se, como uma pintura, ele estivesse ganhando vida sob suas mãos.

Quando as mãos dele deslizaram por baixo do sutiã para segurar seus seios, ela engasgou com a sensação, então acenou para ele quando ele congelou, seus olhos questionando. Continue. Ele abriu a frente e o sutiã se abriu e por um momento ele congelou, olhando para ela como se ela brilhasse como luz enfeitiçada. Então ele inclinou a cabeça novamente e a sensação de sua boca em seus seios fez com que ela gritasse. Ela colocou a mão sobre a boca, mas ele estendeu a mão e arrancou-a. "Eu quero ouvir você," ele disse, e não era uma exigência, mas um desejo baixo e devoto. Ela assentiu e enterrou as mãos no cabelo dele.

Ele beijou seus ombros e seus seios, seu estômago, seus quadris; ele a beijou em todos os lugares enquanto ela engasgava e se movia contra ele de um jeito que o fez gemer e implorar para ela parar ou tudo acabaria cedo demais. Ela riu através de seus suspiros, disse-lhe para continuar, tentou se conter, mas era impossível.

Parou antes de retirar cada peça de roupa de cada um deles, perguntando-lhe com olhos e palavras se devia continuar, e a cada vez que assentia e dizia sim, seguia em frente, sim. E quando finalmente não havia nada entre eles além da pele, ela acalmou as mãos, pensando que não havia como estar mais perto de outra pessoa do que isso, que dar outro passo seria abrir o peito e expor seu coração.

Ela sentiu os músculos de Jace se flexionarem quando ele passou por ela por algo, e ouviu o estalo de papel alumínio. "Ainda bem que eu trouxe minha carteira," ele disse, sua voz instável.

De repente, tudo parecia muito real; ela sentiu um súbito lampejo de medo. "Espere," ela sussurrou. Ele parou. Sua mão livre estava embalando sua cabeça, seus cotovelos cavados profundamente na areia em ambos os lados dela, mantendo seu peso fora de seu corpo. Todo ele estava tenso e tremendo, e as pupilas de seus olhos estavam arregaladas, a íris apenas uma borda de ouro. "Algo está errado?"

Ouvir Jace soar incerto – ela pensou que talvez seu coração estivesse rachando, quebrando em pedaços. "Não," ela sussurrou. "Apenas – me beije", ela implorou, e ele fez, não se mexendo para fazer qualquer outra coisa, apenas a beijando: beijos lentos, quentes e langorosos que aceleravam conforme o batimento cardíaco dele, conforme o movimento de seus corpos aceleravam um contra o outro. Cada beijo era diferente, cada um subindo cada vez mais alto como uma faísca quando um fogo crescia: rápidos e suaves beijos que lhe diziam que ele a amava, longos e lentos beijos de adoração que diziam que ele confiava nela, beijos leves e divertidos que diziam que ele ainda tinha esperança, beijos adorados que diziam que ele tinha fé nela como em nenhum outro. Clary abandonou-se aos beijos, a linguagem deles, o discurso sem palavras que passou entre eles. Suas mãos tremiam, mas eram rápidas e habilidosas em seu corpo, leves toques fazendo-a querer mais e mais até que ela empurrou e puxou para ele, instigando-o contra ela com o apelo mudo de dedos e lábios e mãos.

E mesmo no momento final, quando ela se encolheu, pressionou-o para continuar, envolvendo-se em torno dele, não deixando-o ir. "Jace," ela sussurrou, e ele inclinou a cabeça para beijá-la enquanto ele cuidadosamente, cuidadosamente começou a se mover. Ela podia ver na tensão do corpo dele, o aperto dele no ombro dela, que ele não queria que isso acabasse rápido demais: ele fechou os olhos, seus lábios se movendo, silenciosamente moldando o nome dela.

Nos últimos dias, semanas, seu corpo tinha sido rasgado por armas, por cacos de vidro, arremessado através dos Portal|Portais, quebrado e ferido. Agora ela deixava tudo isso de lado, deixava seu corpo lembrar-se de que também era algo que poderia dar prazer a ela e à pessoa que ela mais amava no mundo. "Eu te amo," disse ela, com as mãos no cabelo dele. "Eu te amo."

Ela viu seus olhos se arregalarem e algo por trás de sua expressão se rompeu. A última parede ao redor de seu coração, o último pedaço de autoproteção que ele segurava no lugar. Ele desmoronou em uma luz brilhante quando ele se desfez contra ela, como a luz do sol entrando em uma sala que tinha sido murada por um longo, longo tempo. Ele enterrou o rosto no pescoço dela, dizendo o nome dela várias vezes antes de cair contra o ombro dela. E quando finalmente Clary fechou os olhos, ela pensou ter visto a caverna queimar em ouro e branco, envolvendo os dois no fogo celestial, a coisa mais linda que já vira.

Capítulo 23

fontes: Idris BR; Cassandra Clare no Tumblr
Não houveram muitas coisas relevantes que não apareceram em Cidade do Fogo Celestial. A maioria das coisas foram reescritas ao invés de substituídas. Mas tem uma parte da morte do Sebastian que ficou de fora.

— Nós te perdoamos — disse Jocelyn. Ela ainda estava chorando, do mesmo jeito sem som horrível, do mesmo jeito que havia chorado em todos os aniversários de Jonathan quando pegava a caixa com suas iniciais.

— Não — disse ele. — Não há perdão para o que eu fiz. Eu sei onde vou arder quando morrer.

— O céu não perdoa, mas as mães sim — falou Jocelyn. — Quando você era um bebê dentro de mim, eu sonhei tudo por você. Que você seria belo e forte e bom. Que eu cantaria e cuidaria de você. — Ela apertou a mão dele. — Talvez não nesse mundo, mas em outro acredito que essa é a verdade.

— Não me perdoe — ele sussurrou. — Odeie-me. Comemore a minha morte. Depois de tudo que eu fiz, a última coisa que eu queria era te trazer mais sofrimento.

— Jonathan — Clary sussurrou. Ele olhou para ela.

— E irmãs? — ele disse. — Irmãs perdoam?

Uma Carta das Fadas

fonte: City of Heavenly Fire; compartilhado online por Cassandra Clare no Tumblr
Isso veio nas primeiras edições em inglês de Cidade do Fogo Celestial. Isso foi concebido como uma prévia da série Os Artifícios das Trevas. É a carta que fadas enviaram a Arthur pedindo sua ajuda em troca da volta de Mark, mencionada mais tarde em Dama da Meia-Noite.

Imagem da folha com a carta.

Para Arthur Blackthorn, diretor do Instituto de Los Angeles:

Imploramos mais uma vez por uma questão de grande importância. Como você sabe, nos últimos meses, os corpos marcados e mutilados do nosso povo e do seu foram encontrados por toda a cidade de Los Angeles. Esse é o seu domínio e, mais uma vez, nos humilhamos diante de você e solicitamos ajuda. Após os eventos da Guerra Maligna, o Povo das Fadas não fica mais sob sua proteção e a proteção dos Acordos, mas ainda assim esperamos. É raro Faerie admitir que está desesperada, mas estamos desesperados agora. Se você não nos der socorro, pelo menos talvez negocie conosco. Investigue a morte de nosso povo e lhe concederemos o retorno de seu sobrinho, irmão das crianças que agora moram em sua casa.

A Caçada Selvagem não devolve o que lhe pertence, mas lhe devolveremos Mark Blackthorn.

Aguardamos suas palavras.

Mapa de Nova York

Um mapa de Nova York, com determinados locais apresentados na série marcados e ilustrados no mapa. Foi lançado com as edições repaginadas de todos os volumes da série.
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